Rayman 30th Anniversary Edition é um caso curioso. Não tenho dúvidas de que já estava mais do que na hora para este jogo ser relançado. Porém, a forma como isso foi feito é no mínimo curiosa. Temos aqui uma coleção de Rayman, mas uma coleção que inclui basicamente versões do mesmo jogo.

O QUE TEM EM RAYMAN 30TH ANNIVERSARY EDITION

Temos aqui quatro versões diferentes de Rayman. Sim, o jogo original. Está nesta coleção as versões de Playstation, Jaguar, DOS e Gameboy Advance. Todos estes são quase iguais, a ponto de que imagino poucos além dos maiores fãs jogando todos. Há pequenas diferenças de um para outro e, para conhecê-las, leia este link (em inglês). Aqui seria bacana um desenvolvimento estilo Nightdive, juntando todo o conteúdo inédito de cada uma das versões e combinando tudo numa única campanha completa. Mas isso não foi feito.

Porém, há sim um jogo extra, também chamado Rayman. Esta é a versão de Game Boy Color que, apesar de dividir o nome e a história com o principal, é totalmente diferente, com novas fases. Por fim, há também um conteúdo inédito: um protótipo de Super Nes nunca antes lançado. Este envolve apenas andar por um cenário de fábrica, sem inimigos, final ou nada para fazer, então é basicamente uma curiosidade.

Eu sinceramente teria gostado de uma coleção mais abrangente. Ao invés de várias versões do mesmo título, poderiam ter colocado Rayman 23 e até mesmo outros jogos que vieram depois. E mesmo se levarmos em conta que a ideia era colocar aqui todos os Rayman 1 disponíveis, a coleção também falha, pois não traz a versão de Saturn ou de DSi. Seja qual for a escolha da Ubisoft, me parece estranha.

RAYMAN, O JOGO

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Obviamente, eu não vou jogar todas as versões disponíveis para este review, então resolvi focar na que é discutivelmente a principal: a de Playstation. Eu nunca a havia jogado antes, então permita-me dizer aqui algo que eu, particularmente, não percebi, mas parece muito importante para muita gente: a trilha sonora não é a original por problemas de licenciamento.

Dito isso, o jogo é incrivelmente lindo. Os desenhos são incríveis e a animação impressiona ainda hoje. É incrível que o primeiro Rayman, lançado em 1995, seja até hoje tão belo. Inclusive mais bonito do que muita coisa lançada recentemente. Vamos comparar com Rayman Origins e Legends, dois jogos fantásticos e também lindões. Os mais recentes têm resolução maior e melhores detalhes. Porém, aqui os personagens e os desenhos em geral são maiores e mais fáceis de enxergar. É sinceramente muito difícil escolher meu preferido. Simplificando, eu diria que Rayman parece um videogame muito bonito, enquanto Origins Legends estão próximos de uma animação. São interpretações diferentes e fascinantes para o mesmo mundo e personagens.

E eu achei bem bacana como boa parte dos personagens ou das ideias de gameplay dos jogos mais recentes já estavam presentes aqui de alguma forma. Elas foram, sim, bastante lapidadas, e o Legends é sem dúvida muito superior ao que temos aqui. Mas é legal ver a origem das coisas, mesmo que elas não estejam no jogo chamado Origins.

FRUSTRAÇÃO ESTILO 1995

Rayman traz várias limitações que simplesmente não deveriam mais existir, como vidas e continues limitados. É possível desligar estas limitações nas versões de Playstation e Dos, mas você não vai querer fazer isso, pois desliga as conquistas. Por que colocar esta função e então limitar seu uso, eu pergunto? E por que isso não é possível nas outras versões?

Por outro lado, uma comodidade que não desliga as conquistas é a função de rebobinar. Isso torna o limite de vidas algo praticamente indolor. Afinal, se você cair num buraco ou perder vida, pode simplesmente voltar. E você vai precisar disso, porque Rayman, pelo menos em sua versão de Playstation, é muito difícil. As últimas fases exigem uma precisão de pulos que remete a coisas como Celeste. Curiosamente, eu comecei a realmente me divertir com o jogo quando ele ficou mais difícil. Não sou um esnobe do git gud, você sabe, mas parece que o level design simplesmente ficou mais inspirado quando estava mais concentrado em matar o jogador.

Outra coisa comum no passado e que está presente aqui é que você precisa pegar todos os colecionáveis para poder lutar contra o chefe final e terminar o jogo. E estes colecionáveis, jaulas cheias de bichinhos fofinhos, são muito difíceis de encontrar. Ao longo da campanha, você vai liberando novas formas de movimentação e boa parte das jaulas só pode ser quebrada depois de liberar tudo. Assim, é simplesmente necessário jogar tudo duas vezes ou mais para ver o final, o que é demais para mim.

GAME BOY COLOR

Finalmente, temos a versão de Game Boy Color. Embora ela seja muito menos bonita do que todas as outras, o gameplay é de um plataforma 2D mais tradicional. Diria que talvez até mais parecido com o que a série faria em Rayman Legends. Particularmente, me diverti mais com este jogo do que com o principal. Mas verdade seja dita, as últimas duas fases trazem alterações sofríveis na jogabilidade. Para você ter uma ideia, a última inteira troca a direita e a esquerda do seu controle. Péssimo. Pelo menos este permite ver o final quando você passa por todas as fases, independente dos colecionáveis coletados.

É muito difícil jogar algo tão antigo hoje em dia e se deparar com um clássico irretocável se você não jogou o título no lançamento. Rayman certamente é um bom jogo, mas está longe, bem longe, de clássicos do gênero como Sonic ou Super Mario World. Vale a pena jogar, tanto pela importância histórica quanto pelo fato de que é um jogo bacana. Mas não espere descobrir aqui um grande jogo se você não tem relação afetiva com ele.