Franquias longevas, normalmente com mais de dez anos, costumam passar por algumas mudanças. As mais comuns envolvem transformar em mundo aberto ou em roguelite. Eu odeio, e vejo com maus olhos, as duas mudanças. Mas quando pego um jogo para resenhar, preciso ser mais sucinto e direto. Ele me divertiu ou não? E, neste aspecto, Carmageddon Rogue Shift me divertiu sim. Bastante.

REVIEW CARMAGEDDON ROGUE SHIFT

Ao contrário de um jogo de ação em fases, como Dead Cells ou Hades, corrida é um gênero que envolve jogar muitas vezes as mesmas coisas. Todo mundo já perdeu a conta de quantas vezes jogou cada GP do Mario Kart, por exemplo. Isso torna a repetição mais aceitável, ainda que eu não consiga gostar da perda de progresso. Morrer no último chefe e precisar jogar tudo de novo para tentar mais uma vez é excessivamente punitivo e nada acrescenta à campanha além de tempo perdido. Mas ok, sei que tem quem gosta.

Acredito que apenas por achar mais aceitável repetir corridas do que fases é que eu cheguei ao último chefe de Carmageddon. E até queria jogar mais, mas sinceramente, não sei se ainda farei isso. Esta é a parte em que eu vou desenvolver o funcionamento da campanha.

CARMAGEDDON ROGUELITE

O esquema é bem semelhante a dezenas de outros roguelites. Você tem uma campanha aberta, em que pode escolher qualquer tipo de evento conectado para avançar. Eventualmente, todos os caminhos se encontram em um chefe. Cada campanha tem três chefes até terminar, mas existem mais do que três chefes no jogo e você nunca sabe quais vai encontrar ao iniciar uma campanha.

Cumprir cada evento te recompensa em dois tipos de moeda. Uma que serve para melhorar seu carros e suas armas durante aquela campanha. E com a outra você compra upgrades permanentes ou aumenta a quantidade de itens que serão vendidos nas lojas da campanha. É possível deixar Carmageddon Rogue Shift extremamente fácil, desde que você jogue o suficiente. Afinal, quanto mais você jogar, mais consegue upar sua vida, defesa e armas.

A moeda permanente também compra carros. Estes são escolhidos no início da campanha e você não pode mais mudar até morrer ou vencer. O que dá para mudar são as armas. Cada carro começa com uma arma específica equipada e sempre que você encontra lojas pode comprar novas ou melhorar a que já tem.

ATROPELANDO ZUMBIS E EXPLODINDO CARRINHOS

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Parece Gotham City.

Rogue Shift talvez seja o Carmageddon mais covarde. Quem acompanhou a evolução desta série sabe que o jogo foi proibido no passado por permitir matar seres humanos. Daí o jogo começou a ser vendido nos países em que tinha sido proibido (inclusive no Brasil) com os seres humanos modificados para serem zumbis. Porém, a desenvolvedora colocou em seu site oficial um patch que colocava os humanos de volta. Foi uma forma de burlar a lei, mas vender apenas o produto legalizado.

Rogue Shift não tem essa opção. Aqui não há seres humanos, apenas zumbis. E os zumbis servem para recuperar boost. Basicamente, atropele alguns deles e ganhe um acelero. O foco e o perigo está totalmente nos outros carros, tantos nos competidores quanto na “polícia”. Estes últimos são mais fáceis de destruir, são infinitos e aparecem apenas para atrapalhar. Os competidores são mais perigosos, agressivos e mais difíceis de explodir.

EVENTOS LINEARES

Os eventos, por outro lado, nunca foram tão lineares. Cada pista tem seus caminhos pré-estabelecidos e você sempre precisa chegar ao final. A maior parte dos eventos envolve chegar entre os três primeiros. Alguns exigem vitória. E no terceiro tipo basta chegar até o final sem morrer. A variação é pequena. Particularmente, estes eventos mais fechados me agradam mais do que o estilo sandbox dos jogos anteriores.

Mesmo os chefes são batalhas com tempo contra um inimigo fortão que deve ser destruído ou vencido na corrida. O chefe final é irritante, pois ele só aceita ser machucado quando sua vida está vermelha, e ela simplesmente não ficou vermelha a quantidade de vezes necessária para eu vencer antes do tempo acabar. Deve ter algo a ser feito para agilizar o processo, mas não consegui descobrir e estava jogando antes do lançamento, então não adiantava perguntar ao Google.

CARMAGEDDON ROGUE SHIFT

É bem raro eu gostar de roguelites. Mas Carmageddon Rogue Shift realmente me divertiu enquanto o jogava. Muito disso se deve à repetição natural de um jogo de corrida, o que torna o estilo mais suportável aqui do que um jogo de fases. Claro, eu gostaria bem mais do jogo se ele tivesse uma quantidade limitada de eventos para vencer e salvasse sempre que você cumprisse um, mas isso fatalmente daria mais trabalho para fazer. Afinal, a campanha como está aqui pode ser vencida em menos de 45 minutos, e poucos jogos projetados duram tão pouco. Por ser um roguelite, estes 45 minutos podem se tornar muitas horas até você comprar upgrades suficientes para conseguir terminar. Quem gosta desse tipo de progressão, certamente terá muita diversão aqui.