127 Horas

0

Todo delfonauta que se preze já foi fã do Danny Boyle. O sujeito ficou famoso ao dirigir o premiado Trainspotting, mas a gente começou a gostar dele mesmo por causa de Extermínio, que reativou o interesse mainstream no cinema Z e possibilitou o surgimento de gente como o Zack Snyder, além, é claro, do ressurgimento do mestre George A. Romero.

O problema é que Dani Bolota acabou traindo o movimento véio e começou a fazer uns oscarizáveis xexelentos. “Ele está perdido”, dizia um dos diabinhos que flutuam sobre meus ombros para o outro, que respondia “calma, não é tão ruim. É pior”.

E agora chega aos nossos cinemas mais um filme do Danielzinho, e se trata de mais um oscarizável. Mas, para a surpresa de todos os fãs de cinema de verdade (ou seja, aquele que não é feito em busca de carecas dourados), dessa vez temos um filme muito bom. Para falar a verdade é, até o momento, o melhor filme do ano. Tudo bem, de um ano que já teve mais porcaria do que conseguimos lembrar, mas ainda assim, foi um alívio assistir a um longa realmente bom pela primeira vez em 2011.

Se você não sabe do que se trata o filme, talvez se lembre da história de um alpinista que ficou preso sozinho por vários dias e acabou sobrevivendo ao arrancar seu braço fora. Obviamente, depois disso ele escreveu um livro e ficou rico e famoso, provando que nenhuma tragédia é terrível demais para a raça humana não ver a oportunidade de fazer um dinheirinho em cima dela. Agora nosso amigo resolveu fazer um dinheirinho no cinema, e o filme adapta para as telas o seu livro, Between a Rock and a Hard Place.

Embora de fato não haja muita história aqui, a direção precisa, a narrativa forte e o carisma combinado do ator e do personagem seguram o filme de forma perfeita, nos fazendo torcer por ele e sofrer com ele, como qualquer bom longa tem que fazer.

Chega a ser até assustador ver que o sujeito, diante de tamanhos apuros, ainda manteve o senso de humor nos filminhos que ele fazia para passar o tempo (se é que os filminhos ficaram iguais no cinema – o que duvido bastante). Se fosse eu, iria combinar vários minutos de choro em desespero, com vários resmungos furiosos dos quais só se conseguiria entender algumas palavras, tipo “evil” e “monkey” e, claro, alguns closes nas minhas partes pudentas. Para falar a verdade, meu vídeo seria bem parecido com isso aí embaixo.

Ok, talvez não tivesse tanta choradeira assim. Afinal, ter o braço esmagado no meio do nada não é nada comparado ao que faziam com a Britney. Leave Britney alone!

E quando chega a fatídica cena do braço… Santo papagaio, delfonauta! Deve ser a coisa mais aflitiva que eu já vi no cinema. Chega inclusive a ser difícil de olhar. Eu ficava só pensando “acaba logo, acaba logo”. Daí quando o braço soltou, eu quase gritei “graças a Deus”. O troço é mais nojento e gore do que filmes inteiros da franquia Jogos Mortais. Aliás, é curiosa essa comparação quando lembramos que o último filme da cinessérie tinha um personagem que enriqueceu por ter escrito um livro contando experiências traumáticas que nunca aconteceram. Quantas pessoas devem ter feito isso na vida real, né? Hum…

127 Horas definitivamente não é para estômagos fracos. Se você tem estômago forte e não faz questão de histórias cheias de detalhes, apenas de uma excelente condução e direção, não perca. Como falei no início, é o melhor filme do ano até agora. Torço para que seja o primeiro excelente de muitos que vêm aí!