Quando eu era pequeno vivia passando na televisão um filme chamado Marcas do Destino (1985), estrelado pelo Eric Stoltz, onde ele vivia um adolescente com uma deformação craniana que tentava levar uma vida normal. E eu morria de medo do personagem dele, que tinha o maior cabeção. Dá um tempo, eu era muito criança!

Esta pequena anedota do passado tem tudo a ver com o tema da resenha de hoje. Afinal, Extraordinário trata praticamente da mesma história. Auggie (Jacob Tremblay) é um menino de dez anos que nasceu com uma rara desordem genética. Como resultado, seu rosto é deformado.

Por conta disso, ele sempre estudou em casa, ensinado pela mãe (Julia Roberts). Mas os pais acham que já está na hora de ele passar a conviver com outras crianças. Então, no início do novo ano letivo, ele vai para uma escola normal. Claro, ele próprio, sua irmã e seus pais temem que ele vá ser isolado pelos colegas por conta da aparência.

Ou pior, sofrer bullying por ser diferente. Afinal, como nos ensina o Professor Xavier, as pessoas temem o que elas não entendem. O filme trata da adaptação do menino nesse novo ambiente, suas dificuldades e conquistas, como fazer os primeiros amigos e ser aceito por quem ele é e não ser julgado pelo exterior.

A história transita entre o drama mais tristonho de mostrar as dificuldades sofridas pelo menino no novo ambiente com momentos mais sentimentais para aquecer o coração.

Delfos, Extraordinário, CartazAfinal, como você bem sabe, crianças podem ser bastante cruéis com aquilo que é diferente, e isso causa os momentos mais dramáticos da película. Mas Auggie é tão gente boa, que embora sofra no começo, lentamente vai conquistando a todos. E sua família é tão carinhosa e dá tanto apoio que o ajudam a superar os percalços.

Embora às vezes ameace exagerar na sacarina, ele nunca chega a esse ponto. Na verdade a história é bem simpática, com bons toques cômicos (as referências a Star Wars são bem engraçadas) e um bom elenco de personagens que deixa tudo leve e emocionante. Confesso que em alguns momentos minhas, digamos, “alergias” atacaram. Mas eu segurei firme, porque eu sou muito macho!

Outra coisa bacana é que os personagens são bem mais desenvolvidos que o costumeiro nesse tipo de produção. Há toda uma subtrama sobre a melhor amiga da irmã de Auggie que, ao invés de parecer supérflua e sem relação com o resto da narrativa, quando a história passa a ser narrada do ponto de vista dela, você não só entende porque ela teve aquela atitude, como passa a se importar com ela.

Contudo, este ainda é um filme feito na época do politicamente correto. E embora Auggie sofra sim algumas sacanagens na escola, a coisa também está bem longe de ser pesada. Digamos que a parte mais dramática poderia ser ainda mais carregada, mas o tom acaba ficando mesmo no mais leve e fofinho.

Nesse sentido, Extraordinário funciona muito bem. É um daqueles filmes família, para você sair do cinema se sentindo bem e emocionado. Se é disso que você está atrás, pode assistir que é uma boa pedida.

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Carlos Cyrino
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.