Um Final de Semana em Hyde Park

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Sinceramente, às vezes não dá para entender como as distribuidoras escolhem o que será lançado nos cinemas e o que sairá direto em vídeo. Scott Pilgrim Contra o Mundo, por exemplo, quase foi direto para vídeo, não fosse pela movimentação dos fãs. Mesmo sendo um filme de nicho com um público pequeno, ainda assim tinha um público que justificava ao menos uma semana em cartaz.

Já no caso deste Um Final de Semana em Hyde Park, não consigo imaginar quem poderia ser o público. E, no entanto, ele estará em nossos cinemas a partir deste fim de semana sem percalço algum. Veja bem: é um filme do ano passado estreando já no final de 2013. Um Oscarizável que não conseguiu pegar nenhuma indicação na premiação deste ano e, portanto, já perdeu há muito seu prazo de validade. E, por fim, conta uma história que acho bem difícil de capturar o interesse do público brasileiro, à possível exceção de estudantes de História.

Temos aqui um pedaço pequeno da história do presidente estadunidense Franklin Roosevelt. E bota pequeno nisso. Como o título nacional entrega, o filme se passa durante um final de semana em 1939, quando o rei (aquele mesmo, que travou uma batalha épica contra a gagueira em (O Discurso do Rei) e a rainha da Inglaterra, vão visitá-lo em seu retiro fora de Washington para pedir que os EUA entrem na 2ª Guerra Mundial e ajudem a Grã-Bretanha.

Esse contexto histórico e político até pode parecer interessante. E de fato, as interações entre o rei e o presidente (principalmente a cena em que eles conversam a sós) são o que a película tem de melhor. Contudo, por incrível que pareça, o roteirista achou que seria muito mais interessante se o foco na verdade fosse no caso do presidente com sua prima de quinto grau (e eu não sabia que existiam tantos graus assim!) Daisy.

A meia hora inicial é toda focada nisso, e consegue a proeza de redefinir o conceito de “chato”. Passeios de carro pelo mato, dar as mãos e conversas veladas. Uau, tudo isso é realmente emocionante. Not!

Quando o casal real chega, tudo fica um pouco mais interessante, embora também os grandes conflitos que surjam daí sejam todos causados pelo jeitão mais despojado de Franklin e sua entourage, quebrando o protocolo e causando estranhamento. Em especial a rainha, cheia de “não me toques”. Sério, o grande conflito do filme envolve um piquenique onde serão servidos cachorros quentes. Deveria o monarca da Inglaterra ingerir um alimento tão mundano? Sem dúvida, um tema que merece todo um longa-metragem a respeito.

É um filme nada, com ótima direção de arte, figurinos caprichados e belos carros antigos e Bill Murray muito bem em mais um papel dramático, mas que acaba sendo bem chato no começo e no final, que são as partes dedicadas exclusivamente ao pudico caso com a tal prima que é tão distante que acho que nem conta mais como parte da família. No miolo, dá uma melhorada, mas ainda assim não é nada que vá abalar seu mundo.

No entanto, se você sempre quis saber se o rei da Inglaterra mandaria ou não um dogão pra dentro se este lhe fosse oferecido, este filme é para você. E se é o seu caso, devo dizer que você é um sujeito bem esquisito. Agora me dê licença, pois vou comer uma pizza de anchovas com o rei da Espanha.