Rambo IV

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Eu nunca fui muito fã do Sylvester Stallone por um simples motivo: os filmes do cara eram bem mais sérios do que os do “concorrente” Arnold Schwarzenegger. Como o delfonauta dedicado já sabe, filmes de ação para mim têm que ser exagerados, fanfarrões, divertidos e, de preferência, com trilha de Hard Rock. Via de regra, os estrelados por Arnoldo Esuasnêga tinham todas essas características. Os do Silvestre Estanalona não. E, para ser sincero com o amigo leitor, filme de ação que se leva a sério nunca me apeteceu muito.

Contudo, este Rambo IV parecia seguir o caminho Testosterona Total, graças a notícias como essa. E veja só: realmente morre bastante gente, mas ao mesmo tempo, a narrativa carece de ação. A cena final dura relativamente bastante, mas todas as outras, embora contem com um grande número de apresuntadas, são curtas e distantes umas das outras. Ou seja, a média pode ser uma morte a cada três minutos, mas passando essa estatística para a realidade temos mais de 20 minutos sem ação nenhuma, e de repente morrem 15 pessoas ou algo do tipo.

A história também não ajuda muito, pois é clichê até o osso. Nosso herói John Rambo é um homem amargurado que é contratado por uns imbecis ideológicos a levá-los para a zona de guerra. Hesitante, ele acaba indo. Chegando lá, o pior acontece, e agora sobra para o cara salvar a turminha junto com um exército de mercenários (e um deles é visualmente idêntico ao Rob Halford). Aliás, essa é outra decepção. Afinal, o sujeito não é mais um exército de um homem só, mas conta com alguns “amigos”, cuja relação, aliás, começa com desentendimentos, mas depois eles descobrem a verdadeira amizade, como bem manda a cartilha dos clichês hollywoodianos.

Embora eu tenha sentido falta de mais ação, quando ela acontece, realmente é legalzuda, embora curta. O momento em que Joãozinho Rabo mata uns sete ou oito bandidos em uns dois segundos parece até influenciada pela escola do Mandando Bala.

Outra cena que merece destaque é quando a turminha da ideologia é atacada. Esse é simplesmente o momento com maior explosões por segundo que eu já vi no cinema. E sabe como é, explosões são legais, e a nota de um filme de ação deve ser dada proporcionalmente à quantidade de explosões que ele contém.

Nessa mesma cena, aliás, vemos um monte de crianças morrendo NA TELA, inclusive um antológico momento em que mãe e filho são mortas com uma única bala. Se O Albergue 2 ganhou pontos por matar um infante fora da tela, isso realmente garantiu alguns Alfredos extras para Rambo IV. Claro, todas as crianças assassinadas são personagens genéricos, sem nenhuma importância para a história, então Hollywood ainda fica devendo os colhões de matar uma criança importante para o filme, de forma violenta e na tela.

É uma pena que mesmo essas cenas sejam sérias demais. Não é aquela violência que leva o espectador a fazer o moloch e gritar hell, yeah, manja? Está mais para aquelas que fazem as moçoilas enfiarem o rosto no ombro do cara que está do lado. Portanto, garanta que a pessoa ao seu lado seja do sexo oposto, ou isso pode não ser muito legal.

Rambo IV realmente me decepcionou, mas isso está diretamente ligado às minhas expectativas. Eu esperava um filme de ação exagerado, divertido e que não se leva a sério, que é o que prometiam as notícias e até mesmo o press-release. O que recebi foi exatamente o contrário. Talvez se você for sabendo exatamente o que lhe espera, a coisa seja mais positiva. Então assista, volte aqui e conte para nós o que achou.

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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).