Praia do Futuro

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Aos mais desavisados, não se deixe enganar. Praia do Futuro não é uma ficção científica passada numa praia futurista, mas apenas o nome de uma praia em Fortaleza, onde a história do filme em questão começa. E assim, com esse parágrafo introdutório devidamente concluído, passemos ao segundo, também conhecido por sinopse.

Donato é um salva-vidas da Praia do Futuro que, durante uma ocorrência, conhece o alemão Konrad e os dois se apaixonam. Contudo, quando Konrad decide voltar à Alemanha, Donato vai junto, indo morar num lugar completamente diferente ao que estava habituado.

Apesar de tratar de uma relação homossexual, ela nem de longe é o foco do filme. É apenas um segundo plano tratado de forma completamente comum e natural, como não poderia deixar de ser. O foco do longa é mesmo a ida de Donato para a Alemanha, e as escolhas e consequências que uma mudança desse tipo acarreta.

É a solidão e a saudade que se sente estando longe da sua terra, e aquele momento inevitável onde se pesa todos esses fatores e faz-se aquele balanço se vale a pena passar por tudo isso para se estar próximo de alguém que se ama. Você não encontrará respostas durante a projeção, apenas os momentos de contemplação e reflexão.

O filme é bem intimista, e como disse logo no parágrafo acima, contemplativo. E sim, ele é um tanto parado, cheio de planos longos e personagens em silêncio. A ação é muito mais interna. Mas no geral ele consegue balancear bem esses elementos e passa longe de ser chato.

Também possui momentos engraçados e boas frases, geralmente cortesia do irmão caçula de Donato, outro elemento bastante importante para a narrativa. Claro, ainda assim poderia ter diminuído a duração de alguns planos, mas isso é mera questão de preferência pessoal. No geral o saldo é bastante positivo.

Não é um baita drama, e está longe de ser um longa memorável, mas sem dúvida está acima da média da produção nacional, escorado principalmente nas boas atuações da dupla Wagner Moura e Clemens Schick e no ritmo pouco comum ao nosso cinema.

Trata-se de um filme brasileiro com jeitão europeu, não só por parte da trama se passar na Alemanha, mas sim pela própria levada mais lenta e silenciosa. É o tipo de produção muito bem-vinda ao cinema nacional, fugindo do lugar comum que todos conhecem.

Assim, para quem quiser um longa diferente, que foge dos padrões do cinema tupiniquim, Praia do Futuro se encaixa neste requisito, mas vale também o aviso: muito por conta de seu ritmo lento, não é um filme para todo mundo. De posse destas informações, cabe a você decidir se ele fala a seus gostos ou não.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.