Os Goonies

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Relembre a infância com o nosso especial Sessão da Tarde:
Quero Ser Grande – Eu vou ter 30 anos a minha vida toda! E o especial delfiano Sessão da Tarde começa.
Te Pego lá Fora – Dor é temporária. Filme é para sempre.
Tremendões – Ferris Bueller – Ele mata aula para curtir a vida adoidado!
Curtindo a Vida Adoidado – Bou-Bou Tchk-Tchk-Tch-Kah!
Clássicos da Sessão da Tarde – Um singelo guia de tremendões das tardes de muita gente.

Talvez o maior clássico da história do gênero Sessão da Tarde. Talvez o filme preferido de oito entre dez delfonautas. Talvez aquele com diálogos mais memoráveis e que mais são citados em conversas nerds. Finalmente, talvez o filme que tem um dos personagens mais queridos dos anos 80, o Sloth. Mas qual é a sensação de assistí-lo novamente, depois de tanto tempo? Será que ele se sustenta? A resposta é sim, mas ao mesmo tempo, não.

Os Goonies é um filme, na verdade, bem básico, mas que tem na sua identificação com as crianças seu maior trunfo. Tudo começa quando uma turminha de amigos, que se autodenomina Goonies, encontra no sótão de sua casa um mapa de tesouro. Ora, que levante a mão aquele que nunca procurou um mapa de tesouro no conforto da sua residência. Poxa, arrisco dizer que seria até mais legal encontrar um mapa do que o tesouro propriamente dito, afinal, como diriam os filósofos, o mapa é a jornada e o que a gente aproveita e leva da vida é a jornada, não o objetivo.

Para os guris, aliás, esse mapa foi aparecer justamente no melhor momento, já que os pais do protagonista estavam para perder a sua casa – justamente onde a galerinha se reunia. Obviamente, eles logo embarcam nessa aventura. O problema é que, no caminho, vão se deparar com a família de criminosos Fratelli, que vai fazer de tudo para frustrar seus planos e pegar o tesouro para eles.

Curiosamente, embora tenha a maior cara de um filme infantil, Os Goonies é até bem pesado – logo na primeira cena, por exemplo, eles já falam shit e, pouco depois, tem piadas com drogas e até com sadomasoquismo.

Apesar disso, é um filme completamente clichezão, tanto em sua história como nos personagens que, além de clichês, são mal desenvolvidos. Dentre os moleques, temos o protagonista perfeitinho, o outro que fica fazendo piadinhas o tempo todo, o gordo que só se dá mal, mas de quem todo mundo gosta e, é claro, o japinha cheio dos apetrechos tecnológicos (de longe o mais legal do filme – e interpretado por Jonathan Ke Quan, o ajudante do Indiana Jones). Isso sem falar do Sloth, que nada mais é do que um monstro grande, forte e bonzinho que chega até ao ponto de se sacrificar para salvar os amiguinhos. Praticamente, cada um dos personagens tem apenas uma característica e se segura nela como pode durante todo o filme. E ainda tem o velho esquema do prazo para que tudo se resolva, já que se eles decidirem descansar por um tempo, podem perder a chance de salvar a casa.

Quando eu era criança e assistia a esse filme, eu variava entre vê-lo normalmente ou morrer de medo do Sloth, a ponto de não olhar para a TV quando ele aparecia – o que era muito estranho, já que, mesmo já tendo assistido várias vezes e visto a cara dele na maioria delas, eventualmente eu não conseguia olhar em nenhum momento. E ele nem é tão feio, é só um cara assimétrico, além de aparecer muito menos do que eu me lembrava.

Aliás, o longa dura quase duas horas, mas muito pouca coisa acontece nele. Dava para diminuir a duração fácil, fácil. Aliás, admito que fiquei entediado em vários momentos.

É uma sensação estranha assistir novamente a um filme que marcou a nossa infância. Ver Os Goonies de novo teve um gosto meio agridoce, pois, embora eu me lembrasse de praticamente tudo, ia aos poucos me decepcionando. Na minha memória, ele era muito mais emocionante, muito mais engraçado e, principalmente, muito mais divertido. Deve ter sido mais ou menos a sensação que o Cyrino sentiu ao ver de novo este aqui.

Não me entenda mal, não é um filme ruim. Apesar de ter problemas, ainda é muito divertido e tem aquele delicioso gostinho de infância, de anos 80. Afinal, qualquer criança que assiste a este filme embarca junto com Os Goonies na aventura em busca do tesouro e aí está seu maior trunfo. Nesse ponto, valeu a pena ver de novo. Mas, por outro lado, eu provavelmente lembraria dele com mais carinho caso não tivesse reassistido para escrever essa resenha. Esse, aliás, é sempre um dos principais perigos ao reviver algo que nos marcou no passado, o que pode ser desde um filme até uma ex-namorada. Agora com licença, pois deve ter um mapa de tesouro em algum lugar da minha casa – e eu vou encontrá-lo!

Curiosidades:

– Ops, falha deles: na cena em que pegam o gordo na rua, o vilão está cantando no carro, mas pelo retrovisor vemos o reflexo dele com a boca fechada e fumando.

– O elenco conta com Corey Feldman, uma das grandes estrelas do gênero Sessão da Tarde, mas a principal curiosidade hoje em dia é a presença infante de Sean Astin, que é o protagonista Mikey, mas que você deve lembrar mais como o Sam, de O Senhor dos Anéis.

– Além deles, o elenco também tem Joe Pantoliano, o Cypher de Matrix que, embora esteja visualmente bem diferente, ainda faz o mesmo papel que sempre fez.

– A história original deste filme é de autoria do tremendão Steven Spielberg, mas foi roteirizada por Chris Columbus, que depois viria a dirigir Esqueceram de Mim e os dois primeiros – e melhores – Harry Potter.

– O diretor Richard Donner também é tremendão, pois dirigiu pelo menos três grandes clássicos dos quais a gente gosta bastante: Superman, Máquina Mortífera e A Profecia.

– Todos os moleques foram proibidos de ver o navio-pirata do clímax antes da filmagem da cena, pois queriam fazer com que a cara de espanto deles fosse a mais real possível.

– Confira abaixo um pôster alternativo do filme.

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