Opeth em São Paulo (19/07/2015)

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Se algum evento tinha o status antecipado de “show do ano”, era a única apresentação do Opeth na turnê de promoção do seu mais recente álbum: o aclamado Pale Communion (2014). Por ser justamente a turnê de um dos melhores álbuns do ano passado e de uma das melhores bandas de Heavy Metal da atualidade, resolvi viajar da minha terra carioca até o Carioca Club de São Paulo para conferir a performance dos Suecos.

PRÉ-SHOW

Cheguei ao local do show por volta das 19h e já era possível notar que estava muito cheio. Foi a minha segunda vez no Carioca Club (a primeira em 2013 no Adrenaline Mob e Halestorm) e tive a impressão de que foram comercializados ingressos acima da capacidade total da casa. Primeiro ponto negativo, pois estava impossível de circular até para pegar a cerveja. Fora isso, há a questão de segurança. Devemos nos lembrar de tragédias como a da boate Kiss e ligar o alerta para evitar acontecimentos semelhantes.

THERE’S NOBODY HERE, THERE’S NOBODY NEAR

A banda iniciou os trabalhos com Eternal Rains Will Come emendando em Cusp of Eternity e, já nas duas primeiras faixas, pôde-se perceber que o som estava com problemas. Os vocais do Mikael Åkerfeldt estavam abafados pelo som da bateria (que por sua vez estava alta demais). Esta situação se agravou em The Leper Affinity, uma vez que os vocais guturais do Mikael estavam inaudíveis.

Os problemas persistiram em The Moor e Advent. O som havia melhorado durante a execução das faixas Elysian Woes, To Rid The Disease e The Devil’s Orchard. Infelizmente, continuou muito baixo durante o restante do show. Apesar dos problemas, era possível se divertir e seria um exagero da minha parte dizer que o show foi ruim. Entretanto, as músicas não chegaram ao público da maneira que deveriam, era como ver um filme gravado na câmera de um celular ou escutar um bootleg: você pode compreender o que acontece, mas não fica satisfeito com a qualidade do produto final. Além disso, como prestigiar uma banda famosa pela união de elementos do death metal com melodias progressivas quando os guturais estão inaudíveis?

A competência dos músicos aliado ao carisma do Mikael nas interações com o público compensava de certa forma. Aliás, o público merece os parabéns por ter se comportado intuitivamente como se estivesse em um concerto de música clássica. O silêncio e aplausos somente ao fim de cada ato ajudou a atenuar as limitações do som. O Set List foi bem montado e buscou privilegiar o máximo de álbuns possível e agradar aos fãs das diferentes fases da banda.

WALK WITH ME, YOU’LL NEVER LEAVE

No final, restou a mistura de felicidade com decepção. Gostei do show como fã, mas não consigo esconder o sentimento de frustração enquanto consumidor. Não tenho conhecimento técnico para afirmar se o problema ocorreu por causa da acústica do local ou por incompetência da equipe de som da banda. Independente da busca por possíveis culpados, os fãs devem criar o hábito de se manifestar (nas redes sociais, principalmente) e exigir mais qualidade dos serviços prestados por todos os envolvidos (produtores, bandas e casas de shows).

Set List:

1. Eternal Rains Will Come
2. Cusp of Eternity
3. The Leper Affinity
4. The Moor
5. Advent
6. Elysian Woes
7. To Rid the Disease
8. The Devil’s Orchard
9. April Ethereal
10. Heir Apparent
11. The Grand Conjuration

BIS:

12. Deliverance