O Agente da U.N.C.L.E.

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O diretor Guy Ritchie tem um histórico de carreira que pode ser considerado um sucesso tremendo – se você considera direção de cinema uma profissão como qualquer outra – ou um fracasso retumbante – se você é dos românticos que ainda vêm cinema como uma arte autoral.

Acontece que nosso amigo Cara de Ricardinho tem entre seus primeiros filmes obras bastante autorais, como Snatch – Porcos e Diamantes. Porém, já há muitos anos ele abandonou completamente a ideia de ser um artista e passou a ser um funcionário de alto escalão da Warner FNORD!. Afinal, agora ele só tem feito os que a gente costuma chamar por aqui de filmes de produtor, como os dois Sherlock Holmes, seu próximo trabalho baseado na lenda do Rei Arthur e este que é nosso assunto de hoje, uma adaptação cinematográfica de uma série de TV antiga.

O prognóstico, como já dizia a turminha de Seinfeld, era negativo. Mas se você procura no cinema uma diversão descompromissada, pode parar de procurar, pois O Agente da U.N.C.L.E. é divertido pacas!

TESTOSTERONA TOTAL

Fazia tempo que eu não resenhava um típico Testosterona Total. Não é nem que o gênero que eu batizei está em falta. A questão é que o Cyrino vem pulando com unhas e dentes nas críticas desses filmes, o que fez com que Mad Max e tantos outros longas legais tenham ficado sob a batuta Cyrilovística.

Pois não contavam com a minha astúcia, já que meu colega guloso está viajando, o que fez com que sobrasse para mim a missão de resenhar este lançamento. E, amigo delfonauta, há muito não me divertia tanto no cinema. Analisemos cada uma das principais características de um Testosterona Total.

AÇÃO EXAGERADA E MUITO HUMOR

Em uma das primeiras cenas do filme, um sujeito persegue um carro a pé. E alcança. Não satisfeito, ele coloca a mão na parte de trás do carro, na tentativa de parar o veículo com a força dos seus próprios músculos. E ele quase consegue. Foi aí que eu exclamei “hum… acho que vou gostar deste filme!”.

Verdade seja dita, ele não tem assim tantas cenas de ação propriamente ditas, mas todas as que estão lá seguem esse naipe. E também rola muito humor.

Boa parte das risadas vem da relação entre os dois agentes protagonistas, interpretados por Henry Cavill e Armie Hammer. Um é estadunidense, o outro é russo. Ambos são pintudões, e ambos querem provar que são melhores do que o outro, o que gera cenas muito divertidas, algumas que vão fazer você rir alto.

MULHERES BONITAS

A primeira moça a aparecer, interpretada por Alicia Vikander, é bonitona. Mas a atenção masculina será quase monopolizada pela Elizabeth Debicki. Como se não bastasse a atriz ser linda, a personagem ainda é muito sensual e, para completar, toda a produção de nobreza europeia feita na moça (incluindo longos cílios postiços, o que eu particularmente adoro!) a deixa ainda mais apetitosa.

E se você gosta de homens, com certeza também estará bem servida, já que os protagonistas são dois galãs que também estão sempre muito garbosos e elegantes. No final das contas, não interessa o que você gosta de misturar com alimentos, encontrará excelentes opções por aqui.

HISTÓRIA OPCIONAL

Este é o principal problema do longa. O fiapo de história é uma confusão só, cheio de pretensiosas e desnecessárias viradas. A sinopse básica (cuja importância você pode deduzir por quão tarde ela aparece nesta crítica) é de que dois agentes de países rivais precisam trabalhar juntos para impedir uma simplificação na bomba atômica que possibilitaria que quase qualquer país conseguisse produzí-la.

Normalmente, filmes estilo Testosterona Total se baseiam em um fiapo de história e se sustentam com cenas de ação criativas e muita diversão. Não é o caso aqui. Sim, há várias cenas criativas e divertidas, mas a história tem aquela marca pós-Christopher Nolan de querer complicar tudo além da conta em um filme que não pede por isso.

Assim, o mais provável é que o espectador acabe desistindo de acompanhar o que esteja acontecendo e acompanhe apenas o desenvolvimento dos personagens e as explosões. O que, cá entre nós, ele faz muito bem.

UMA DIREÇÃO ESTILOSA

Guy Ritchie pode ter virado funcionário de produtores, mas o cara sempre teve estilo e O Agente da U.N.C.L.E. não é exceção. Na verdade, diria que é até um dos trabalhos mais estilosos do sujeito.

Digo isso não só pelas cenas de ação propriamente ditas, mas pela forma cuidadosa com que tudo é filmado, editado e montado com a trilha sonora. As músicas são escolhidas a dedo e formam um todo muito legal e com muita personalidade, além de tocarem nos momentos certinhos.

Os cortes e os planos também são muito legais, incluindo vários usos de um artifício que eu acho muito legal e que era usado nos clássicos Corra que a Polícia Vem Aí: as piadas em segundo plano.

Com isso tudo, quero dizer que você deve assistir a O Agente da U.N.C.L.E. na sala com a maior tela e o som mais poderoso que conseguir encontrar, pois o filme merece.

Fazia tempo que eu não me divertia tanto num longa, e fazia tempo que eu não escrevia uma resenha tão positiva. Este é um filme com tudo que a gente aqui do DELFOS gosta e, como tal, dá para recomendar com muita ênfase. Já para o cinema!

REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).