N.E.R.O.: Nothing Ever Remains Obscure

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Eu devo ter alguma ligação muito forte com jogos introspectivos. Não só um dos meus games favoritos de todos os tempos, Shadow of The Colossus, é um grande exemplar desse estilo, como aqui no Oráculo eu já peguei pelo menos dois indie games que possuem essa pegada. Um deles foi o brasileiro Toren, enquanto o outro é justamente o que dá nome a esta resenha: N.E.R.O.:Nothing Ever Remains Obscure.

N.E.RO.:Nothing Ever Remains Obscure é um jogo no mínimo curioso. Indo na contramão do ritmo aventureiro que os games vêm tendo recentemente, o jogo produzido pela indie Storm In a Teacup traz uma viagem mais intimista, que pode agradar a alguns e fazer outros torcerem o nariz. Trocando em miúdos, é um jogo onde quanto menos você souber, melhor será a experiência, e isso com certeza vai ser muito importante na sua percepção do jogo como um todo. No entanto, é meu dever fazer uma resenha com o Selo Delfiano de Qualidade, então vamos direto ao ponto.

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N.E.R.O. coloca você para explorar os mistérios de uma ilha que há muito serviu de esconderijo para piratas, e conta a sua história através de frases enigmáticas que ficam espalhadas ao longo do cenário e através das falas igualmente enigmáticas do narrador. São ideias interessantes, mas que não necessariamente funcionam como deveriam.

O primeiro ponto é sobre as frases espalhadas pelo cenário, que quebram a dinâmica do jogo. Você não acharia errado que, em um jogo de exploração, o storytelling te forçasse a parar justamente a exploração? Pois é o que acontece aqui. Não dá para fazer mais nada quando vai ler as tais frases, pois você tem que parar para efetivamente ler o que está escrito. Uma constante do jogo é andar por alguns segundos para, subitamente, ter que parar por outros segundos para observar o “letreiro”. Em suma, a ideia da história fluir enquanto você joga é interessante, mas talvez fosse melhor executada se, ao passar por determinado ponto da rota, a frase aparecesse na tela e te deixasse livre para caminhar pelo ambiente.

O outro ponto tem a ver justamente com a forma enigmática que o narrador conta a história. Todo o plot é exposto de uma maneira profundamente misteriosa, com muitas metáforas, o que pode confundir bastante quem não estiver prestando atenção. Uma vez que se trata de um game voltado para um nicho bastante específico, não nego que seja uma decisão narrativa apropriada, mas corre-se o risco de muita gente desistir do jogo simplesmente por não entender o que diabos está acontecendo.

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Outra coisa que contribui para o ritmo lento do gameplay são os puzzles. Vamos lá, jogos de puzzle são lentos por natureza, e são poucos os que conseguem imprimir velocidade no estilo. Não é o caso aqui, e, além de lentos, eu devo dizer que são particularmente fáceis, o que tira um bocado da graça do jogo.Contudo, uma outra qualidade realmente se sobressai ao longo do gameplay, e agora eu vou falar justamente dela.

N.E.R.O. Nothing Ever Remains Obscure é um jogo lindo. Lindo mesmo. Tudo aqui é brilhante e belo, e é um daqueles jogos que dá gosto de ver. O legal é que, ao explorar a ilha por completo, o cenário consegue não se manter repetitivo e continuar interessante, o que torna a exploração do jogo deveras recompensadora.

É importante destacar que, mesmo sendo um jogo de puzzles e focado na história, ele é bastante curto. Com um gameplay variando entre uma hora e meia a duas horas, ele consegue ser curto até para os padrões de jogos curtos, o que pode ser uma decepção para algumas pessoas. Eu não acho que seja um problema, uma vez que é um game focado em trazer uma experiência intensa onde a duração não importa muito, mas é algo a ser destacado.

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Por um lado, temos um jogo bem curto, com puzzles fáceis e alguns problemas de storytelling. Por outro, uma experiência belíssima e com uma história misteriosa e cativante. A verdade é que N.E.R.O. Nothing Ever Remains Obscure é um jogo que cumpre as expectativas de um nicho bastante específico entre os gamers, mas que dificilmente irá apetecer quem não tem apreço pelo estilo. Aí depende de você: do que você gosta em games? Responda nos comentários e nos diga se pretende dar uma chance a N.E.R.O.

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