Lucy

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Luc Besson gosta tanto do cinema de ação que todo ano lança uns dois ou três exemplares do gênero. Contudo, também é fato que nos últimos anos ele vinha optando por “terceirizar” essas películas, limitando-se apenas a escrever e/ou produzir, preferindo dirigir projetos mais variados.

Eis que Lucy marca sua volta à cadeira de diretor em um longa de ação. Poderia ser uma ocasião tremendona, mas acabou por decepcionar. E o pior de tudo é que o negócio realmente tinha potencial para ser algo bem legal, talvez até uma franquia, se feita de modo correto.

A Lucy em questão é uma mulher normal que se mete numa roubada e acaba virando mula para o transporte de uma nova droga sintética. Só que o saco rasga dentro da barriga dela e seu organismo acaba absorvendo uma grande quantidade da substância, o que permite a ela acessar uma porcentagem cada vez maior de sua capacidade cerebral, o que acaba lhe conferindo toda uma gama variada de superpoderes.

Eu sei, parece legal. E realmente tinha tudo para ser. O problema é que acabou virando um negócio desconjuntado. Um filme de ação sem muita ação, permeado por umas viagens filosóficas sobre o potencial humano que cairia bem melhor numa película doidona de ficção científica dirigida por um Terry Gilliam, digamos.

Scarlett Johansson vai virando praticamente uma versão feminina do Dr. Manhattan (mas infelizmente ela não passa a andar pelada por aí), desenvolvendo poderes praticamente divinos, e que funcionam muito bem visualmente, mas tudo é muito pouco aproveitado e raso demais.

Não se assume como filme de ação, não sabe se leva a absurda história a sério (como em determinados momentos o faz), ou se cai para um lado mais leve e quase irônico, como parece ressaltar a esperta montagem cheia de cenas variadas de arquivo sobre a humanidade e a evolução.

No fim das contas, esses diferentes elementos acabam se atrapalhando. A ação fica comprometida no meio de tantas passagens arrastadas (embora se salvem uma ou outra boa sequência, como a do carro) e a história é desperdiçada num longa bem genérico. Ela de fato renderia muito mais como uma ficção científica mais parruda e cerebral e não como mera pancadaria (que, por sinal, acaba nem ocorrendo muito, já que ela pode surrar os malfeitores só com o poder de sua mente).

Tivesse simplificado o roteiro e investido mais na pancadaria e nos tiroteios sem noção, sem dúvida poderia ter rendido mais um longa dentro da média dos filmes adrenalinescos que levam sua grife, mas parece que Lucas Beição quis fazer algo especial para sua volta com estilo ao gênero e acabou se embananando todo.

Uma pena, acabou desperdiçando uma boa premissa e a Scarlett Johansson num filminho bem mequetrefe. Não dá para recomendar isso aqui no cinema, talvez em vídeo ou na TV a cabo acabe funcionando um pouco melhor, mas mesmo assim ainda há um monte de filmes bem melhores com a marca Luc Besson por aí, seja com ele na direção ou não. No fim das contas, é melhor optar por um deles.