Lolo: O Filho da Minha Namorada

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Julie Delpy é mais conhecida do delfonauta fã de um cinema mais alternativo como a protagonista, ao lado de Ethan Hawke, da trilogia Antes do… (Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite) do cineasta Richard Linklater, tidos pelo Corrales como alguns dos filmes mais românticos de todos os tempos.

Acontece que ela também ataca de diretora e Lolo: O Filho da Minha Namorada é o sexto longa-metragem comandado por ela, que também estrela a história como Violette, uma quarentona solteira que, durante suas férias, conhece Jean-René, sujeito simpático e meio ingênuo.

Eles logo começam a namorar, mas as coisas se complicam quando ele conhece o Lolo do título, o filho de Violette. Apesar de ser um marmanjo de 20 anos, ele ainda sente ciúmes da mãe e passa a fazer de tudo para separar o novo casal. Mas de tudo mesmo, e aí está o grande problema do negócio.

Embora seja uma comédia, simplesmente não tem graça. Embora haja um ou outro momento que tire um sorrisinho e olhe lá, são poucos. E muito dessa falta de humor se deve justamente ao personagem que batiza o longa. Era de se imaginar que essa situação de “filho versus o pretendente da mãe” renderia altas confusões do barulho dignas de um Sessão da Tarde.

Certamente, se este filme tivesse sido feito nos EUA poderia ser exatamente isso mesmo que aconteceria, afinal, se trata exatamente da mesma trama de várias comédias que você já deve ter visto. Mas não temos aqui o garotão maroto que apronta altas peraltices inofensivas para no final perceber seus erros e travar uma trégua e até amizade com o novo padrasto.

O que temos aqui é um verdadeiro sociopata que deveria estar internado, pois é um verdadeiro risco às pessoas ao seu redor. O carinha simplesmente pega pesado demais, no maior estilo “Joselito psicótico”. Daí, as situações que deveriam render humor, acabam gerando incredulidade. Fora uma enorme raiva do moleque. Ao invés de rir, você fica o filme todo com uma baita vontade de acertar um murro no meio da fuça do mentecapto.

Não é um filme ruim. O começo, quando os dois se conhecem e engatam o relacionamento, é até simpático, e como disse antes, há um ou outro momento capaz de arrancar um sorriso. Mas o filho é um personagem que não funciona nesse contexto e se isso fosse uma história de terror ou suspense, não só faria mais sentido, como poderia render mais. Contudo, como comédia, simplesmente não funciona. Aí fica difícil de recomendar.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.