Heroes

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Já pensou se um belo dia você descobrisse que possui superpoderes? É claro que já. Mas o que você faria? E mais: e se você soubesse que uma catástrofe está para acontecer e tem a chance de evitá-la. Você o faria, mesmo que pudesse arriscar sua vida?

Para qualquer um que leia quadrinhos o parágrafo acima nada mais é que o ponto de partida de qualquer herói de HQ, do Homem-Aranha ao Superman. Mas também é a premissa do mais novo sucesso televisivo estadunidense, Heroes.

Criada por Tim Kring (também criador do seriado Crossing Jordan) a série é basicamente um X-Men, mais realista, sem uniformes coloridos e sagas espaciais. Aliás, a trama é tão igual que muito me admira que Kring ainda não tenha sido processado pela Marvel.

Saca só: diversas pessoas ao redor do mundo começam a desenvolver habilidades fantásticas. Um geneticista indiano acredita que o fenômeno é o próximo passo evolutivo da humanidade e passa a estudar as pessoas especiais em busca de algum padrão. E acaba assassinado. Seu filho resolve então continuar o trabalho do pai. Em determinado momento, os caminhos destes seres fantásticos irão se cruzar e eles terão de se unir para salvar o mundo.

É ou não é uma semelhança que ultrapassa a coincidência? Discussões de plágio à parte, devo dizer que achei o seriado bem mais legal do que as HQs dos mutantes. As quais, aliás, deixei de ler há anos por conta do clima de novelão mexicano que nunca terminava e das sagas espaciais que, a meu ver, não combinavam com os personagens.

Heroes também gerou um enorme hype, que acabou por compará-la a outro grande sucesso recente, Lost. No entanto, as semelhanças com os sobreviventes da ilha não tão deserta são poucas. Apenas o grande número de personagens principais e os mistérios que vão se acumulando à medida que a trama avança são características parecidas.

Mas enquanto Lost já começou tremendona, Heroes demorou um pouco para engrenar. As coisas só começam a esquentar mesmo lá pelo terceiro episódio. Isso porque, como os muitos personagens estão espalhados pelo mundo (ainda que a maioria se concentre, é claro, nos EUA), foi gasto bastante tempo para apresentar todos antes de começar a trama.

E já que estou falando de apresentações de personagens, vou aproveitar para fazer um pequeno guia para apresentar os principais personagens e seus poderes. E fica uma sugestão para uma brincadeira: pegue os poderes dos heroes e veja qual personagem mutante da Marvel possui habilidades similares. Vamos lá?

– Claire Bennet (Hayden Panettiere): líder de torcida numa cidadezinha do Texas, a adolescente Claire parece ser indestrutível, dotada de um fator de cura de dar inveja ao Wolverine. Esconde seu dom dos pais adotivos e protagoniza uma das cenas mais legais da série, no final do terceiro episódio, quando acorda numa mesa de necrotério, com a barriga aberta, aparentemente por uma autópsia.

– Hiro Nakamura (Masi Oka): o personagem mais legal e adorado da série, o burocrata japonês Hiro é um típico nerd, que cita Jornada nas Estrelas e os próprios X-Men e é o único que reage como qualquer pessoa com um mínimo de inteligência o faria ao descobrir seus poderes: toma como uma bênção. Hiro consegue manipular o tempo e o espaço, ou seja, pode parar o tempo ou viajar nele e se teleportar. É o único que realmente deseja ajudar as pessoas e, com o auxílio de seu amigo sem poderes e que fala inglês, Ando (James Kyson Lee), parte para Nova Iorque para tentar evitar uma catástrofe.

Curiosidade: além de ator, Masi Oka é técnico de efeitos em CGI da Industrial Light & Magic. Ele trabalhou inclusive na nova trilogia de Star Wars! Ou seja, o cara é nerd também na vida real. Numa entrevista em novembro de 2006, já com Heroes no ar nos EUA, ele contou que ainda vai trabalhar na IL&M um ou dois dias por semana. Ah, sim, ele também fazia um técnico de laboratório na tremendona série Scrubs.

– Niki Sanders (Ali Larter): stripper de Internet em Las Vegas, Niki cuida sozinha do filho superdotado (mas aparentemente sem superpoderes) Micah (Noah Gray-Cabey), já que seu marido, D.L., está preso. Para piorar, a garota contraiu uma dívida com mafiosos. Niki aparentemente possui dupla personalidade e essa outra persona é bem fortinha. E sádica!

– Nathan Petrelli (Adrian Pasdar): candidato ao congresso, Nathan é um típico político. Sacana, corrupto e preocupado mais com a imagem pública do que com a própria família. Ele pode voar, mas não usa seu poder a não ser que seja estritamente necessário. Imbecil! Não à toa, é o personagem mais chato do programa.

– Peter Petrelli (Milo Ventimiglia): irmão caçula de Nathan, a princípio o enfermeiro nova-iorquino Peter acreditava que também podia voar, mas descobre que na verdade tem a habilidade de duplicar o poder de qualquer super-humano que esteja perto dele.

Curiosidade: o ator Milo Ventimiglia interpretou recentemente o filho do Garanhão Italiano em Rocky Balboa.

– Matt Parkman (Greg Grunberg): policial em Los Angeles, Matt pode ouvir os pensamentos das pessoas, o que o ajuda muito em salvar seu casamento e em progredir em sua carreira.

– Isaac Mendez (Santiago Cabrera): pintor e quadrinhista nova-iorquino, Isaac descobre que pode pintar imagens do futuro, mas só consegue fazê-lo sob efeito de heroína.

Curiosidade: na realidade, seus quadros são pintados pelo artista de HQs Tim Sale (de Batman: O Longo Dia das Bruxas)

– D.L. Hawkins (Leonard Roberts): marido de Niki Sanders, D.L. planejou um assalto, se arrependeu, mas alguém lhe passou a perna e ele acabou preso. Foge da cadeia para provar sua inocência. Como ele fugiu? Simples: atravessando as paredes usando seu poder de ficar intangível.

– Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy): geneticista indiano, Mohinder vai a Nova Iorque investigar a morte do pai, Chandra Suresh, dono da teoria sobre os superpoderosos. Decide continuar o trabalho do pai, mas não leva muita fé nas teorias do velho. Não possui poderes.

– Sylar (Zachary Quinto): o primeiro superpoderoso encontrado por Chandra Suresh e possivelmente o primeira pessoa do mundo a desenvolver dons sobre-humanos, Sylar é um assassino psicopata. Até o momento sua habilidade parece ser telecinese.

– O Homem de Óculos (Jack Coleman): pai adotivo de Claire Bennet, a figura conhecida apenas como Homem de Óculos trabalha para uma organização misteriosa que está atrás das pessoas especiais. Seu propósito ainda não foi revelado. Tem conhecimento da habilidade especial da filha.

– O Haitiano (Jimmy Jean-Louis): capanga do Homem de Óculos, o Haitiano pode apagar memória alheias. Matt Parkman não conseguiu ler sua mente.

Pronto, com os personagens devidamente apresentados, podemos voltar a falar da série propriamente dita. Essa primeira temporada aparentemente vai girar em torno de três histórias.

A principal é uma explosão nuclear que irá acontecer em Nova Iorque dentro de cinco semanas a partir do início da série. A imagem apocalíptica foi pintada por Isaac e testemunhada pessoalmente por Hiro, que se teleportou acidentalmente para o futuro.

Assustado, Hiro tenta contatar Isaac, mas como não fala quase nada de inglês, não obtém sucesso. O jeito é ir com o amigo Ando para os EUA para tentar contatá-lo pessoalmente.

Ao mesmo tempo, uma versão de Hiro do futuro aparece para Peter e o avisa que o desastre está ligado a uma líder de torcida. Seria Claire? Ele pede a Peter que salve a vida da garota, o que pode evitar a calamidade atômica. Daí o bordão da série: save the cheerleader, save the world. Enquanto isso, o Homem de Óculos captura Matt Parkman e só não pega também Nathan porque este foge voando.

E há ainda Sylar, o assassino superpoderoso que precisa ser detido. Se esses três eixos vão se encontrar, só saberemos no futuro, já que a série, aqui no Brasil, ainda está bem no começo.

Mas uma coisa é certa, o criador Tim Kring já disse em entrevistas que pretende, diferente de Lost, sua comparação imediata, fazer arcos fechados de histórias para cada temporada. Ele dará respostas antes de propor mais enigmas. Então, ao menos a questão da explosão em Nova Iorque será solucionada na primeira temporada.

No entanto, cada episódio sempre termina com um cliffhanger, o que deixa os fãs salivando pelo próximo capítulo e quem odeia esse recurso morrendo de raiva. Para quem gosta de quadrinhos, acompanhar pessoas comuns com dons incomuns é um prato cheio, e depois de um começo com o freio de mão puxado, os episódios têm ficado cada vez mais legais. Então é uma série a se acompanhar. Afinal, quer coisa mais nerd que heróis?

Heroes é exibida pelo canal por assinatura Universal Channel, todas as sextas, às 21h. Para quem não tem TV a cabo, nada de desespero. A Rede Record já comprou os direitos de transmissão da série, mas ainda não há previsão de quando ela será exibida.

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