Fire Shadow – Phoenix

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Trabalhar aqui no Oráculo, como você sabe, tem as suas vantagens. E tirando o bacon geneticamente modificado, a coisa mais legal daqui é que entramos em contato com bandas surpreendentes que dificilmente conheceríamos. Além do mais, como se não bastasse este contato com bandas novas, ainda temos a oportunidade de criar uma nova ordem mundial compartilhar essas bandas com você, delfonauta! É ou não é o emprego dos sonhos? =]

Pois lá estava eu abatendo bodes para o ritual diário do Alfredo quando o nosso Superior Ditador Supremo me convocou para resenhar o novo EP do Fire Shadow, intitulado Phoenix. A primeira coisa que vale destacar aqui é a impecável produção do disco. Sim, delfonauta, sua produção não deixa nada a dever aos maiores nomes do metal do país, e é bom ver as bandas novas tendo tamanho esmero em suas gravações – basta ver o nível das gravações de bandas como Painside, Voodoopriest e Dreadnox.

UM DIVISOR DE ÁGUAS

O Fire Shadow é uma banda já estabelecida na cena musical do Paraná, estando na ativa desde 2003 e já tendo feito a abertura de shows de nomes grandes como Iced Earth e Blaze Bayley. Apesar disto, no site oficial a banda define o EP como sendo um divisor de águas, com o objetivo de “marcar uma nova etapa para a banda”, dando a este mais recente trabalho a importância de um álbum completo.

As músicas do EP são bastante uniformes, sem tantas texturas e nuances, o que não me agrada muito. Indo mais além, diria que o que mais me incomodou foi o fato de os versos e os refrãos das músicas serem extremamente parecidos entre si. Pessoalmente, acho que isto torna a música repetitiva e não tão boa quanto ela poderia ficar, mas isto é apenas um ponto de vista. Não posso negar, contudo, que o fato de mais da metade do EP seguir este estilo mostra que a banda está preocupada em criar uma identidade própria, o que merece grande destaque.

O disco começa com o riff matador de Scars, uma faixa bastante direta e sem muitos rodeios. Nessa música você vai encontrar todos os elementos que a banda vai apresentar ao longo do play: músicas bastante cadenciadas e com riffs esmagadores. Scars foi a escolhida pela banda para receber um clipe, que você confere a seguir.

Logo depois vem Inner Battle, que conta com uma ótima linha de baixo e algumas dobras de guitarra bem interessantes. A terceira música é a faixa-título e a mais longa do play, com pouco mais de sete minutos e um desfile de ótimos riffs. Atenção para o solo final desta música, que corresponde ao melhor solo de guitarra de todo o disco.

As próximas duas músicas foram as que eu mais gostei. From Darkness é a música mais rápida da bolacha. Esta é a que mais se aproxima de um estilo mais clássico de Metal por ser bem forte e ter refrão e verso bem definidos, diferindo bastante do estilo mais uniforme e cadenciado das primeiras três músicas. E o EP acaba com Unbreakable, que também segue a linha da música anterior e na minha opinião é a melhor da bolacha, tendo as linhas de guitarra e de voz mais pesadas e bem trabalhadas de todo o disco.

THEY WON’T BRING ME DOWN

Apesar de a banda considerar este EP tão importante quanto um álbum completo, eu diria que ainda assim ele deve ser ouvido apenas como um EP. Vê-lo como um trabalho completo pode prejudicar o seu entendimento, pois ele mostra muito mais as direções que a banda pretende seguir do que propriamente uma que ela esteja seguindo.

No mais, o Fire Shadow demonstra ser bastante promissor e merece atenção. Apesar de não ter gostado tanto do estilo cadenciado e ligeiramente arrastado das primeiras três músicas, não posso negar que elas se mostram bastante originais e que também têm suas qualidades. Para você que ainda está na dúvida, dê uma chance à banda e ouça o EP – afinal de contas, dar uma oxigenada na playlist de vez em quando é sempre bom.