Uma dos maiores mitos que sempre circularam por aí é a existência do Yeti, ou O Abominável Homem das Neves, que fica cabeça a cabeça com os supostos avistamentos do Pé Grande. Mas e se a coisa fosse ao contrário?

PéPequeno faz justamente esta inversão ao apresentar um vilarejo de Yetis situado no topo de uma montanha. Eles têm sua própria organização social e cultura. E para eles, o mito somos nós, os humanos, a quem eles se referem como Pés Pequenos.

Delfos, PéPequenoAí um dia, um dos Homens das Neves, Migo, se depara por acaso com um humano. Claro que seus pares não acreditam nele, à exceção de um pequeno grupo de excêntricos. Daí, só resta a Migo descer a montanha e trazer um Pé Pequeno de volta para recuperar sua reputação. Eis que ele encontra um apresentador de programa sobre a natureza, e aí a confusão está armada.

Fora essa inversão, de nós sermos o objeto de lendas, que causa boas piadas, muito da graça do filme vem de um bem-vindo humor físico, típico dos desenhos mais antigos justamente da Warner e que há muito eu não via em exemplares modernos.

Coisas como os personagens caírem, se estabacarem e baterem a cabeça, mas sem nunca se machucar. Talvez isso seja o mais perto que voltaremos a chegar daquela gloriosa violência de desenho animado estilo Tom & Jerry nesses tempos coxinhas de politicamente correto.

UM YETI É UM PÉ GRANDE OU SÃO COISAS DIFERENTES?

Esse tipo de gague visual, da qual ele está cheio, foi o que mais me arrancou risadas, embora o roteiro apresente algumas falas também muito bem humoradas. Admito que me diverti muito mais com a animação do que imaginava.

Quando tinha visto algumas imagens dele antes de assisti-lo, não fiquei impressionado. O visual não me pareceu caprichado. Mas após vê-lo, ainda que o design dos Yetis não seja nada inspirado, tecnicamente a animação é sim muito bem realizada, desfazendo totalmente essa minha impressão inicial.

O que eu definitivamente não gostei nada é do fato de ele ser aquele tipo de desenho que interrompe a narrativa para enfiar os famigerados números musicais. Ele nem tem tantos, uns quatro, se não me falha a memória, mas são sempre os piores momentos. Simplesmente interrompe o que estava legal para enfiar uma cantoria chata e desnecessária.

Delfos, PéPequeno

Ainda que, admito, tenha ficado com uma curiosidade mórbida para saber como era um deles no som original (foi exibida uma cópia dublada na cabine). Mas isso só pelo fato de se tratar de uma versão de uma famosa canção de uma banda muito adorada.

O roteiro também é cheio de lições de moral, e conta com o tradicional momento onde Migo vai chegar ao fundo do poço, antes que aprenda uma valorosa lição de amizade e de outros valores morais. Nada muito criativo, mas que também não ofende a inteligência de ninguém, sobretudo da galerinha mais nova.

Fui assistir a PéPequeno sem dar dois tostões furados por ele e acabei gostando do que vi, e dando algumas boas risadas com seu humor físico. Poderia passar sem as músicas, mas já saí do cinema no lucro. Pode levar a molecada, que vale uma sessão de matinê.