Carol

0

Ah, as histórias de amor. Definitivamente não é o meu tipo de cinema, mas de vez em quando temos de encarar um ou outro romance em nome do profissionalismo. De nada, delfonauta. Ao menos este gira em torno de duas lésbicas, o que sempre melhora consideravelmente as coisas. Ou era o que eu achava até então.

A Carol do título, interpretada pela Cate Blanchett, é uma mulher mais velha, mãe de uma menininha e em vias de se separar do marido (Kyle Chandler) devido às suas tendências homossexuais. Um belo dia ela conhece uma jovem atendente de uma loja de departamentos (Rooney Mara) e as duas engatam um relacionamento.

Contudo, estando elas nos EUA da década de 1950, você pode imaginar que não se trata de um local ou época muito liberais, o que vai dificultar as coisas para o novo casal. Sobretudo porque o maridão se recusa a perder a esposa para uma mina e fará de tudo para evitar a iminente separação entre eles.

O visual do filme é belíssimo, com a recriação da Nova Iorque dos anos 50, com aqueles carrões, figurinos super elegantes e a paleta de cores, especialmente, é bem caprichada. E como eu comecei elogiando justamente a estética, você já pode imaginar que todo o resto não me impressionou muito.

Caramba, quem diria que um filme sobre lésbicas seria tão chato. São cerca de duas horas intermináveis. Vai além de me deixar simplesmente entediado, causou sono mesmo. Cheguei a dar umas boas pescadas em vários momentos e isso não é nada bom, como bem sabemos.

O ritmo é muito devagar, quase parando. Ele trata a história de maneira sutil, mais nas intenções e entrelinhas do que ações propriamente ditas. Mas nesse caso, essa decisão narrativa não rendeu a contento. A coisa não esquenta nem quando as duas finalmente se pegam. Nunca achei que escreveria isso, mas sim, é possível sentir tédio ao ver duas mulheres mandando brasa.

Admito que esse não é o meu tipo de filme, mas ainda assim havia lido algumas boas resenhas a respeito dele antes de assisti-lo, o que até me deixou animado para conferir a película. Daí cheguei à conclusão que ou eu sou muito do contra ou esse pessoal tem uma baita paciência para aguentar algo tão modorrento.

Até mesmo as atuações, também muito elogiadas por essas mesmas críticas, eu não achei nada fora do comum. Claro, as duas atrizes estão bem, mas não considerei a performance delas nada particularmente especial. Já vi as duas atuando muito melhor em outras películas.

Não é um filme ruim, mas o andamento devagar quase parando não me desceu. Daí, ficou abaixo de um filme nada na minha escala pessoal. O que temos aqui é um típico Oscarizável, que sem dúvida vai papar algumas estatuetas nesta temporada de premiações. Se você gosta desse tipo de produção, pode até valer arriscar uma sessão. Contudo, eu definitivamente optaria por alguma outra coisa.

REVER GERAL
Nota
Artigo anteriorA Grande Aposta
Próximo artigoSteve Jobs
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.