Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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Acabou, delfonauta. A trilogia do Homem-Morcego dirigida por Christopher Nolan e estrelada por Christian Bale, iniciada em 2005 com Batman Begins, encerra-se esta semana, com a estreia de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. E a esta altura você já deve estar se fazendo várias perguntas, então vou satisfazer a curiosidade e responder algumas delas antes mesmo da sinopse. Depois não diga que não sou um sujeito legal.

É melhor que O Cavaleiro das Trevas? Hum, não, mas por pouco. A história aqui é muito mais grandiosa e até melhor, mas faltou um grande componente, o Coringa. De fato, o personagem faz falta e se fosse ele presente neste encerramento, teria potencial para ser inesquecível.

É um bom filme e um bom encerramento? Sem dúvida, para ambas as questões. O filme é excelente, mas tem alguns pequenos defeitinhos, nada tão grave, felizmente. E claro, é completamente coerente com tudo que Nolan fez com o personagem nos anos anteriores. É o desfecho que tanto o personagem quanto nós, fãs, merecíamos. Satisfeito? Então, agora sim, vamos à sinopse.

O HERÓI QUE GOTHAM MERECE

Oito anos se passaram desde os eventos do último filme. Gotham finalmente está limpa do crime organizado e em paz. Ela não precisa mais do Batman, que se aposentou. Bruce Wayne vive recluso em sua mansão. Tudo vai bem, mas claro, se continuasse assim, o filme seria muito chato e não precisaria ter quase três horas de duração.

O mercenário Bane aparece então para dar uma agitada, criar o caos, explodir algumas coisas, destruir a cidade, quebrar o Homem-Morcego. Você sabe, o de sempre quando se trata de vilões de quadrinhos.

Bruce terá então de vestir a capa e o capuz uma vez mais para enfrentar um adversário muito mais forte e plenamente capaz de vencê-lo naquela que talvez seja a batalha definitiva por Gotham City.

Claro, no meio disso tudo tem ainda a Mulher-Gato, todos os coadjuvantes dos filmes anteriores e outros novos personagens, como o policial John Blake, interpretado por Joseph Gordon-Levitt, por exemplo. Sério, é tanta gente nesse filme que só ficou faltando mesmo foi a tia do Bátima, aquela velha!

UM GUARDIÃO SILENCIOSO

Se o filme anterior, para mim, tinha toda cara de policial dos anos 70, este aqui é o que mais se assemelha a uma adaptação de quadrinhos mais tradicional, com pitadas de filme-catástrofe, outro gênero muito em voga na década da discoteca e das calças boca de sino.

O escopo é gigantesco, desde o plano do vilão até as barbaridades que assolam Gotham na trama, é tudo exagerado e megalomaníaco. Afinal, segundo as leis de Hollywood, como esta é a segunda sequência, todos os aspectos da produção têm de ser maiores que nos seus antecessores. Tudo tem cara de narrativa clássica de HQ, de grandes sagas, grandes arcos de história.

E já que falei nisso, a história de O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um cruzamento entre os arcos A Queda do Morcego (com Bane presente, não poderia ser diferente) e Terra de Ninguém. O bom é que, como se trata do último filme, há realmente aquela sensação de que tudo pode acontecer, de que gente importante pode acabar morrendo no meio do caminho.

E, claro, já que é a última aventura do Cruzado Encapuzado, então ele vai ter de suar a camisa, e os desafios dos filmes passados ficam parecendo fichinha perto deste aqui.

UM PROTETOR ZELOSO

Como disse antes, o longa possui alguns pequenos defeitos, nada que subtraia da diversão, mas é o dever de um bom resenhista analisá-los.

O que mais pegou pra mim é essa mania de que tudo tem de estar interligado e muito bem amarrado, mesmo o que não tem necessidade nenhuma disso. Vou chamar isso daqui pra frente de “mal do escritor”. Um sujeito não pode estar simplesmente no lugar errado, na hora errada. Ele tem de estar lá por toda uma confluência de fatores que remontam ao seu passado e voltam para cobrar uma dívida.

Ultimamente o cinema e TV estadunidense estão sendo inundados com este mal. Dexter sofre disso, O Espetacular Homem-Aranha sofreu muito com isso e agora O Cavaleiro das Trevas Ressurge é a mais nova vítima. Escritores adoram amarrar pontas soltas, é fato. Cabe a alguém puxar o freio deles.

Uma coisa é você ligar a origem de Batman à de Ra’s al Ghul como foi feito em Batman Begins, por exemplo. Tem gancho para isso e ficou bom. Outra absolutamente diferente é querer amarrar cada aspecto de todos os filmes, para deixar tudo lacrado a vácuo. A vida não é assim, é cheia de acasos e acontecimentos sem motivos aparentes. É de se admirar que uma franquia como essa, que prima por um maior realismo que os outros filmes de super-heróis, fuja disso como o diabo da cruz… Há muitas ligações aqui com o primeiro filme e a maioria delas é desnecessária.

Bane é um bom vilão, funciona para este filme, mas não tem o mesmo carisma do Coringa. Quanto à sua voz, outro ponto polêmico antes da estreia, vamos lá: dá pra entender tudo que ele fala. Mas a escolha de atuação aliado aos efeitos sonoros prova-se irregular. Em alguns momentos, ele soa até parecido com um Darth Vader. Mas em alguns outros (minoria, é verdade) parece um janota todo educado em colégio interno. Isso não combina com um brutamontes como ele.

Para completar, a máscara da Mulher-Gato. Não me agradou desde que vi na primeira foto. No filme se revela ainda mais feia, especialmente quando ela aparece em toda sua glória nas cenas diurnas. Todo o resto do uniforme é bonito e tão parecido com a versão atual das HQs, por que não fazer um capuz similar?

UM CAVALEIRO DAS TREVAS

Falei mal da máscara da Mulher-Gato, mas a personagem em si e a atuação estão bem bacanas, extremamente fiéis aos quadrinhos.

As cenas de ação são um espetáculo à parte. Quanto a explosões e pancadarias, este é o blockbuster a ser superado. E o bom é que Christopher Nolan usa nas lutas do filme cortes mais lentos, então, diferente dos outros dois longas, dá para ver com muito mais clareza o Morcegão quebrando os ossos da marginália.

A relação entre Bruce e Alfred aqui é a mais forte de todos os três filmes e chega a ser emocionante, principalmente em um momento bem específico. É a prova de que a história e o desenvolvimento de personagens continua tão importante na franquia quanto a ação.

A qualidade de imagem e som é fantástica, especialmente este último. O som do cinema estava no talo, e a cada explosão ocorrida na tela, meu corpo inteiro tremia na poltrona. Assisti ao filme em Imax e recomendo que, quem puder vê-lo nesse formato, faça isso.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é a conclusão digna e mais que satisfatória do Batman de Christopher Nolan. Assim como seus antecessores, é um filme do personagem feito por quem o compreende, para seus fãs. É entretenimento de primeira, com uma qualidade absurda, que tanto vem faltando nos blockbusters hollywoodianos recentes.

É para ser visto mais de uma vez e apreciado, junto das outras partes da trilogia, como a melhor encarnação do Morcegão no cinema. Dever cumprido. Nós, fãs, agradecemos.

CURIOSIDADE:

– A Warner já anunciou que vai dar o reboot da franquia. Não se preocupe, não vou dar nenhum spoiler, mas se o estúdio tivesse cojones, dava para continuar perfeitamente sem a necessidade de reiniciar tudo.

OUTRAS BATMATÉRIAS DE INTERESSE:

Os batfilmes:

Batman: Dead End
Batman Begins
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Batman – O Cavaleiro das Trevas, em Imax
Os extras do DVD de Batman Begins

Os batgames, batséries televisivas e batvariedades:

Batman: Arkham City
Batman na TV – Parte 1
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Tremendões: Batman – O Cavaleiro das Trevas

A batliteratura:

Batman: Asilo Arkham
Batman: A Piada Mortal
Batman: O Cavaleiro das Trevas
Dicionário do Morcego
Asilo Arkham: Inferno na Terra
Batman Crônicas – Volume Um
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