Alefla – End of the World

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Em outra oportunidade, ressaltei em texto escrito aqui para o DELFOS sobre a dificuldade das bandas pertencentes ao underground em cativar um público conservador e refratário ao novo. Apesar da minha crítica explícita ao relacionamento underground-público, acabei deixando um detalhe de lado: eu, enquanto entusiasta da música em geral, também faço parte do mesmo público que critiquei. Portanto, assim como boa parte das pessoas, tenho certos preconceitos em se tratando de música.

Um desses preconceitos se manifestou recentemente. Quando recebi o álbum da Banda Alefla para resenhar e percebi que se tratava de um álbum de Metal Melódico também conhecido como Power Metal. Não me leve a mal. É um preconceito construído com base em anos escutando Angra (e seus equivalentes Shaman , Helloween, Nightwish , etc.

E eita ferro, Delfonauta. Por que cargas d’água alguém investiria num estilo que está morto e enterrado? Fora que alguns nomes (digo: o Angra) não gostam mais de ser associados ao tal do Power Metal e entraram em franco processo de Dreamtheatização.

Pois bem, saldo positivo após o confronto dos meus preconceitos com a realidade. Os paulistas da Alefla não reproduzem exatamente o que me irrita no estilo e o debut End of The World vale a atenção.

O álbum começa com a instrumental Beginning of The End emendando na excelente Watching Over Me que chama atenção pelos riffs e um bom vocal feminino. A faixa conseguiu mudar meu humor ao lembrar o Stratovarius em boa fase aliado a um certo peso. O que ajuda a banda a constituir uma identidade própria. Podemos dizer o mesmo sobre a Believe Now que desta vez é cantada por um vocal masculino.

Aliás, a mescla da voz feminina com a masculina funciona muito bem ao longo do álbum. Ponto para aos vocalistas por não tentarem soar como emuladores de Michael Kiske ou Simone Simons. As guitarras me agradaram bastante, principalmente nas faixas: End of the World (a minha favorita do álbum, por sinal), Seven Sign, Killing Sparrow e Walking Through The Night.

End of The World é um trabalho de alta qualidade, com boas composições e supera muitos medalhões do gênero (alguns estão respirando com auxilio de aparelhos, inclusive). Entretanto, o álbum soa cansativo e repetitivo em certos momentos graças à grande quantidade de faixas aliada às limitações do estilo. Por exemplo, canções como Wind Blows… Time Flows, Miracle, Hope To Live e Battlefield acabam se perdendo no meio de composições mais consistentes.

A Alefla tem o mérito de ser uma banda nova, produzindo um som autoral e caminhando para a construção de uma identidade própria. Há potencial tanto para conquistar headbangers cansados da mesmice quanto para inovar em trabalhos futuros.