007 Contra Spectre

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Eu já escrevi duas resenhas sobre filmes do 007, mas admito que estou sem saber como dar a sinopse deste. Ora, você sabe o que vai ver, não sabe? O agente secreto mais conhecido do mundo vai se enfiar em altas confusões, pegar mulheres lindas, protagonizar cenas de ação malucas, destruir construções históricas e pegar mais mulheres lindas. E essa sinopse, que serve para qualquer filme do James Bond, acaba sendo mais verdadeira do que a conturbada sinopse oficial. Mas vamos lá.

Tudo começa na cidade do México, obviamente no Dia de Los Muertos porque, afinal de contas, todo dia é dia dos mortos no México de Hollywood. E essa cena de abertura é danada de boa, culminando em porradaria frenética a bordo de um helicóptero durante a qual nem o piloto escapa de uns sopapos. É muito engraçado.

Acontece que o espião está seguindo uma mensagem que recebeu de uma antiga conhecida, e está fazendo isso sem a permissão do MI6. Obviamente, a confusão que ele arranja no México é suficiente para colocar seu escritório em sua cola. E como se isso não bastasse, o novo diretor do Centro de Segurança Nacional (Andrew Scott) está querendo acabar com o programa 00. A pista leva o nosso herói para uma reunião secreta onde ele descobre a existência de uma organização chamada Spectre.

Tudo isso, claro, é desculpa para as trapalhadas descritas no primeiro parágrafo, que é o que todo mundo quer ver. E a boa notícia é que as mulheres são realmente lindas (Monica Bellucci e Léa Seydoux) e as cenas de ação são estilosas e empolgantes. Uma coisa que eu gostei muito é a sincronia da trilha sonora com o que está acontecendo na tela. A coisa parece até um videoclipe de tão elaborado, com tudo acontecendo no segundo certinho.

Também não faltam explosões. Tudo explode aqui. Prédios históricos, helicópteros, aviões, carros. E o James Bond sai ileso de todas elas. Tudo como deveria ser na vida real, que infelizmente tem explosões de menos e machucados demais.

Porém, embora a ação seja bem legal, a condução da história deixa um tanto a dever. 150 minutos é simplesmente tempo demais para um Testosterona Total descompromissado, e nada na história justifica tanto tempo de projeção. O resultado é que em todo momento que nada explodia eu estava bastante entediado.

A coisa também é um tanto emaranhada. Lembra aquela cena de Pânico 3 na qual são explicadas as regras de uma trilogia? Se não lembra, aperta play.

Pois embora este seja o quarto James Bond com Craig, Daniel Craig, tem a maior cara de conclusão de uma trilogia. Todas as regras estão lá, do excesso de exposição ao aparecimento de figuras importantes do passado do protagonista. E é o tipo de coisa que é totalmente desnecessária em um filme de ação descerebrado. Para de falar e começa a explodir coisas, diretor da Spectre (Christoph Waltz)!

Talvez essas coisas sejam mais legais para quem espera ansiosamente por um novo filme do Bond e tem a história dos anteriores fresca na cabeça, o que infelizmente não é o meu caso. Assim, minha experiência com o filme foi empolgante nas cenas de ação e entediante nas de exposição. Até é um bom filme do James Bond, mas não dá para negar que os anteriores são mais legais.

LEIA MAIS SOBRE O 007:

007 Cassino Royale: o primeiro filme com Daniel Craig é de 2006. Faz tempo!

007 Quantum of Solace: o segundo é de 2008.

007 – Operação Skyfall: e o terceiro é de 2012.