007 Cassino Royale

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Atrasos, atrasos, malditos atrasos. A sessão de imprensa desse filme atrasou praticamente uma hora e meia, o que fez com que muitas pessoas fossem embora e deixou as que ficaram meio furiosas. Isso, somado às duas horas e meia de duração do breguete, fez com que só saíssemos do cinema lá pelas 14:30, prejudicando a programação e o trabalho de dezenas de jornalistas. Tsc, tsc.

Reclamações à parte, esse é o primeiro filme do James Bond que eu assisto. Aliás, para ser absurdamente sincero com meu caro amigo delfonauta, é o segundo. O primeiro eu assisti no cinema quando era uma tenra criança e a única cena que me lembro dele é uma luta envolvendo um vilão, um triturador de carne e a lei da gravidade, o que me deu pesadelos por semanas. Justamente por isso, prefiro considerar Cassino Royale meu primeiro James Bond oficial. E vejam só, ele teoricamente é a primeira história, então fica tudo certo, né? Aliás, é meio bizarro pegar uma série com 20 filmes e fazer o 21º como um remake, não é? Será que podemos esperar que os próximos 007s a aparecer por aí vão ser os remakes dos outros longas? Eita falta de criatividade, hein, Hollywood?

Admito, eu estava bem ansioso para assistir a isso aqui. Afinal, é uma das maiores franquias do cinema e talvez a única sobre a qual eu ainda não tinha uma opinião formada. E tudo indicava que eu ia adorar. Aliás, quando o filme começou, os primeiros 10/15 minutos me fizeram pensar que o negócio estaria encabeçando a minha lista de melhores do ano devido a cenas de ações deveras tremendonas e exageradas, bem do jeito que a gente gosta. Infelizmente, daí pra frente, só piora.

Você quer saber algo da história? Pois bem, o povo falou e eu atenderei, mas sinceramente, não faz lá muita diferença. É o seguinte: tem um cara que fabrica armas, que vai participar de um jogo de pôquer da high society. Bond, James Bond recebe a missão de ganhar do cara. Junte a isso um monte de intrigas, traições, mulheres e tudo mais que uma boa história de espionagem precisa ter e você tem Cassino Royale. O problema é que a história é muito mal contada, deixando-a bem confusa e com muitas pontas desnecessariamente soltas. E isso ferra o filme. Bem ferrado, eu diria, pois poderia e deveria ser bem melhor do que é. Essa sensação de “poderia ser melhor” é uma das coisas mais frustrantes do cinema atual, principalmente em filmes muito esperados.

Claro, tem muita coisa boa aqui. Tem boas cenas de ação (embora nenhuma tão tremendona quanto a que abre o filme), tem bastante humor (muitas piadas, inclusive, só têm graça se você estiver familiarizado com a mitologia do personagem) e até uma cena de tortura que é, ao mesmo tempo horripilante e extremamente engraçada.

Mas você está só esperando eu falar sobre o Daniel Craig no papel do Bond, né? Ok, então. Olha só, eu não tenho muita base de comparação, mas se eu visse esse cara em qualquer outro filme, eu nunca diria que ele daria um bom James Bond. Não apenas por ele ser loiro, mas por ele não ter nenhuma pinta de galã. Pô, o cara parece um macaco. Aliás, você lembra aquele brinquedo, Murphy, que era um macaco que fazia sons? Vinha em duas versões, com pelo amarelo e preto. Craig parece o Murphy amarelo. Quanto à atuação, contudo, não tenho nada a reclamar, mas ele definitivamente não tem cara de 007.

No fim das contas, Cassino Royale é um filme mediano. Se vale o ingresso? Vale sim, mas não vá esperando o melhor filme de ação do ano. Pelo menos tem uns decotes bem generosos.

Curiosidade divertida:
– Em determinada cena, Bond, James Bond está tentando reviver uma guria afogada. Para isso, ele faz aquela massagem tradicional nos seios dela. O engraçado é que, com tanto aperta-aperta, o mamilo da moça decidiu se manifestar em protesto e ficou lá todo todo, quando ele parou de fazer a massagem (só faltou gritar “ei, olha para mim!”). Agora eu não sabia que mamilos de gurias mortas também podiam se manifestar. Você sabia? 😉

REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).