Escape From Ever After é, provavelmente, a maior diversão que eu tive com videogames em 2026 até o momento. Ele é também um cover bem claro de Paper Mario. Gameplay, level design, sidequests e combate são iguaizinhos à longeva série da Nintendo. Como cara de pau pouca é bobagem, o jogo copia até o visual “bonequinhos de papel” da série mais famosa. Assim, não tem nem como ficar em dúvida de onde veio a inspiração. Mas a questão que fica é o que ele faz com ela.
REVIEW ESCAPE FROM EVER AFTER
Felizmente, é aí que o jogo decola. Cá entre nós, embora a série Paper Mario tenha vários jogos, esta combinação de RPG com plataforma simplesmente não é algo tão comum assim. Eu, pelo menos, ainda consigo tirar muito prazer desta mistura. Certamente bem mais do que consigo de qualquer coisa com mundo aberto.
Escape From Ever After é muito fofinho. Os desenhos e os personagens são todos uma fofura. O cenário, embora tecnicamente simples, é bastante vivo e colorido. Simplesmente é um prazer explorar cada uma das missões. O combate é em turnos de forma mais tradicional. Você sabe, escolha um ataque ou outra jogada na sua vez. Certamente é diferente de Origami King, mas aparentemente é parecido com The Thousand-Year Door.
Ele também usa comandos ativos, para fortalecer os ataques ou defender. Mas você pode desligar qualquer um dos dois. É possível configurar o jogo para que seus ataques tenham sempre o máximo de poder. Também dá para escolher defender sempre, automaticamente, o que te torna praticamente invencível. Não satisfeito, o jogo ainda tem opções de dificuldade tradicionais. Então Escape From Ever After leva a sério a máxima “seu jogo, suas regras”, e fica muito melhor e mais acessível por isso.
HISTÓRIA

Charme não falta, e isso se estende à história. Você controla o herói de um livro fantástico, que deve vencer uma dragoa malvada. Mas quando você invade o castelo da monstrenga, descobre que uma empresa do mundo real chamada Ever After tomou o castelo e agora várias criaturas de contos de fadas estão trabalhando para ela. Logo, você se alia a Tinder, a tal dragoa malvada, e juntos fazem um plano para acabar com a empresa por dentro.
Assim, você entra em vários livros famosos, como Os Três Porquinhos ou Chapeuzinho Vermelho. Também tem “fases” que misturam personagens de dois livros, como uma que coloca o detetive Sherlock Holmes para investigar um culto que faz sacrifícios para Cthulhu. Apesar deste último não ser originalmente uma história infantil, o jogo tem um gostinho de infância fantástico.
As histórias conhecidas, por exemplo, têm variações muito charmosas. O Lobo Mau, por exemplo, faz parte do seu time. Mas apesar do nome, ele não é mau. Pelo contrário, é extremamente bonzinho. Quando a Chapeuzinho Vermelho pede para o seu time entregar uma cesta de doces para a sua vovó, você sabe que ter o personagem no time vai gerar momentos bem engraçados.
TROCA-TROCA
Uma coisa bacana no combate é que, embora você possa controlar apenas dois personagens nas brigas, pode trocá-los a qualquer momento. Até mesmo o protagonista Flynt, pode sair do grupo de combate. A troca é gratuita no primeiro turno, então não interessa com quem você esteja jogando, ao iniciar um combate dá para olhar os inimigos e escolher o time mais apropriado. Depois do primeiro turno, trocar de personagem custa a vez dele, mas pode ser feito quantas vezes quiser. Desde que, claro, o que vai para o banco de reserva esteja acordado.
Normalmente em jogos com combate em turno, eu costumo ficar um tanto entediado nas brigas. Meio querendo que elas acabem logo, sabe? Certamente eu gostei mais de explorar o mundo em Escape From Ever After, mas tirando alguns chefes, a porradaria nunca era longa o suficiente aqui para encher o saco.
Cada personagem tem poderes que, quando adquiridos, aumentam as áreas que você pode explorar. Isso dá à exploração um jeito de metroidvania simplificado. Cá entre nós, eu até gostei de suas habilidades aumentarem quando você faz um novo amigo. Como o time nunca fica grande demais, e dá para alternar entre eles a qualquer momento, é possível lembrar todas as suas habilidades de cabeça e saber imediatamente quem usar para cada obstáculo.
QUEBRANDO A CABEÇA NA TRADUÇÃO
Isso não significa que os quebra-cabeças são fáceis. Embora o jogo seja, em geral, bem acessível, perto do final ele se tornou um tanto chatinho. Alguns quebra-cabeças eram complicados demais, a ponto de eu precisar de guias, o que nunca é legal. A tradução para português também é cheia de erros, tanto de digitação quanto de tradução mesmo. Há erros até mesmo em frases que aparecem o tempo todo, como a descrição do ataque básico de Flynt.

Escape From Ever After é daqueles casos em que, para quem fala inglês, é mais fácil entender em inglês do que em português. Não que em inglês os textos estejam realmente bons, ou sem erros. Mas sim, está mais fácil de entender do que no nosso idioma. É uma pena que o texto seja tão mal escrito em um jogo com uma história tão legal, mas é o que tem pra hoje.
ESCAPE FROM EVER AFTER X PAPER MARIO
Cá entre nós, eu não joguei The Thousand-Year Door, que é o jogo que está sendo comparado mais fortemente com Escape From Ever After. Mesmo assim, vejo muito do que conheço de Paper Mario aqui. Porém, isso não tira o brilhantismo do que ele faz. Como uma boa banda cover, Escape From Ever After nunca vai substituir o original, mas em alguns momentos pode ser tão ou mais divertido. Experimente.





































