Routine é um jogo com vários predicados. Mas também parece não querer ser jogado. Ele tem uma ambientação espacial muito legal, com um jeitão retrofuturista remanescente da série Alien. Tem simplesmente muito aqui a se elogiar, mas no final das contas, não é uma experiência que eu recomende. Você saberá tudo ao ler nosso review Routine.
REVIEW ROUTINE
Routine é um jogo praticamente sem cutscenes, mas com um visual extremamente realista. É simplesmente impressionante explorar a estação lunar em que ele acontece e vislumbrar os detalhes e o simples realismo dos desenhos e iluminação. Certamente os videogames como arte audiovisual andaram muito desde os tempos do Nintendinho. É uma pena que a diversão não acompanhou.
Isso porque, embora realista e impressionante, o gameplay de Routine é muito chato. Ele pega muito de jogos de terror como Outlast, em que você é completamente indefeso e deve fugir de monstros ou robôs assassinos. Porém, a extensão e a quantidade de soluções que você deve realizar enquanto é caçado por estes bichos deixa tudo extremamente cansativo. Para cansar ainda mais, o jogo não tem pausa.
Ao contrário de outros jogos que fazem esta babaquice de impedir uma pausa para um depósito na privada, simplesmente não há lugar seguro em Routine. Se você estiver em uma cena com inimigos, eles ficam vagando pelo cenário. Então, mesmo que você ficar parado em um canto aparentemente seguro, pode voltar do banheiro e encontrar seu personagem no último save. É simplesmente a implementação mais hostil da ausência de pausa que eu já vi.
MAIS HOSTILIDADES

O que pega mesmo é que, ao contrário de Outlast, você não deve simplesmente chegar ao outro lado das campanha. Ela precisa ser resolvida. É muito chato buscar códigos e soluções enquanto você é caçado e mal tem tranquilidade para ler os muitos e-mails necessários para prosseguir com a narrativa e com a campanha. Mas fica ainda pior porque os códigos são todos aleatórios.
Pensa comigo, isso nada acrescenta ao jogo. Se você estiver solucionando os problemas, dá na mesma se os códigos são os mesmos para você ou para outra pessoa jogando do outro lado do mundo. Isso é apenas uma hostilidade que serve para ninguém poder buscar as soluções na internet. E foi justamente isso que me fez travar.
Há um quebra-cabeças em que você precisa encontrar os lugares mostrados em fotos para desvendar um código. As fotos são aleatórias e você precisa encontrar quatro lugares. Eu encontrei três e, por mais que me esforce, simplesmente não conseguia encontrar o quarto. Solucionei os outros três números do código e tentei vencer na força bruta. Afinal, eu sei três quartos do código e como são dez opções, deduzi que em dez tentativas resolveria. Mas o jogo simplesmente não ativa o código enquanto você não encontrar o lugar. Ou seja, não basta meu código e minhas fotos serem diferentes dos seus, eu também não consigo vencer chutando. E tudo isso deve ser feito enquanto você é caçado, é claro.
CANSATIVO

Routine é relativamente curto, podendo ser vencido em seis horas, mas eu passei quase este tempo tentando encontrar o tal lugar da foto que me deixou travado. A hostilidade simplesmente não para. Até salvar exige mexer um cursor de mouse para apertar um botão minúsculo na sua arma e depois outro botão na tela que aparece. É impossível fazer com pressa ou sem cuidado.
Aliás, os controles também são péssimos, justamente porque Routine parece ter sido pensado para ser jogado com mouse. Boa parte dos quebra-cabeças exige mexer um cursor em uma tela, algo que é horrível fazer com um controle. Como os botões são pequenos, muitas vezes você fica arrastando o cursor de um lado para outro sem conseguir mirar exatamente no botão que ele exige. Até a arminha (que não serve para atacar) tem traços hostis, como uma tela que vai aos poucos ficando ininteligível a não ser que você aperte outro botão minúsculo com o cursor de mouse.
Toda essa hostilidade torna Routine um jogo extremamente cansativo. Impressionante visualmente, mas cansativo. É bem mais agradável jogar games com o triplo de sua duração que tenham maior qualidade de vida. E não, terror não é sinônimo de hostilidade contra o jogador.




































