Faz anos que quero jogar de novo Outlaws + Handful of Missions. Eu joguei Outlaws quando ele era novo e, tal como Dark Forces ou Doom, nunca fui até o fim. Eu pretendia jogar no PC um dia, mas estava torcendo para ele receber um tratamento especial da Nightdive Studios. Pois bem, Outlaws + Handful of Missions Remaster foi anunciado em 6 de novembro de 2025, e no dia 7, chegou meu código de review. A antecipação era tamanha que eu fiz algo que nunca faço: parei o que estava jogando antes para começar logo.
REVIEW OUTLAWS + HANDFUL OF MISSIONS REMASTER
Infelizmente, a empolgação não durou muito quando comecei a jogar. Apesar de a introdução parecer um desenho animado de baixo orçamento, gostei dela. Mas o jogo me causou estranhamento. Ele carece de animações, detalhes. Sei lá, para ser sincero, jogar Outlaws hoje me lembrou de um jogo específico dos anos 90 do Casseta & Planeta, o que é algo que eu não pensava na época.
Mas o que realmente desanima não é nem a ação fraca e os gráficos com poucos detalhes: é o level design. Outlaws tem fases extremamente complexas, em que áreas secretas fazem parte do caminho tradicional da fase. Ele é muito menos auto-explicativo do que Doom, Quake ou mesmo Dark Forces. Neste aspecto, ele tem um level design um tanto hostil para as sensibilidades modernas, algo que a gente pode dizer dos primeiros Metroid, e que acabaram sendo aparados em Metroid Dread, sabe?
Foram pouquíssimas as fases em que eu consegui passar sem buscar por um guia on-line. As chaves, algo vital em boomer shooters, não são vermelhas e amarelas, mas de ferro, bronze e latão, então é muito difícil diferenciá-las ou saber qual você tem pelo desenho delas. Além disso, elas estão muito bem escondidas. Em uma fase específica, você precisa subir na pia simplesmente para conseguir ver a chave em cima do armário. Outras vezes, eu achava que não tinha chaves apenas para vê-las no meu inventário, sem ter ideia de como apareceram lá.
HANDFUL OF MISSIONS

O jogo é dividido em fases, uma depois da outra. Todas da campanha principal terminam quando você vence um chefe, mas em geral você nem percebe que é um chefe até vencê-lo e o jogo emendar uma cutscene. O DLC Handful of Missions está incluído e ele traz, literalmente, um punhado de fases. Algumas inspiradas por eventos históricos, como a Guerra Civil estadunidense. Este DLC é substancioso. Apesar de as fases serem selecionadas individualmente pelo menu, são longas e complexas. Uma delas, a Marshall Training, é praticamente uma campanha à parte, incluindo vários chefes e fases independentes.
Depois da decepção inicial, eu acabei gostando da ação. Tem algo visceral e agradável em matar os caubóis com armas da época, embora haja uma seleção bem limitada. Três armas independentes, por exemplo, são variações de escopetas. E nenhuma delas é boa como a de Doom. O que eu não gostei mesmo depois de muitas horas com o jogo é o level design. E aí penso que a Nightdive poderia ter feito mais.
A NIGHTDIVE PODERIA TER FEITO MAIS
Muito poderia ter sido feito para melhorar a acessibilidade de Outlaws. Desde o jogo mostrar o caminho até o objetivo, como fizeram Quake 2, até marcar no mapa os pontos de interesse, como fizeram em Hexen. Porém, aqui parece que eles se esforçaram menos. Os gráficos parecem ter sido redesenhados por cima e recoloridos, mas sinceramente não ficaram tão diferentes, além de uma clara melhora na definição. A boa notícia é que dá para alternar entre o visual original e o remasterizado com um toque de botão. Dito isso, sei lá, parece que esqueceram até mesmo de colocar o tradicional quick save e quick load normalmente ativados apertando o R1 ou L1 durante a pausa.
De conteúdo extra, temos o tradicional cofre, com desenhos, storyboards e afins. Nada muito marcante, como a fase jogável incluída em Dark Forces. Mas é basicamente isso. Tirando essas novidades, este remaster é exatamente igual à versão original Outlaws + Handful of Missions que era vendida para computadores. O bom é que agora ela está disponível para consoles, e roda em 4K/120 nos consoles “adultos”.
De realmente bom, do tipo “não tenho nada de ruim a dizer”, temos a trilha sonora, que é simplesmente sensacional. Curiosamente, ela toca por completo em todas as fases, uma música depois da outra. Não segue a tradicional fórmula de “cada fase, uma música”. Eu gostaria inclusive que o jogo viesse com a trilha em MP3, porque ela é simplesmente fantástica.
Outlaws + Handful of Missions Remaster talvez seja o relançamento da Nightdive mais esperado por mim. Mas minha decepção se deve a como o jogo de fato é. De qualquer forma, eu gostei de tê-lo jogado por completo depois de quase 30 anos, e finalmente saber exatamente do que se trata.







































