Tudo por um Furo

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É um tanto estranha a opção da distribuidora por dar a este filme o mezzo infame mezzo pornográfico título nacional de Tudo por um Furo quando o que temos aqui é simplesmente O Âncora 2. Só posso especular que talvez o primeiro longa não tenha feito tanto sucesso por aqui e a empresa optou por desvincular o novo produto do anterior. Ou simplesmente porque o original não cumpria a regra não escrita de dar um nome besta a uma comédia, vai saber…

Seja como for, a lenda de Ron Burgundy continua, e desta vez ele e sua equipe jornalística vão para Nova Iorque trabalhar no primeiro canal exclusivo de notícias 24 horas por dia. Se você assistiu ao primeiro, o qual é fácil uma das melhores comédias estreladas pelo Will Ferrell, sabe que virão altas trapalhadas do barulho.

Eu sou um dos que gostam muito do original. Quando assisti, nem sabia do que se tratava e curti muito graças ao fator surpresa. A sequência já começa em desvantagem porque agora não só já sabemos o que esperar, como também ansiamos que seja ainda melhor. Tarefa, infelizmente, que não foi cumprida.

Este aqui não é tão bom quanto seu antecessor, mas ainda assim garante uma cota razoável de risadas. Talvez o grande problema é que ele realmente se esforça demais para ser engraçado em todos os momentos. Há muitas piadas e de todos os tipos possíveis. Das mais bobas, passando pelas nonsense e pelas politicamente incorretas, sendo as desses últimos dois estilos as melhores.

Mas como é até natural neste estilo de comédia “metralhadora de piadas”, nem todas funcionam. Nesse caso, um bom número delas passa batido. Mas as que funcionam acertam em cheio. Também dá boas cutucadas no modo de se fazer jornalismo, tendo a boa sacada de tornar o tapado Ron Burgundy o responsável por muitos dos males do jornalismo moderno, como conferir tons ultranacionalistas às matérias ou criar notícias só para levantar a audiência, por exemplo.

O longa, no geral, é simpático, mas nunca consegue decolar realmente por causa dessa irregularidade de seu humor. Até o Steve Carell como o homem do tempo retardado Brick Tamland, que rouba a cena no primeiro, não está tão hilário neste, e olha que até lhe arranjaram um interesse amoroso!

Ele também se estende um tanto além da conta. Com quase duas horas de duração, um bom editor poderia dar uma bem-vinda tesourada nas gagues mais fracas, levantando assim sua qualidade geral. Outro ponto que vale ser ressaltado é que tem também muita coisa que só vai ser realmente engraçado para quem tiver assistido o primeiro, novamente reforçando a estranha escolha do título nacional.

Ainda assim, ele tem pelo menos um grande momento de arrancar muitas gargalhadas, quando repete uma das melhores sequências do anterior, seguindo a tradição das continuações de deixá-la maior e mais exagerada. É épico, garantiu sozinho meio Alfredo da nota total e acredito que você já deva até imaginar do que se trata, visto que era bem óbvio que iam usar isso de novo. Para quem nem faz ideia e não liga para spoilers, é só selecionar o trecho a seguir: refiro-me à cena da luta de rua entre as equipes dos diferentes canais.

Desta forma Tudo por um Furo é bastante irregular, mas ainda diverte bem. Se você gosta das comédias do Will Ferrell e principalmente de O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy, desde que baixe suas expectativas, vale a assistida.