Sunshine – Alerta Solar

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Fazia tempo que não estreava uma ficção científica no cinema. Pelo menos, se não me falha a memória, acredito que esta foi a primeira a que assisti nos últimos anos. E caso você esteja pensando em Star Wars, fique sabendo que o filme dos Jedis é um longa de fantasia, não de ficção. Como qualquer cinéfilo que se preze já sabe, Star Wars é muito mais próximo de um Senhor dos Anéis do que de um 2001. A ambientação espacial é só um detalhe.

Claro, ficção científica não é um gênero. Assim como “animação” também não é. Em ambos, podemos contar histórias de terror, comédia, aventura, e por aí vai. A imaginação é o limite. Sunshine começa como um bom filme de suspense e termina como um terror genérico. Mas vamos por partes, pois estamos nos aproximando do terceiro parágrafo e se eu não colocar a sinopse nele, provavelmente perderei minha afiliação no Clube Secreto dos Críticos de Cinema, aonde nós, os críticos, costumamos ir para ter conversas pedantes onde ficamos falando mal de longas como Homem-Aranha e bem de qualquer coisa iraniana que tenha um menino órfão em busca do seu balão branco.

Mas peraí, por que diabos eu quero fazer parte de um grupo desses? Isso não tem nada a ver comigo. Só por causa disso, vou colocar a sinopse no quarto parágrafo. E o Clube Secreto dos Críticos de Cinema podem comer meus shorts se não gostarem!

Pronto. Quarto parágrafo. Engulam essa, críticos estúpidos. Bwa-hahaha! Sinopse: em um futuro distante, o Sol está morrendo. Com peninha dele (e também sabendo que, se ele vier a falecer, nós batemos as botas junto), a Terra organiza uma tripulação que vai jogar uma bomba lá, aumentando a vitalidade do Sr. Quentão. Ah, sim, uma turminha do barulho já tinha sido enviada antes, mas os contatos foram perdidos e a missão não foi cumprida. Por causa disso, a turminha muito louca que a gente vai aprender a amar durante o filme, é chamada de Ícaro 2. A Ícaro 1 era a anterior. Sacou a referência com a mitologia grega? Se você é um daqueles que nem sabia escrever DELFOS antes de conhecer esse site, eu explico resumidamente: Ícaro é um personagem mitológico que fez asas de cera, voou muito próximo do Sol e virou uma torrada, sendo posteriormente comido com manteiga no café da manhã por um titã. Ok, essa última parte eu que inventei, mas o resto foram os gregos, então não vem colocar a culpa em mim, senão você também vira torrada. 😛

Então tá, daí quando eles chegam bem perto do esquentadinho, interceptam uma mensagem da Ícaro 1. Oh, dúvida, será que eles devem ir até lá para ver o que diabos aconteceu e resgatar algum eventual sobrevivente? Ah, sim, a turminha da hora é formada por aqueles personagens clichês de sempre. Tem o machão, o encrenqueiro, o filosófico, as mina (pou) e o cara (pá), que é o protagonista normalzão. No elenco, temos o Tocha Humana (Chris Evans) e o Espantalho (Cillian Murphy), o que provavelmente vai fazer os nerds de plantão fazerem comentários nesse texto discutindo se a DC é mais legal que a Marvel e coisas do tipo, como aconteceu aqui. É engraçado como as pessoas ficam discutindo isso, mesmo sabendo que a Marvel detona a DC… Malditos pusilânimes!

Mas voltando ao filme, nesse início, o clima de suspense predomina. A missão já é suficientemente difícil e assustadora, mesmo sem vilões específicos. Afinal, o destino da humanidade depende de seu sucesso (não que eu me importe, mas…), e isso acaba gerando estresse e desentendimento dentro da equipe, deixando o longa bem emocionante. Na verdade, nessa primeira parte, o único defeito que eu apontaria são alguns planos longos demais onde nada acontece, fica apenas mostrando o espaço e coisas do tipo. Talvez seja uma homenagem a 2001, só que sem a trilha sonora tremendona. E se o filme de Stanley Kubrick já era chato, imagina só um outro com os mesmos defeitos, mas com uma trilha sonora que varia de morna a ruim. Aliás, fique ligado quando o filme acabar, pois todo o clima poético da última cena é arruinado pela música barulhenta e sem qualquer feeling que acompanha os créditos.

Apesar de ter problemas, Sunshine ainda seria um bom filme, bom o suficiente para levar umas quatro fotinhas minhas. Só que no final, tipo nos últimos 20 minutos, o roteirista Alex Garland decidiu introduzir um novo personagem. Um vilão, para ser mais exato. Ora, se apresentar um novo personagem na conclusão de uma história já é errado, imagina ainda apresentar um vilão, o que, por definição, já necessita de algum tempo de tela para ser bem desenvolvido. O resultado é um grandalhão desinteressante, que aparece do nada só para caçar os poucos sobreviventes da equipe um a um, dando o clima de terror genérico supracitado. E nem dá para você dar uma de Cyrino e se divertir fazendo apostas sobre quem será o próximo a morrer já que, quando o vilão aparece, quase toda a equipe já foi transformada em presuntos espaciais.

Para piorar, o superestimado diretor Danny Boyle, cuja direção já tinha me irritado um pouco no ótimo Extermínio, aqui se superou. Toda vez que ele vai mostrar o vilão, usa efeitos terríveis, como câmera tremendo, sem foco e demais coisas que deveriam ensinar na faculdade de cinema a só fazer caso a sua mãe esteja sendo ameaçada de morte. E, mesmo assim, só depois de pesar os prós e os contras com muito cuidado.

Fala sério, esse finalzinho dá um clima tão bizarro para a película que fez perder a chance de levar dois Alfredões a mais para casa. Por causa disso, vai levar só dois. Tudo bem que dois Alfredos são o suficiente para fazer uma tremenda festa. Imagina quatro então. Mas o Danny Boyle perdeu a chance. Será que ele consegue fazer um outro filme tão bom quanto o Extermínio algum dia? Espero que sim, mas sinceramente, duvido…

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REVER GERAL
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).