Somos o Que Somos

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Quando recebi o convite para a cabine de Somos o Que Somos, pensei comigo mesmo que esse título não me era estranho. Depois de uma rápida pesquisa, descobri que se tratava de uma refilmagem do longa mexicano Somos lo que Hay, o qual havia assistido lá pelos idos de 2011 e também ganhou o mesmo nome em inglês de seu remake.

Não me lembro de absolutamente uma cena sequer do original, o que é uma grande vantagem para ele, pois significa que é um longa apenas esquecível. Já sua contraparte estadunidense é chata até dizer chega. E olha que até tinha história para ser um bom filme.

Trata-se do modo de vida da família Parker, dona de um hábito nada ortodoxo. Não dá para contar mais, pois os primeiros 45 minutos do filme se escoram nas informações sendo apresentadas aos poucos, deixando o espectador supostamente intrigado querendo saber qual é a deles. E talvez (e é um grande talvez) este artifício realmente funcione para quem não viu o original.

Mas quem assistiu à película mexicana sabe a resposta. E para aqueles curiosos em geral, é só selecionar o espaço em branco para a grande revelação do spoiler: eles têm uma predileção por carne humana em sua dieta alimentar. Satisfeito? Então passemos ao próximo parágrafo.

Bom, como eu já sabia do que se tratava, a primeira parte foi totalmente ineficaz para mim. É um filme lento à beira da tortura, modorrento e sem qualquer tipo de emoção. E mesmo depois que a informação importante é revelada, ele continua modorrento e desinteressante, como se a essa altura do campeonato já fosse tarde demais para mudar de passo. Não funciona como terror, e tampouco é pungente como drama. Não há nada que eu tenha achado realmente bom aqui.

O negócio é tão arrastado que me fez travar uma batalha épica contra Morfeu, que queria a todo custo me levar para o reino dos sonhos. E posso lhe assegurar que o fato de ter assistido ao filme segunda-feira e ter passado 30 horas sem dormir no final de semana não teve nada a ver com isso. Afinal, sou um profissional (tanto em crítica de cinema quanto em ficar longos períodos de tempo acordado).

E por conta desse profissionalismo, fico feliz em anunciar que foi duro, mas saí vencedor do embate, tendo permanecido acordado por todos os 105 minutos de duração. E esse pequeno conto de superação pessoal é muito mais emocionante e dramático do que Somos o Que Somos inteiro. Desta feita, não recomendo esse filme a ninguém, exceto àqueles que sofrem de insônia. Se é seu caso, vai fundo porque esta é a cura!

CURIOSIDADE:

– Essa é para o pessoal mais velho: Kelly McGillis está no elenco, no papel de Marge. A galerinha que viveu os anos 80 com certeza se lembra dela como o interesse romântico de Tom Cruise em Top Gun – Ases Indomáveis. Por conta desse papel, ela ficou muito famosa na época, mas acabou virando uma promessa não concretizada. Tanto que este é o primeiro filme dela que eu vejo desde o próprio Top Gun.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Fez parte do DELFOS de 2005 a 2019.