No final do ano passado, Yakuza Kiwami, Yakuza Kiwami 2 e Yakuza 0 Director’s Cut receberam versões para a next-gen/geração atual. Em outras palavras, Switch 2, Xbox Series e PS5. Neste review, vou focar em Yakuza Kiwami, que foi o que joguei mais tempo até agora dos que não tinha jogado antes. Para saber o que achei de Yakuza Kiwami 2, basta clicar aqui.
REVIEW YAKUZA NA GERAÇÃO ATUAL
Os jogos funcionam como todos os que chegaram para os consoles atuais. Não há telas de carregamento, apenas tela preta por alguns segundos. O visual está numa definição alta e rodando a 60 fps liso. O único defeitinho visual é que é possível ver detalhes e pessoas aparecendo relativamente próximo à câmera. Em geral, são ótimas versões de três dos mais populares jogos da série.
REVIEW YAKUZA KIWAMI
O que me leva a Yakuza Kiwami. Curiosamente, este é um dos poucos jogos da série que eu ainda não tinha jogado por completo. E fazê-lo foi realmente bem agradável. Uma coisa que me incomoda na série Yakuza é a quantidade de distrações, minigames e conteúdo extra opcional. Sei que tem gente que gosta dessas coisas, mas meu foco sempre foi a história e o conteúdo extra servia para atrapalhar minha experiência.
Aqui as substórias (sidemissions) são, em sua maioria, cumpridas no mesmo local em que você as pega. Elas também aparecem naturalmente conforme você explora Kamurocho, sem destaque no mapa, pelo menos até serem iniciadas.
Os minigames e conteúdo extra estão aqui. Tem um monte de jogos de cartas, dados, roletas e afins. Tem um fliperama com moças bonitas vestidas de inseto que funciona como pedra, papel e tesoura. E tem um autorama que parece até bastante elaborado, mas curiosamente o jogo não me deixou entrar para jogar durante quase toda a campanha. O Kazumão sempre falava “não tenho tempo para isso agora”. Só consegui entrar lá quando a história já estava caminhando para o fim, em um momento onde simplesmente não queria mais distrações e queria ver como tudo terminaria.
O Club Sega, tradicional da série e uma das minhas diversões preferidas, já que inclui versões completas de fliperamas, existe no mapa. Porém, eu não consegui ativar nenhum fliperama. Uma busca rápida no pai dos burros me mostra que realmente não existem jogos antigos da Sega aqui. Curioso.
A HISTÓRIA DE YAKUZA KIWAMI

A história talvez seja a mais famosa e importante da série. Kazumão, nosso herói dos punhos de aço e coração de ouro, assume o assassinato de um patriarca da Yakuza cometido por seu irmão de orfanato. Depois de dez anos preso, ele sai da cadeia para descobrir que a Yakuza ficou consideravelmente mais vilanesca, e seu amigo de infância tem grande responsabilidade nisso.
Aí tem a menina Haruka, que em Yakuza 6 é a mãe do bebê que aparece na vida dos heróis. Tudo isso se combina em uma história que é relativamente óbvia, talvez mais do que nos outros jogos da série. Mas é boa e vale muito a pena ser assistida. Como vantagem absurda, boa parte das cutscenes de história são completas, sem aquelas cutscenes B e C que infestam todos os outros jogos – inclusive o 0. As substórias, sim, são contadas via texto e personagens parados conversando, mas a história principal tem apenas filmes completos e belíssimos.
GAMEPLAY
E daí tem o gameplay principal. Yakuza Kiwami é um beat’em up, e Kazuma tem quatro estilos de luta, que podem ser alternados usando o direcional digital. Infelizmente, o que parece ser o principal, chamado Dragão de Dojima, precisa de muitos upgrades para se tornar útil. E, ao contrário dos outros, os upgrades dependem de você encontrar e vencer lutas contra o Goro Majima. Embora isso renda boas piadas, é um tanto trabalhoso demais para upar um estilo tão básico e, com o tempo, você vai simplesmente se acostumar a evitar este estilo e focar nos outros três que já começam mais completos.
Este acréscimo do Goro Majima, chamado Majima Onipresente, está presente apenas na versão Kiwami de Yakuza, e causa inconsistências na história. Goro te encontra assim que você sai da prisão, e várias vezes depois, mas quando ele aparece como um chefe da história, fala “há quanto tempo, Kiryu-chan”, como se não encontrasse o frenemy desde antes da cadeia.
Eu senti que o combate em geral é um tanto mais simples e fraco do que seria nos jogos posteriores, mas isso faz parte. Afinal, temos aqui um remake do primeiro jogo. Ele até acrescenta complexidades e melhorias e é um remake bem extensivo, mas há um limite do que dá para fazer e mesmo do que o público gostaria de ver em um retrabalho do game original.
YAKUZANDO KIWAMIMENTE COMO UM DRAGÃO
Também há algumas inconsistências narrativas com o personagem que Kazuma Kiryu se tornaria no decorrer da série. Ele aqui usa armas de fogo (em uma perseguição de carros, é inevitável) e, pelo que tudo indica, até mata alguns inimigos. Isso é algo impensável para quem ele se tornaria posteriormente. Mas são ossos do ofício para uma história de um personagem que continuaria sendo evoluído por 20 ou mais anos depois.
Ainda narrativamente, eu não sei se a tradução para português brasileiro foi feita para esta versão ou se ela já estava no Kiwami original. Porém, ela é bem mal escrita, cheia de erros de gramática e traduções literais do inglês (tipo “segure um botão para baixo” ao traduzir hold down). Isso atrapalha consideravelmente a experiência para quem escolher jogar com diálogos em japonês e legendas em português. E é por trabalhos assim que eu normalmente escolho jogar na tradução em inglês direto. É mais fácil de entender, para mim, um jogo traduzido para inglês do que um que traduziu o japones para inglês e depois o inglês para português de forma tosca.
O que importa é que Yakuza Kiwami é um jogo excelente. Vejo com bons olhos suas simplificações nas atividades secundárias e mesmo nas substórias, pois aumenta o foco no que Yakuza sempre fez de melhor: a história principal. Com este relançamento para os consoles da geração atual, quem perdeu o jogo nos primeiros lançamentos tem uma oportunidade de corrigir isso, e finalmente colocar o primeiro Yakuza no repertório.




































