Homem de Ferro

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A primeira cena já dá a tônica do filme. A primeira coisa que ouvimos é Back In Black, do AC/DC. Logo se estabelece que Tony Stark possui um cafagene quase digno de Guillermo Gutierrez, em uma cena cheia de piadinhas. Pouco depois, uma explosão. Hum… No que resulta a soma dos fatores Hard Rock, protagonista cafajeste (ou um cafagonista, se preferir), humor e explosões?

Isso mesmo, caro miguxo delfonauta! Depois da comédia romântica do Homem-Aranha (não que o filme siga as fórmulas do gênero em questão, mas um longa estrelado por Peter Parker tem realmente que ser focado em romance e em humor, não concorda?), do drama do Batman e da fantasia (no sentido mais puro da palavra) do Superman, finalmente um grande filme de heróis decide focar neste gênero tão querido por nós que é o Testosterona Total. E ele se encaixa como uma luva.

A primeira comparação a ser feita seria justamente com Batman Begins. Afinal, como disse o Homerito, a história é basicamente de um estadunidense que vai para o oriente, volta para o ocidente, vira um herói e salva o mundo. Outra semelhança é que, assim como no filme do Batimão, a primeira hora, que conta a criação do herói em si, é a melhor parte e depois fica um tanto genérico. As semelhanças, contudo, terminam por aí, pois Homem de Ferro é quase um antagonista de Batman Begins.

Manja como o Batman tem aquele climão meio emo de “mamãe, eu sou rico e comedor, mas minha vida é um lixo e por isso eu vou sair por aí vestindo um capacete com orelhinhas e, eventualmente, um uniforme com mamilos”? Então, Homem de Ferro é o exato oposto disso. Nada de clima gótico, atmosfera sombria ou herói atormentado. Estamos falando aqui de um filme extremamente colorido, cheio de explosões, de humor e de mulheres gostosas. Em outras palavras, um filme de macho.

Tony Stark é rico, cafajeste, bon vivant e adora isso. Aliás, só um emo como o Batman não compartilharia dessa opinião. Homem que é homem não fica chorando num canto reclamando da vida, nem usa uniformes com mamilos. Machos de verdade afogam suas mágoas com álcool, saem por aí com um uniforme colorido e fazem a rapa na mulherada. Fala sério, não dá para não gostar de um personagem assim. Se o Peter Parker foi criado com o intuito de representar a massa nerd, Toninho Esterco é aquele herói old-school. Ele não é o cara que a gente é, ele é exatamente tudo que a gente queria ser!

Quando Robert Downey Jr. foi anunciado como a versão cinematográfica do Tonhão Esterco, admito que achei uma escolha estranha, mas não é que o cara mandou muito bem? Sua semelhança com o personagem já estava clara quando as primeiras fotos foram divulgadas, mas até mesmo na interpretação o cara mandou bem e se tornou a imagem escarrada do milionário belicista da Marvel.

E já que falamos em mulheres gostosas, merece menção a Gwyneth Paltrow. Essa é uma moça que nunca me apeteceu muito e eu só a achei realmente bonita naquele O Amor é Cego. Mas através da mágica dos cabelos vermelhos, pelamordedeus, como ela está maravilhosa aqui. Tão boa, aliás, que se esse filme tivesse estreado antes, ela provavelmente teria entrado nessa lista. Todos juntos agora: hum… ruivas com sardas e bacon…

A trilha sonora também merece destaque. Praticamente todas as músicas que tocam no filme têm uma veia roqueira, que vão das já divulgadas Back In Black e Iron Man (esta só toca nos créditos finais – e repare na referência a ela na última frase do filme) até composições inéditas cuja guitarra foi comandada por Tom Morello, do Rage Against The Machine e Audioslave. E, considerando que o filme é um Testosterona Total que foca na diversão, o Rock sem dúvida é o melhor estilo para isso. Afinal, não se encaixariam aqui orquestrações à Danny Elfman.

Falamos das qualidades mas, como você pode perceber pela ausência da honraria máxima da indústria cultural nesta página (o Selo Delfiano Supremo, claro), existem defeitos. Para começar, para um Testosterona Total, são simplesmente muito poucas as cenas de ação. O Homem de Ferro vermelhoso, por exemplo, só aparece em três cenas, sendo que só duas são de ação e, em uma delas, ele já está meio mequetrefe desde o início. Quando o filme estava chegando ao fim, eu estava com aquele gosto amargo de que as funcionalidades da armadura poderiam ter sido muito melhor exploradas. Aliás, a segunda metade do longa é bem inferior à primeira e peca na falta de muitos dos elementos que tornaram o início tão divertido.

Outro defeito que me incomodou deveras é que, ao contrário do Tony Stark do gibi, sua versão cinematográfica cede ao clichê de se arrepender de fabricar armas. Se isso tivesse sido feito direito, até poderia ter sido legal, mas da forma que é mostrado, fica claro que ele não se arrependeu de ter criado máquinas da morte, mas sim do fato de que elas foram vendidas para nações não-estadunidenses. E eu não gosto do fato de um filme que será assistido mundialmente por pimpolhos carregar a idéia de que os EUA devem ser o único país com poderio bélico maciço. Se ele passasse uma idéia de paz mundial seria outra história, mas não é isso o que acontece. Basicamente o que Tony fala é que as armas devem ser limitadas aos bonzinhos e o único país bonzinho são os EUA.

Apesar dos defeitos, o que temos aqui é um filme deveras divertido, com potencial para se unir ao Batman e ao Homem-Aranha como as melhores franquias heroísticas do cinema. Será que a continuação demora?

Curiosidades:

– Eu não tenho nada contra emos (para falar a verdade, o fato de emos serem tão hostilizados escapa à minha compreensão), nem contra o Batman. Aliás, um filme do Batman, na minha opinião, tem mesmo que ser meio emo. As melhores encarnações do herói, afinal, são assim.

– Respondendo à pergunta de 10 entre 10 nerds: não, amigão. O Nick Fury não aparece no filme, nem mesmo nos créditos finais, e eu não vi nenhuma cena que pareça ser interligada ao vindouro filme do Hulk. Mas a S.H.I.E.L.D. aparece, embora o ator escolhido para fazer o agente seja aquele sujeito estranho que nunca pára de sorrir (o marido da protagonista na sitcom New Adventures of Old Christine).

– O diretor Jon Favreau já foi o Foggy Nelson no filme do Demolidor e também já namorou a Monica em Friends. Ele era aquele carinha milionário que sonhava em ser lutador ou algo assim. Ah, e ele também faz uma ponta aqui, como o motorista de Tony Stark.

– Está para vir uma resenha de um filme da Paramount onde eu não vou reclamar de algo dos bastidores. Pô, eu até entendo a paranóia de acharem que os jornalistas vão filmar o filme e colocar na internet (mesmo a cabine sendo feita só dois dias antes da estréia) e apóio confiscarem os celulares (embora eu seja a favor disso por motivos diferentes do que aquele pelo qual é feito), mas realmente precisam contratar seguranças para ficarem parados na frente da sala olhando para nós? Além de isso ser deveras chato, não raro os seguranças ficavam conversando com alguns sujeitos e sujeitas que apareciam por ali (sei lá se eram da Paramount ou jornalistas) e, como você bem sabe, uma vez que as luzes de um cinema apagam, qualquer pessoa que abrir o bico, por qualquer motivo que seja, deveria ser fuzilada em praça pública para servir como exemplo. Se quem faz isso são os jornalistas, já é ruim, mas se é da organização, a punição deveria ser ainda pior.

– A resenha antes acabava na curiosidade acima, mas quando publicamos essa notícia, me vi obrigado a voltar aqui e a tirar meio ponto do filme. Eu fiquei até o final dos créditos e realmente a cena do Nick Fury foi cortada da sessão de imprensa. Como assim? Agora vai virar moda mutilar um filme por motivos escusos? E pior, se o filme tivesse sido exibido completo, provavelmente a cena em questão teria AUMENTADO a nota final. Como a Paramount agiu de forma estúpida e desrespeitosa, diminuiu. Fico triste que franquias tão legais como Homem de Ferro, Hulk e Indiana Jones estejam nas mãos dessa distribuidora…

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