Homem-Aranha 3

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20 de abril de 2007. Esse foi o dia pelo qual esperei desde que saí da sessão de Homem-Aranha 2 no longínquo ano de 2004, quando o DELFOS ainda estava engatinhando (e relendo a resenha que escrevi na época, vejo como meu texto evoluiu nesse tempo, em todos os sentidos, o que é bem curioso). Quantas coisas aconteceram nesse período… Mas o papo aqui é Homem-Aranha 3. Normalmente, para filmes do tamanho deste, as sessões para imprensa acontecem dois ou três dias antes da estréia, vai saber o motivo para esta ter sido feita com tanta antecedência. Isso sem falar daquele rolo todo do qual você já deve estar sabendo.

O que todo mundo quer saber é: valeu a espera? É o melhor da trilogia? Rapaz, no pouco tempo que separou a minha chegada no Oráculo de Delfos do início do trabalho nesta resenha, eu já recebi essa pergunta um monte de vezes, vindo tanto da equipe (no momento em que cheguei em casa, o Bruno me ligou para saber do filme), de amigos ou até de outras distribuidoras. Foi só ligar meu MSN que fui bombardeado com essas perguntas. E, para todos, respondi a mesma coisa: não sei!

Em algumas características, ele é, sim, muito melhor que os anteriores. As cenas de ação são espetaculares, muito superiores a tudo que foi feito antes, e os efeitos especiais, pela primeira vez na série, não me incomodaram (vamos ver se eles resistem à análise de cabeça fria depois que o DVD sair). Contudo, os problemas já antecipados por mim e por tantos outros fãs quando as primeiras sinopses e trailers começaram a sair realmente estão presentes. E são graves.

No começo de Homem-Aranha 3, tudo vai bem para o casal Peter e Mary Jane. Finalmente o aracnídeo começa a ser aceito pela mídia e pelas pessoas, inclusive se tornando ídolo das crianças. Já MJ acaba de conseguir o papel de seus sonhos em uma peça da Broadway. Para comemorar a boa fase, Pedrão decide pedir a Maria Joana em casamento. Mas é óbvio que as coisas não vão continuar assim por muito tempo.

Por um lado, temos seu ex-amigo Harry Osborn, que quer se vingar pela morte de Norman e, assim, vai se tornar o novo Rocket Racer. Quer dizer, o novo Duende Verde. Tudo bem que seu uniforme parece mesmo uma versão do Rocket Racer em preto e verde ao invés de amarelo e vermelho (aliás, alguém mais lembra desse cara? Acho que só os leitores de quadrinhos mais old-school vão lembrar). Paralelamente, um meteoro cai a alguns poucos metros de onde Peter e MJ namoravam, trazendo um certo simbionte alienígena (coincidência demais para o meu gosto, preferia algo mais semelhante ao que foi feito na versão Ultimate do vilão). Como se não bastasse, ainda temos Homem-Areia, o verdadeiro assassino do tio Ben (tudo que você viu antes era mentira!) e Eddie Brock, um jovem e talentoso fotógrafo que pode acabar com o ganha pão de Parker no Clarim.

A mudança no assassino e a concorrência de Eddie Brock servem para colocar Peter em contato com seu lado negro e, assim, mostrar o personagem quase transformado em um vilão, que usa seus poderes em benefício próprio e toma algumas atitudes simplesmente para prejudicar outras pessoas, sem falar que ele não pensa duas vezes antes de cometer assassinatos. É justamente nesse trecho que o famigerado cabelinho emo entra em ação. Embora eu ache que realmente o penteado nerd do personagem não combine com o que ele se torna nesse trecho, aquela franjinha tem menos ainda a ver.

Essa abordagem do sempre bonzinho Peter ficando mau é até interessante, mas a ida para o lado negro já foi vista muitas vezes no cinema, algumas que você com certeza lembra e outras nem tanto. E isso faz com que a terceira parte do maior herói das HQs seja um filme menos único que os anteriores e muito mais genérico. No lugar do Aranha, poderíamos colocar, com algumas poucas adaptações, o Batman, o Justiceiro ou o Wolverine. E isso não é legal, pois tira aquela sensação de que este é um filme especial, como os anteriores foram.

Sem falar que essa ida para o lado negro, que é o tema central da película, é suficiente para ter um filme só dela. Nenhum dos vilões tem tempo suficiente de tela para ter sua origem devidamente desenvolvida. O simbionte, na minha opinião, deveria se juntar a Eddie Brock apenas na última cena e, assim, o Venom seria o grande vilão do quarto filme. Da forma que está, cada um dos vilões tem direito a uma ou no máximo duas cenas de luta com o herói e mais a cena final, onde dois times se formam: o Aranha e mais um, contra os outros dois (um desses dois, aliás, só encara o aracnídeo nessa luta. E aposto que você sabe qual deles será). Além disso, boa parte dessas cenas traz Peter sem o uniforme ou, mesmo quando tem o uniforme, está sem máscara ou tem a dita cuja arrancada logo nos primeiros minutos da briga.

Embora o Aranha completo quase não apareça aqui, as cenas de ação são espetaculares e tem algumas porradas lá que realmente chegam a doer no espectador. A luta do teioso contra o Homem-Areia no metrô, em especial, é de deixar crianças impressionadas com tamanha violência (eu, pelo menos, fiquei). Mesmo assim, fica aquela triste sensação de que todos eles deveriam ter sido mais bem aproveitados.

Harry Osborn é o Duende Verde que seu pai deveria ter sido no primeiro filme. Tudo bem que seu uniforme está muito longe da perfeição, mas está bem melhor do que o Power Ranger que conhecemos no primeiro longa. Suas armas são bem mais perigosas, ele é bem mais ágil e muito mais violento que o papai, o que inclusive nos faz perceber quão mal aproveitado foi o Duende no primeiro (maldita mania de Hollywood de matar os vilões no final do filme – sobretudo em filmes de origem, onde, por definição, o vilão não pode ter tanto destaque quanto merece). O Homem-Areia é o mais impressionante e inclusive me deixou ainda mais ansioso para ver Galactus na tela grande (desde que ele não seja uma nuvem, é claro). O motivo para essa comparação, você descobre quando assistir, mas que é embasbacante é. Meu único problema com esse cara, além do pouco tempo de tela, são os rugidos de tiranossauro que ele emite. Cacilda, o cara não é um réptil para fazer aqueles sons!

Já Venom, que é o que todo mundo mais queria ver, é bem decepcionante. Topher Grace (o Eric Forman) ficou muito legal de Eddie Brock (tanto no visual quanto na interpretação), mas o design do monstro originado pela sua fusão com o simbionte decepciona. Ele é esguio e se move de forma um tanto afeminada, sem aquele jeitão assustador de sua contraparte literária. Sem falar da voz, que ficou terrível. Ou você consegue imaginar um monstrão falando com a voz do Eric Forman, pouquíssimo alterada? Deviam ter mexido nela como fizeram com a do Rodrigo Santoro. Ah, sim, o Venom também rosna como um tiranossauro. Se era pra todo mundo rosnar, é estranho que o Harry também não faça isso. E falando no Harry, o personagem está muito mais simpático e sorridente aqui, até com um jeitinho meio tímido, nem parecendo aquele garoto introspectivo e atormentado dos outros filmes. Por que o personagem mudou tanto, tio Raimi?

Chegamos no triângulo Gwen/Peter/Mary Jane (lucky bastard). E adivinha só: a Gwen também é mal aproveitada. Ela está lá apenas para gerar ciúmes na Marijuana e assim servir de catalisadora para todos os problemas na vida de Parker. Mas o papel dela é minúsculo, pouco mais do que uma ponta. E eu não me conformo com o fato de que colocaram uma loira para fazer a ruiva Mary Jane, usando a personalidade original da Gwen Stacy, e agora acrecentaram a loirinha sendo interpretada por uma ruiva. E adivinha só, a Gwen do filme é modelo. Exatamente como a MJ do gibi. Não dá para dizer se a personalidade da Gwen cinematográfica é a da Mary dos quadrinhos, pois a personagem não é suficientemente desenvolvida para tal, mas não me surpreenderia nada se, no próximo filme, a loirinha aparecesse como uma garota festeira também.

Um ponto muito positivo, contudo, continua sendo J. Jonah Jameson e a magistral interpretação de J.K. Simmons. Quem diria que aquele careca simpático ficaria perfeito como o editor rabugento do Clarim Diário? E marque minhas palavras, sempre que o personagem aparecer na tela, você vai rir e, em alguns momentos (a primeira aparição é impagável), até gargalhar. São as melhores cenas do longa, fácil.

E falando em rir, ao contrário dos dois primeiros, este tem muito humor. Muito mesmo. Quase nada dele vem do personagem Homem-Aranha, que ainda não alcançou o nível Rezekiano das piadas infames que conta no gibi, mas os personagens passam por algumas situações bem engraçadas. E o mais curioso, apesar do humor estar ligado quase o tempo todo, o drama também está. E a cena do jantar romântico de Peter com MJ é magistral nisso, pois alternava momentos onde eu ficava com um nó na garganta, segurando as lágrimas (afinal, a trinca nerd da Internet brasileira, que não se reunia há bastante tempo, estava toda ali e os caras não podem me ver chorando, né? :P) e outros onde eu estava gargalhando alto com as trapalhadas da cena e de um coadjuvante muito especial. E, como eu disse antes, dosar drama e comédia de forma apropriada é obra para poucos e o roteiro fez isso muito bem.

Outro grande ponto positivo é a volta de todos os atores cujos personagens anteriores retornam aqui. Até pequenas pontas, como o senhorio de Peter e sua filha, são feitos pelos mesmos que os viveram antes e isso ajuda MUITO a manter uma continuidade e uma identificação com eles. Também estão de volta (todos com os mesmos atores de antes), Betty Brant (alguém mais acha aquela atriz linda demais?), Robbie Robertson, Hoffman e tantos outros.

Por fim, você pode estar se perguntando: se o filme tem tantos problemas, como pode ter levado cinco Alfredos para casa? Ora, pois ele também tem muitas qualidades. Em especial, a história de Peter Parker no longa, independente dos vilões, é bem legal. E um filme do Homem-Aranha tem que ser focado no Peter mesmo. Palmas para Raimi e sua equipe por perceberem isso. Na verdade, o excesso de vilões me assustava pois tinha medo que transformasse este longa em um Testosterona Total genérico, mas isso não aconteceu. O tempo e desenvolvimento do drama pessoal de Peter estão perfeitos. E se tivessem juntado todas as cenas dos vilões em um único personagem, também seria o suficiente. O problema foi ter esse tempo dividido por três.

O motivo para o Selo Delfiano Supremo não estar ilustrando essa matéria foi que a sensação que me envolvia ao sair da sala de cinema era semelhante à que senti ao sair de X-Men 3: o filme renderia mais. É muita coisa para uma única história. O material é bom, mas não vejo nenhum motivo para deixar tudo espremido em um único filme. Tanto no Aranha quanto no X-Men, dá impressão que os caras queriam contar muita história, mas tinham que parar no terceiro filme, daí se sentiram obrigados a colocar tudo que queriam dizer de uma vez. E isso prejudicou o bom andamento da série. Sem falar na mania de matar personagens que não deviam morrer, o que também acontece aqui.

E assim chegamos à pergunta que todos querem saber: é o melhor da trilogia? Depois de ter escrito essa resenha e refletido bastante sobre o filme durante esta redação, eu diria que não, até porque se um filme rende menos do que deveria, é um problema grave que deveria ter sido resolvido antes do lançamento. O personagem Harry Osborn, por exemplo. Levou três filmes e cinco anos para que ele virasse vilão e tudo é resolvido de forma assim tão… óbvia? E em tão pouco tempo? Parece que prometeu mais do que cumpriu, sabe?

Quando saí da projeção do segundo filme, senti que tinha assistido a um dos melhores filmes da história. Não senti isso hoje. Ainda assim, senti que tinha assistido a algo muito bom, bem superior a muito blockbuster que a gente vê por aí. E estou doido para ver de novo. Será que o DVD demora? Putz, no momento em que escrevo isso, o filme ainda nem estreou…

Curiosidades:

– A frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” não é dita em nenhum momento do longa.

– Tanto Stan Lee quanto Bruce Campbell retornam triunfalmente nesta terceira parte. O primeiro fala uma de suas frases mais conhecidas, enquanto o segundo… bem, digamos que seu papel tem muito mais destaque e é muito mais engraçado do que os anteriores.

– Nesta sessão, todos os celulares e coisas do tipo foram confiscadas e guardadas em uma chapelaria improvisada. Eu tive inclusive que deixar meu iPod lá. Não que eu me incomode, já que não pretendia ouvir música nem falar ao telefone durante o filme. Na verdade, acho que isso deveria ser feito em todas as sessões de cinema do Brasil. Só que, mesmo com todo mundo tendo que passar por detectores de metal e ser revistado, você acredita que um cara conseguiu entrar com o aparelhinho dos infernos… e que o negócio tocou? E pior, o cara ATENDEU? Cacilda, viu? Acho que isso me deixou ainda mais bravo do que os toques normais que acontecem em absolutamente todas as cabines que fui nos últimos anos. Tem tanta coisa errada com a imprensa e com o Brasil e o cara decide se rebelar contra “o confisco de celulares no cinema”? E atende ainda? É muita falta de respeito pro meu gosto.

– Depois de todo o bafafá sobre lugares limitados e todas aquelas frescuras, acredita que o cinema estava relativamente vazio? Ok, não estava vazio, mas algo entre 10 a 20% das cadeiras da sala estavam desocupadas. Isso significa que eles poderiam ter chamado muito mais imprensa do que chamaram e gerar um desgaste bem menor com vários veículos. Na verdade, eu fiquei com a impressão que esses lugares estavam programados para ficar vazios, reservados para caso algum veículo, como o DELFOS fez, se manifestasse contra a situação. Só que, nesse ponto, o desgaste já tinha sido gerado e poderia ter sido facilmente evitado. Eu não consigo entender as assessorias de imprensa/distribuidoras/gravadoras que agem como se estivessem protegendo um prêmio, ou um Cálice Sagrado, ao invés de fornecer todo o material necessário para todos que se interessarem pela matéria. Afinal, é mais espaço na mídia. O preço para fazer uma sessão de imprensa para 10 veículos ou para 100 é o mesmo. Só que se você chama todo mundo, tem mais destaque e não queima o filme com ninguém. Pelo MESMO preço! Escolhendo alguns poucos (e aceitando apenas um jornalista por veículo para alguns e TRÊS para outros – sim, tinha um certo site que levou três pessoas para a sessão), gera uma situação constrangedora que não tinha nenhuma razão para existir. E quem sai prejudicado com isso não é o veículo, mas a própria distribuidora/gravadora (ou o que seja) que fica com a imagem queimada no veículo, entre os amigos do jornalista (que muitas vezes são de veículos maiores, ou seja, o negócio vai se espalhando na imprensa) e com o próprio público, que sempre vai concordar que não deveria ser assim (afinal, não deveria mesmo). Caramba, eu acredito que até os próprios assessores de imprensa acreditam que não é essa a relação ideal entre empresa e jornalistas. Então por que diabos não falam isso para os seus superiores ao invés de aceitar as ordens? Se as ordens vêm de fora e você tem medo de perder o emprego, eu entendo, mas acho que faz parte do trabalho de um assessor de imprensa que sabe como a mídia funciona, explicar para um executivo que só entende de crifrões os motivos pelos quais essa seria uma decisão errada. Tenho certeza que o cara ia ouvir e considerar, mesmo que ainda teimasse em fazer besteira.

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