Eu sou fã da Epic e da People Can Fly. As empresas, que novamente se uniram para criar Fortnite, são responsáveis por alguns jogos de ação muito engraçados e divertidos, como Bulletstorm e a série Gears of War.

Fortnite é uma nova IP criada pensando no mercado atual de games. Ou seja, é um jogo de multiplayer coop recheado de microtransações e com jogabilidade repetitiva. Pois é, o prognóstico não era muito positivo.

VISUAL ÉPICO

A identidade visual dos jogos da Epic sempre foi um de seus pontos fortes, e é com prazer que constato que continua assim. Fortnite tem um visual caprichado, com um estilo cartoon que lembra bastante o utilizado em Overwatch. Os cenários são bonitos e cheios de cores vivas. Os personagens são simpáticos e fofinhos. As loot boxes são piñatas nas quais você pode fazer cosquinha.

Fortnite, Delfos
Ou, claro, quebrar em mil pedacinhos e recolher suas tripas doces.

O roteiro é igualmente simpático. E sim, há história e, embora ela seja contada basicamente por audiologs entre as fases, ela é repleta de humor, referências e personagens adoráveis.

Por algum tempo, devo dizer que eu até gostei de Fortnite. Até que parei de gostar, e daí parei de gostar forte.

LOCALIZE, CONSTRUA, DEFENDA

Minha primeira grande surpresa foi justamente haver história e fases pré-definidas. Eu esperava algo mais tradicionalmente multiplayer, com mapas aleatórios e objetivos sem muito contexto.

As fases seguem uma rotina bastante definida, que é repetida em praticamente todas elas.

Fortnite, Delfos
Essa aí!

Você começa solto no mapa com seus amiguinhos e pode usar sua picareta para destruir quase tudo no cenário e conseguir materiais que vão ser usados para crafting e construção. Eventualmente, você vai encontrar seu objetivo, e daí deve construir fortificações ao redor dele para protegê-lo.

Quando se sentir suficientemente protegido, pode iniciar a ação apertando um botão no objetivo. Isso fará com que os inimigos comecem a atacar. Sobreviva então por um tempo pré-estabelecido (que pode ser bem longo, às vezes passando dos dez minutos) e não deixe os zumbis destruírem o que está protegendo. Tempo acaba, você ganha. Simples assim.

Fortnite, Delfos
Posição da vitória.

Pois é, o jogo inteiro é basicamente composto dos momentos da campanha de Gears of War 4 que mais critiquei na minha resenha.

Depois de algumas fases, então, ele te deixa um pouco mais livre, te dando objetivos como “salve três pessoas”, permitindo que você jogue então em qualquer um dos cenários pelos quais já jogou. É aí que a minha opinião começou a mudar.

SEEK AND DESTROY

Uma coisa que estranhei é que Fortnite está em early-access. Nada, absolutamente nada, do meu tempo com ele explica isso. O jogo parece terminado, funciona bem e tem uma jogabilidade redondinha. Já joguei muitos lançamentos finalizados que pareciam menos terminados do que este.

Pensei que ele podia não ter todo o conteúdo do jogo final, e talvez seja este o caso, mas, meu amigo, o que tem aqui é enorme. Há 23 páginas de missões, cada uma delas com cinco fases (ok, algumas são apenas tutoriais, mas mesmo assim). Eu joguei Fortnite por várias tardes, somando muitas horas e ainda tinha opções do menu que estavam lacradas e que eu precisava jogar mais para liberar. Tudo indica que o que temos aqui é um jogo completo e recheado de conteúdo. A qualidade do conteúdo é que pode deixar a dever.

Fortnite, Delfos
Gotta break’em all!

FORTNITE

Para ser sincero, o próprio gênero já não me apetece, mas Fortnite é simplesmente muito repetitivo e focado no que é basicamente uma escort mission glorificada. Talvez eu esteja velho demais, e isso seja mesmo o que o povo acostumado a free-to-play espera dos seus jogos.

Porém, Fortnite não é um jogo de celular. É um lançamento para consoles, desenvolvido por duas empresas do maior pedigree dos jogos AAA, e que carrega consigo muitas das características positivas de seus jogos.

Fortnite, Delfos
Tipo, olha este turret que simpático!

Talvez ele agrade uma nova geração, mas eu não faço parte dela. Embora tenha me divertido por algum tempo, depois que a coisa entrou numa rotina eu comecei a me sentir torturado, doido para jogar qualquer outra coisa. Qualquer. Outra. Coisa. E isso definitivamente não é bom para minha saúde mental.