Day Of The Tentacle Remastered

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Uma das minhas primeiras resenhas de games aqui no DELFOS foi justamente um relançamento da Double Fine, o tão divertido quanto criativo Grim Fandango Remastered. Hoje, pela segunda vez, cá estou eu resenhando uma versão remasterizada de um adventure da LucasArts, o classicão Day Of The Tentacle.

Se na resenha de Grim Fandango eu fiquei bastante surpreso com todos os elementos do jogo, o mesmo não ocorreu aqui. Como você verá ao longo do texto, isso não quer dizer que o jogo é ruim, mas apenas que o tempo foi mais cruel com ele do que com o remaster do ano passado. Introdução feita, vamos à sinopse.

CONHEÇA BERNARD, HOAGIE E LAVERNE

A história de Day Of The Tentacle é bastante simples. Após beber água contaminada em um riacho, o Tentáculo Roxo sofre uma mutação que o faz adquirir braços, desenvolvendo inteligência e decidindo dominar o mundo. A partir daí, você passa a controlar Hoagie, Laverne e Bernard em sua jornada para impedir a dominação global, contando com a ajuda do Dr. Fred Edison.

Para deixar tudo ainda mais nonsense, o jogo ainda envolve viagem no tempo, e logo no início os três amigos serão separados, cada um ficando em uma determinada época – Hoagie no passado com os Founding Fathers americanos, Bernard no presente e Laverne no futuro já dominado pelos tentáculos. Achou muito absurdo? Pois este é o objetivo.

Sem nenhum maior aprofundamento, o plot em si serve apenas para justificar todas as loucuras que você vai fazer ao longo da história, onde a viagem no tempo exerce um papel fundamental para a resolução dos puzzles. Sendo assim, logo fica claro que o jogo está mais preocupado em ser uma metralhadora de situações engraçadas do que propriamente em contar uma história – o que de maneira alguma é um problema, visto que o humor é refinadíssimo.

OS PRÓS DO DIA DO TENTÁCULO

Como já disse, uma das grandes qualidades do game é mesmo seu humor. Me deixou muito surpreso ver como o jogo consegue causar tamanha imersão tendo apenas um fiapo de história, e como, em última análise, é esse fiapo de história que possibilita ao jogador se livrar das amarras mentais e aceitar que tudo pode ser feito. Você está em um mundo onde tentáculos são seres vivos e dominaram o mundo, então por que não colocar um hamster em um freezer com gelo para mandá-lo para o futuro?

Também tenho que destacar a remasterização, que ficou muito boa. Discutindo com o Corrales, contei que no início os gráficos me incomodavam, ao que ele respondeu que provavelmente isso era causado pela quantidade de frames do jogo – afinal, eles apenas deram um upgrade nos quadros já existentes, não incluíram quadros novos para aumentar a frame rate. De fato, pensando por esse lado, os gráficos estão tão bons quanto podem ser, mantendo a raiz do game original e sem parecer modernoso em demasia comooutro remaster de alguns anos atrás. Para ficar melhor do que está, só se fosse um jogo novo.

Outro detalheque eu gostei bastante- etambém é referente ao remaster – foi a forma como refizeram a interface de interação. Na versão original (que pode ser acessada ao se apertar F1) o menu de interação e o inventário eram um tanto confusos, mas agora está tudo bem mais simples. O inventário pode ser acessado através de uma aba no lado inferior esquerdo, e para escolher entre os diferentes modos de interação basta usar o botão direito do mouse: um círculo com as diferentes opções de interação surgirá, de forma bem semelhante ao que a Telltale implementa em seus jogos.

OS PROBLEMAS DO DIA DO TENTÁCULO

O principal problema de Day Of The Tentacle, no entanto, é o gamedesign. Travar em qualquer parte do jogo é tremendamente fácil, e entendo que isso seja causado pela forma como os puzzles são feitos.

Pense só: você precisa fazer sua máquina do tempo funcionar, e para isso você precisa ligar a tomada no gerador do sótão. Só que para chegar ao sótão é necessário distrair o tentáculo que está guardando a entrada. Só que para fazer isso é necessário provocar uma fuga de humanos. Só que para fazer isso você tem que retirar do posto o outro tentáculo que os vigia. Só que para fazer isso você precisa ganhar um concurso de beleza. Só que para fazer isso você precisa de uma múmia, uma dentadura, um punhado de macarrão e uma caixa sonora. Achou complexo? Pois eu não vou nem entrar no mérito de como você deve conseguir esses itens e como irá passá-los entre o passado, o presente e o futuro.

O ponto é que os puzzles possuem tantos níveis que é muito fácil você ficar sem saber para onde ir. Soma-se a isso o fato de que há liberdade para fazer praticamente tudo na ordem que preferir, e assim surge um jogo que praticamente não pode ser zerado sem um guia do lado. Nesse ponto eu preferi o Grim Fandango, pois os puzzles eram mais objetivos e não davam tanta margem para confusões.

Um outro problema é que o jogo é muito parado. Obviamente, esse detalhe depende muito mais do jogador do que do game em si, mas senti que Day Of The Tentacle é parado demais até para um jogo cerebral. Pouco tempo atrás eu joguei Hitman GO, um game essencialmente de puzzles, e notei que ele era até bastante dinâmico para o que se propunha, coisa que eu não aconteceu na jogatina desta resenha. Sinto que esse detalhe se deve ao fato de Day Of The Tentacle ser um jogo bastante antigo e que provavelmente só envelheceu mal, então a minha sugestão é: jogue com bastante perspectiva.

O TENTACULOSO VEREDICTO

Day Of The Tentacle Remastered faz jus ao título de remaster, possuindo algumas melhorias muito bem vindas. No entanto, não é um game que eu consiga dizer que passou incontroversamente no teste do tempo, então, caso vá jogá-lo, tenha isso em mente. Se você é um entusiasta dos games, não pode deixar de perder um clássico como este, mas, se você estiver procurando um adventure antigo apenas para passar o tempo, eu recomendo ir atrás de Grim Fandango.

CURIOSIDADES

Day Of The Tentacle era, originalmente, uma continuação de um outro adventure chamado Maniac Mansion. Em Day of the Tentacle é possível jogar o Maniac Mansion original, o que é quase uma adaptação gamer dos sonhos dentro dos sonhos que vemos em A Origem. Essa foi uma das primeiras vezes que um jogo completo foi incluído como easter egg em um lançamento mais novo.

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