Boneco do Mal

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O delfonauta dedicado sabe que eu sou um grande fã do gênero terror. O delfonauta realmente dedicado (e que por isso merece um high five telepático!) sabe que eu gosto muito de terror, mas não da sua vertente sobrenatural. Não por acaso, séries sem fantasmas como Jogos Mortais acumulam Selos Delfianos Supremos, enquanto filminhos de assombração invariavelmente levam resenhas negativas minhas. Aliás, uma das dicas na coluna sobre jogos de terror que escrevi para o Kotaku era justamente evitar o sobrenatural.

Com essa introdução, podemos imaginar que o prognóstico para Boneco do Mal não era exatamente positivo. E, apesar de eu ter muito mais medo de filmes ruins do que de fantasmas, resolvi encarar a tarefa de frente e ir ao cinema.

Aqui conhecemos Greta (Lauren Cohan), moçoila que vai até a zona rural da Inglaterra para assumir o posto de babá de uma família endinheirada e excêntrica. Chegando lá, ela logo é apresentada ao pimpolho de quem vai cuidar, um simpático garotinho chamado Brahms. O problema? Brahms é um boneco de porcelana (irgh, porcelana!).

A princípio Greta acha que se trata de uma brincadeira, mas logo vê que o casal fala muito sério. Após um dia no qual ela passa por um tutorial de como cuidar do fedelho, os pais a deixam sozinha na mansão fantasmagórica que eles chamavam de lar. Sozinha? Ora pois, é claro que não, delfonauta. Ela está com o Brahms! =]

Você sabe o que acontece a partir daí, não sabe? Boneco do Mal é um filme de terror sobrenatural bastante formulaico em quase toda sua duração (incluindo duas cenas nas quais a protagonista acorda de um pesadelo). Temos o boneco mudando de lugar, escondendo coisas e aprontando as mais variadas travessuras.

O problema aí é comigo, meu amigo. Não adianta. Fantasmas não me dão medo. A cena em que a protagonista está se trocando e descobre o boneco sentado na cama olhando para ela, por exemplo, me fez gargalhar. Agora se isso realmente te dá medo, é capaz de você tirar bom proveito de grande parte do filme.

Obviamente, o mote é descobrir o que diabos está acontecendo na casa. E este é o ponto no qual Boneco do Mal brilha. Claro, eu tinha lá com meus botões algumas teorias do que poderia ser revelado, e aqui tive uma rara e agradável surpresa, pois todas as minhas suposições passaram longe.

Na verdade, nos últimos minutos do filme, a parte pós-reviravolta, a coisa muda bastante, lembrando muito o clássico slasher Sexta-Feira 13 Parte II. Tanto, aliás, que é quase uma referência direta ao clássico dos anos 80, quando o Jason Voorhees ainda não usava a máscara que o tornou famoso.

E fazer o quê? Eu gostei muito da ideia por trás de toda a condução, pois tudo faz sentido de um jeito que agrada aqueles mais céticos entre nós que não se assustam com fantasminhas nada camaradas.

O final é muito importante em filmes de terror, e Boneco do Mal termina de forma tão legal que acaba compensando os clichês do gênero dos quais ele lança mão durante quase toda sua duração. Assim, ele se destaca em meio a produções semelhantes, e pode agradar tantos aos fãs de filmes de assombração quanto aqueles que gostam de um terror mais humano.

CURIOSIDADE:

– Não faz nem dois meses que publicamos a resenha de outro filme que originalmente se chama The Boy. Curioso que dois filmes tão diferentes tenham sido lançados tão próximos com o mesmo nome não?

– Você deve conhecer a protagonista Lauren Cohan como a Maggie de The Walking Dead

– Se você sabe a que o nome Brahms faz referência, escreva “guacamole!” nos comentários.