Batman – O Cavaleiro das Trevas

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Finalmente chegou o momento da grande estréia de 2008. E, se é verdade que, quanto maior a expectativa, maior a queda, devo dizer que Batman – O Cavaleiro das Trevas cumpre boa parte de suas promessas. Isso, contudo, não quer dizer que é perfeito.

Nesta segunda parte da história do Batimão (e, se a tradição nos ensinou algo, será provavelmente a última sem batmamilos), o herói ainda se vê às voltas com a máfia. Vendo as dificuldades dos criminosos em lidar com o morcego sadomasoquista, o Coringa se oferece para fazer o que eles não conseguem. Paralelamente, Rachel Dawes (que ficou ao mesmo tempo mais bonita e melhor atriz), está saindo com um promotor público: Harvey Dent. Harvey é um sujeito extremamente carismático e, principalmente, honesto, uma qualidade rara em Gotham. Assim, Batman/Bruce Wayne decide ajudá-lo a ganhar nome e a prender os criminosos mais escorregadios. E a partir daí, tudo começa a acontecer e você não quer que eu diga mais nada.

O início do filme é bom. Muito bom. Tão bom que eu passei boa parte da projeção imaginando que ele levaria a honraria máxima da indústria do entretenimento, o (rufem os tambores) SELO DELFIANO SUPREMO. Porém, como você não encontrou a medalhinha alfredal nessa página, já deve imaginar que algo aconteceu que o fez perder essa possibilidade.

Sem revelar muito, depois de cerca de uns 90 minutos de filme, tudo indica que ele está amarrando as pontas para acabar. Isso até chegou a me deixar triste, por considerá-lo curto demais. Porém, ele não acaba. E a partir desse ponto (que você pode sacar qual é, pois é quando o Duas Caras aparece), acaba cedendo aos clichês e esfriando muito. MUITO! Até tem uma cena que poderia render o retorno do Selo Delfiano Supremo, onde eles poderiam ter mostrado colhões e matado uma criança, mas infelizmente o clichê reinou – e o Selo voltou para o meu bolso.

Outros problemas menores estão nas interpretações vocais de Christian Bale e Heath Ledger. Falemos primeiro deste último, que certamente vai ser elogiado mais pelo fato de que está morto do que pela interpretação em si. Pois é, e lá vou eu discordar do mundo inteiro de novo e receber mensagens do tipo “o mundo inteiro discorda de você, quem será que está certo?”.

O Coringa é um personagem legal, e o roteiro faz jus a ele, tornando-o sádico, assustador e engraçado. Porém, Heath parece ter achado uma boa idéia dar ao sujeito um jeitão de Dr. Evil. Assim, a forma que ele fala é quase igual à do personagem interpretado por Michael Myers, inclusive com os mesmos tiques de estender a última palavra ou de ficar constantemente mostrando a língua e fazendo barulhinhos com a boca. Quando ele não faz esses tiques, tudo funciona bem. Infelizmente, o senhor Ledger os usa quase o tempo todo. É uma pena, pois o visual, que é o que todo mundo já viu, está excelente. Quando o vi dizendo “why so serious” no trailer já achei meio estranho, mas vendo-o falando diálogos longos, o negócio realmente não funciona bem. Tem uma cena que perguntam quanto ele vai cobrar por um serviço e eu sinceramente achei que o mano ia colocar o dedinho na boca e pedir um milhão de dólares. Eu, pelo menos, não acho que o vilão de um filme “sério” (dentro, é claro, dos limites do gênero de heróis) deva se parecer com qualquer coisa feita pelo Michael Myers, mas com certeza vai ter gente me xingando por ter essa opinião (principalmente porque o cara morreu), então beleza (eu só não esperava quando escrevia a frase acima que uma dessas pessoas fosse um colega de profissão de uma grande revista de cinema, mas esse assunto fica para outro dia). 😛

Sobre Christian Bale, o problema é menor e já estava presente no filme anterior, mas também está relacionado à forma de falar. Alguém me explica por que diabos ele fala como se estivesse cantando Death Metal sempre que está vestido de morcego? Além de isso deixar o Batman um tanto ridículo (dá vontade de rir da cara dele em momentos que deveriam intimidar), faz com que… ele não tenha fôlego… para falar frases longas… sem ficar fazendo pausas… a cada três ou quatro palavras. E isso deixa ainda mais feio. No começo do filme, até que isso não é tão perceptível, pois ele fala pouco. Porém, conforme a história avança e o roteiro exige frases maiores do Cristiano Bala, chega a afetar de tal forma que a figura intimidadora do Batman fica quase patética, parecendo um daqueles velhinhos que mal têm energia para falar. E é impressão minha ou o novo design do capacete não é mais simétrico?

Esses detalhes da atuação dos nossos amigos não diminuíram a nota do filme, nem o impediram de levar o Selo. Como eu disse, são problemas menores em um filme em sua maioria excelente. Ainda assim, tenho certeza que vão glorificar a atuação deles e é sempre bom mostrar que não é bem assim. Pelo menos não na minha opinião. 😉

O que realmente afetou meu julgamento sobre o filme foi a síndrome da terceira parte de filmes de heróis (o que é curioso, pois esta ainda é a segunda do Batman). Lembra que em X-Men 3 eles mataram um monte de personagens importantes? E lembra em Homem-Aranha 3, quando eles decidiram pegar um dos vilões mais legais do herói (no caso, o Venom) e não só colocá-lo apenas lá no finalzinho do filme, como também eliminá-lo e assim impedir que ele apareça em futuras seqüências? Pois Batman – O Cavaleiro das Trevas comete esses mesmos erros. E todos eles estão enfiados lá no último terço do filme.

Se é verdade que o roteiro tratou bem o Coringa, que foi prejudicado pela atuação vocal do Heath Ledger, exatamente o contrário pode ser dito do outro vilão. O Harvey Dent é um personagem bem legal, mas o Duas Caras foi completamente desprezado pelo tratamento dado a ele pela história, aparecendo muito pouco e como um personagem bem óbvio e muito menos interessante que sua contraparte boazinha do início do filme. E nem a ótima interpretação do Aaron Eckhart (e a maquiagem deveras assustadora) consegue salvar isso. É seguro dizer que o Duas Caras está para Cavaleiro das Trevas como o Venom está para Homem-Aranha 3. E isso não é bom. =/

Falamos dos defeitos, mas também devo falar das qualidades. O Coringa e o Alfred são personagens realmente muito engraçados e são praticamente risadas garantidas sempre que aparecem, um por causa do seu humor afiado e o outro por ser um doido sádico (um aperto de mão para quem adivinhar qual é qual).

As cenas de ação também são muito boas. Tem uma, em especial, que mostra um caminhão dando um looping, seguido de uma acrobacia da batmoto. Essa é daquelas que dá vontade de aplaudir. Aliás, na sessão de imprensa o povo realmente chegou a aplaudir essa cena.

É seguro dizer que O Cavaleiro das Trevas está no mesmo nível do também tremendão Homem de Ferro. Este último é mais divertido, mas também é mais clichezão. Já Batimão 2 é mais denso e tem mais profundidade psicológica, mas faz coisas não tão legais com a história do personagem e eventualmente também acaba cedendo aos clichês. No final das contas, são dois filmes excelentes, que sem dúvida estarão em muitas listas de melhores de 2008 por aí – e a única coisa que vai determinar qual você vai curtir mais é seu próprio gosto. 😉

Curiosidades:

– O Espantalho volta a aparecer, mas é muito mal aproveitado, ainda pior do que o Duas Caras. A impressão que dá é que ele só está aqui para fazer uma ponte para o Batman Begins.

– Não é curioso que tenham pego o Cillian Murphy de volta para fazer uma única cena, mas mesmo assim tenham mudado a atriz que faz a Rachel Dawes, que é muito mais importante? É claro que seria possível convencer a Katie Holmes a voltar com um pouco de per$ua$ão.

– As críticas desse filme estão tão absurdamente positivas que chega a lembrar todo o hype absurdo que rondou GTA IV. Pessoal, o fato de uma obra cultural ser muito boa não a torna livre de defeitos ou à prova de críticas. E é o papel de quem trabalha com isso apontar o lado bom e o lado ruim de qualquer coisa analisada. Vamos parar de fazer essas resenhas que parecem press-releases, pô!

– Nos vemos amanhã no Encontro Delfiano, certo? Espero todos os true delfonautas por lá! 😛

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Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).