A Dama Dourada

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A Dama Dourada é um daqueles filmes que fui assistir sem saber nada sobre a trama e acabei achando-a para lá de interessante, bem como todo o longa em si, embora ele não seja exatamente um primor. Mas ainda assim gostei do tema o suficiente para considerá-lo superior a um mero filme nada e também para subverter as regras da resenha de cinema, dando minha opinião antes mesmo de apresentar a sinopse. Sinopse essa baseada em uma história real.

Maria Altmann (Helen Mirren) é uma judia austríaca que fugiu para os EUA para escapar dos nazistas. Só que a turminha do Hitler acabou se apropriando de todas as posses de sua família, incluindo aí algumas telas do pintor Gustav Klimt, incluindo uma chamada Retrato de Adele Bloch-Bauer, que na verdade é um retrato da tia de Maria.

A tela foi recuperada pela Áustria e em determinado momento é até chamada de “a Monalisa austríaca”. Então é claro que eles não vão querer devolver um patrimônio nacional por pura boa vontade. Maria contrata então o advogado Randol Schoenberg (Ryan Reynolds) e juntos eles partem para o pau nos tribunais.

O filme em si é bem formulaico e segue a cartilha do drama hollywoodiano, maniqueísta (Randol ajudar Maria por pura bondade de seu coração e não pelos milhões que ele poderá faturar caso ganhe o caso), em determinados momentos excessivamente melodramático (especialmente lá pelo final) e com uma estrutura facilmente adivinhável, mesmo para quem não conhece a história real.

E, no entanto, até que funciona direitinho. Como eu disse, simpatizei com a história, e isso sem dúvida a ajudou a ganhar meio Alfredo a mais. Além disso, as atuações estão boas, com Helen Mirren como a velhinha figura e até o Ryan Reynolds manda bem, claramente tentando mudar o direcionamento de sua carreira após tantas comédias bobocas e aquela porcaria do Lanterna Verde.

Os flashbacks que entrecortam a trama principal, mostrando como Maria saiu da Áustria quando os nazistas começaram a perseguir os judeus, também são legais, com boa reconstituição de época e ajudam a manter um bom ritmo para a narrativa, sem cair muito nos clichês dos longas sobre o holocausto.

Admito, fui mais bonzinho que o costumeiro com esse filme, pois ele depende muito de você se envolver com a história para funcionar, e nem é uma trama tão surpreendente assim. Desta feita, se você gostou do que leu na sinopse, pode ser que valha a pena dar uma chance. Contudo, se você não se interessou pelo que leu no segundo e terceiro parágrafos desta resenha, melhor partir para outra opção.