Na minha resenha do primeiro Aggelos, dá para você acompanhar bem minha jornada com o jogo. Desde “que bonitinho”, passando pelo fácil demais e desembestando no difícil demais e na simples impossibilidade de chegar ao fim. Sete anos depois, Aggelos 2 chega às lojas. Apesar de ser assinado por uma nova empresa, a Wonderboy Bobi, tudo indica que o jogo foi feito pela mesma pessoa. O mesmo, inclusive, que fez o bem melhor Tanuki Justice.

Eu sinceramente não tinha certeza se queria jogar um novo Aggelos. Até fui sincero com o assessor de imprensa, dizendo como o anterior pegou mal comigo por ter começado fácil demais e depois difícil demais para terminar. Ele me disse que agora tinha duas dificuldades, o normal e o difícil. Eu brinquei como os desenvolvedores hoje em dia esqueceram como programar um jogo para ser fácil. E no fim das contas, resolvi pegar. Vamos ver qual é que é.

REVIEW AGGELOS 2

Antes do jogo começar, você vê seu protagonista voando, todo pintudão, e daí ele é atacado. Imediatamente vem o aviso “você perdeu todos seus poderes”. Isso é tão clichê nesses jogos que até sorri. Mas curiosamente, Aggelos 2 não segue o caminho clichê. Você recupera os poderes em poucos minutos, e essa muleta narrativa é usada apenas para ensinar uma coisa por vez. Legal, até.

Infelizmente, Aggelos 2 não perde tempo também para mostrar seus dentes. Ele realmente começa onde o anterior terminou, e com isso quero dizer que já começa difícil pacas. Aliás, é pior do que difícil. Ele é difícil porque você morre a toda hora. Mas o que realmente frustra é que morrer te faz voltar muito. Para você ter uma ideia, na primeira hora de jogo encontrei apenas dois checkpoints. Além disso, os chefes não têm checkpoint imediatamente antes. Todos exigem uma boa caminhada para uma nova tentativa. Se tem algo que me irrita mais do que jogos desnecessariamente difíceis, é checkpoint mal colocado.

BONITINHO COMO MASTER SYSTEM

Dito isso, o que falei anteriormente sobre Aggelos 1 também vale para Aggelos 2. É um jogo bastante bonitinho, com visual de Master System e cores chapadas bem vivas. Além disso, a trilha sonora é bem bacana e pegajosa na maior parte do tempo. Um dos primeiros temas tem um som de bateria tão vivo que poderia estar no Creatures of the Night do Kiss.

level design, por outro lado, é bem diferente. O jogo é bem menos linear e mais full-metroidvania desta vez. Tem uma infinidade de caminhos o tempo todo, muitos guardando segredos e outros que só se mostram inacessíveis depois de ter explorado bastante. Então embora o jogo mostre de vez em quando um X com seu objetivo, chegar lá é sempre muito mais complicado do que simplesmente andar naquela direção.

VOA, ANJINHO!

Algo que torna Aggelos 2 bastante diferente de seus congêneres é que você já começa com o poder de voar. Ou seja, seu pulo é, na prática, um tanto mais largo do que o padrão. Voar esgota sua barrinha, mas ela se recupera totalmente assim que você pisa no chão ou gruda em uma parede. Também não demora para você ganhar um gancho que permite escalar paredes. Isso tudo dá a Aggelos 2 uma verticalidade interessante.

Uma coisa que irrita bastante é que você pode carregar pouco dinheiro e sua carteira vai crescendo aos poucos. Então é super comum você encontrar uma loja ou um upgrade de armadura que resolveria sua vida, mas ele custa 1100 cruzeiros enquanto você só é capaz de carregar 300. E veja, não é bem que você não pegou os 1100. A sua carteira fica o tempo todo cheia e você é apenas incapaz de carregar mais, mesmo com todo inimigo vazando galeões dourados a rodo.

O jogo é difícil o tempo todo, mas sua dificuldade realmente dá um salto depois que você destrava os poderes demoníacos. Estes poderes permitem entrar em portais espalhados pelo mundo e, dentro deles, a coisa é mais cascuda do que o Cascão. Sério mesmo, cada vez que você entra em um deles e consegue sair do outro lado, é motivo para comemoração. E não, não são desafios opcionais, mas caminho padrão da história.

AI, AI

Infelizmente, tudo que Aggelos 2 faz de bom é jogado no lixo pelos checkpoints. Você nem perde nada ao morrer. Não perde XP, dinheiro ou itens, e o mapa continua explorado. Basicamente, você perde sua posição e os inimigos reaparecem. Porém, a posição é o que realmente dói. Você costuma voltar tanto, mas tanto, quando morre, que eu tive vontade de parar de vez a cada pequeno erro.

Existe alguém neste mundo que ainda aguenta metroidvanias que exigem tempo e repetição mais do que qualquer outra coisa? Sinceramente, me parece o gênero mais saturado que já existiu nos videogames. Mas se você gosta da ideia de bater a cabeça num muro repetidamente até ele quebrar, este é Aggelos 2.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-aggelos-2-analiseDisponível: Switch, Windows, PS4, PS5, Xbox Series, Xbox One<br> Analisada: Xbox Series X<br> Desenvolvedora: Wonderboy Bobi<br> Editora: PQube<br> Gênero: Metroidvania<br> Lançamento: 27 de agosto de 2026<br>