Só Por Uma Noite tem uma proposta interessante. Ele acontece em um mundo em que o sexo antes do casamento foi declarado ilegal. Ou seja, quem ainda não disse sim e colocou um anel em outra pessoa, só vai poder aprontar por uma noite todo ano. Isso imediatamente causa perguntas. Tipo “como vão fiscalizar isso?”. Porém, assim como O Preço do Amanhã, o melhor é aceitar a premissa como dada, ao invés de botar furos nela. É uma proposta bacana, afinal de contas.

CRÍTICA SÓ POR UMA NOITE

Infelizmente, não demorou para eu já ficar um tanto de cara com o filme. Acontece que o protagonista, Callum Turner, é igualzinho ao Mark Zuckerberg. E como eu odeio seu sósia mais famoso, ficou impossível gostar do personagem. É como se ele fosse um sósia do Hitler, sabe? Curiosamente, eu sempre achei o Zuckerberg em questão um sujeito bem asqueroso visualmente. Mas todas as mulheres bonitas do filme aparecem virando o pescoço e pagando pau para o Callum Turner como se ele fosse o James Bond. O que eu sei sobre beleza masculina, afinal? Vai ver além de ser o cara mais malvado da nossa história, o Mark Zuckerberg é também o mais bonito. Apesar de eu ter sido criado com desenhos da Disney, já sei faz muito tempo que percebi que é comum a maldade e a beleza aparecerem na mesma pessoa. Mas não vou me ater a isso. Afinal, o Callum Turner ser igualzinho ao diabo encarnado não é culpa dele.

Eu também desanimei um bocadinho quando vi que Só Por Uma Noite era uma comédia romântica. Você sabe como estes filmes são normalmente fracos e formulaicos, e costumam ser realmente bons apenas quando desvirtuam a fórmula. Assim, tenho um grande prazer em confirmar que este é um desses casos. Só Por Uma Noite eventualmente faz o óbvio, mas durante quase toda a sua projeção, ele elabora este mundo estranho e o desespero dos solteiros em fazer sexo, pelo menos nesta noite.

DESENVOLVIMENTO

Isso é desenvolvido de muitas formas. Se sexo já é um grande fator nas propagandas do nosso mundo, imagina como seria importante se só pudesse acontecer em uma noite? Pois o longa elabora isso com propagandas hilárias e mostrando até mesmo o efeito na economia. Já pensou pagar 200 dólares em uma camisinha? Pois é.

Os dois personagens principais (Mark ZuckerbergMonica Barbaro) estão em busca de coisas diferentes. Ele pretendia casar com a namorada. Ela sonha em conhecer alguém nesta noite tão não-romântica. Mas no fim das contas, como todos nós, os dois só querem um corpo para apertar. Em meio à sua procura, eles se cruzam numerosas vezes ao longo da noite. E isso é o legal. Se esta comédia romântica mostrasse o início de uma grande amizade entre os dois protagonistas enquanto ambos encontram a pessoa com quem passarão o resto da vida, este seria um filme para Selo Delfiano Supremo. Infelizmente, não é o caso.

Não é muito spoiler dizer que o casal de uma comédia romântica vai terminar o filme como um casal. E acredito que, sendo assim, o filme provavelmente testou melhor com seu público-alvo. Mas como um amante da arte e da criatividade, vejo que é perfeitamente viável ele ainda ter um final feliz, ao mesmo tempo que mostra o desenvolvimento de uma grande amizade. E este é o filme que eu gostaria de ver. E que, por muito pouco, Só Por Uma Noite não é.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
critica-so-por-uma-noite-reviewTítulo original: One Night Only<br> País: EUA<br> Ano: 2026<br> Distribuidora: Universal Pictures<br> Gênero: Comédia Romântica<br> Duração: 1h42m<br> Estreia no Brasil: 20 de agosto de 2026<br> Direção: Will Gluck<br> Roteiro: Travis Braun<br> Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, Charlie Gillespie<br>