Se tem um país que poderia ser bem mais rico do que já é, este país é os EUA. Ah, se apenas eles aprendessem a ler legendas, poderiam economizar o dinheiro que gastam refilmando tudo que é sucesso internacional e gastar com o que realmente importa: armas que fazem cabum atômico nos palestinos. Este é o caso de O Convite, filme dirigido pela sósia mais velha da minha filha, Olivia Wilde. Mas a culpa aqui não é só dos estadunidenses. O longa original espanhol já foi refilmado quase tantas vezes quanto Os Intocáveis. Então aguarde a versão brasileira Álamo vindo aí.
CRÍTICA O CONVITE
Se pareço um tanto mal-humorado, permita-me dissipar esta impressão agora. Afinal, eu gostei muito de O Convite. Não assisti ao original ainda, nem a seus remakes anteriores, então digo isso baseado exclusivamente nesta versão. E ela é excelente. O roteiro é simplesmente muito bem escrito, conseguindo alternar momentos realmente engraçados, daqueles de gargalhar alto, com outros em que você fica com uma bola na garganta.
A história é básica. Um casal tem problemas matrimoniais e a moça (Olivia Wilde) resolve chamar os vizinhos para um jantar, apesar dos protestos do marido (Seth Rogen). Os vizinhos (Edward Norton e Penelope Cruz) são bem peculiares, mas são simpáticos e amigáveis. Basicamente, é um filme que se passa em um único ambiente – a casa dos protagonistas – e é focado exclusivamente em diálogos. Ou seja, é um filme sobre pessoas conversando. Bem do jeito que eu gosto.
Também é muito fácil se identificar com os personagens, especialmente com os protagonistas interpretados por Olivia Wylde e Seth Rogen. Isso é uma vitória tanto do roteiro bem escrito quanto das excelentes atuações. Então você pode até dizer que O Convite é uma peça de teatro disfarçada de cinema, mas não dá para negar a enorme qualidade que ele exala em tudo que tenta.
SEXO? SIM, POR FAVOR!
O destaque acaba indo para o Seth Rogen, que faz o maconheiro de sempre. Porém, a marca dele faz com que ele seja o único dos quatro que não tenha um enorme sex appeal. Assim, quando a conversa vai para rumos sexuais, as reações dele, as coisas que ele fala e faz são muito engraçadas. Até porque você, a não ser que seja uma daquelas raras pessoas que exala sensualidade por todos os poros, vai se identificar com ele, e seu jeitão esquisitão e desengonçado. Eu, pelo menos, me identifiquei.
Depois disso as coisas tomam um rumo mais triste, e acabam documentando o fim do relacionamento de um casal. É algo que estava claro para todos desde o início, com a possível exceção dos dois envolvidos. Isso dói, mas às vezes a separação acaba de fato sendo o mais saudável para pessoas que acham que se amam, mas vivem um relacionamento doente. E, com este pensamento triste, vou encerrar por aqui. Afinal, a vida é triste. Mesmo quando tem momentos engraçados.



































