Luna Abyss foi uma grande surpresa para mim. Eu esperava um FPS com traços de bullet hell e já esperava gostar muito. Mas ele simplesmente vai muito além disso. Temos aqui um jogo com tantas mecânicas que, mesmo tendo fases basicamente lineares, você sempre sente que dá para explorar. E cujo combate é algo que acontece pontualmente, já que a maior parte do tempo é de fato focada na navegação.

REVIEW LUNA ABYSS

E a navegação é tão boa quanto o combate. Ou seja, excelente. Ao longo da campanha, você vai ganhando novas habilidades que aumentam suas possibilidades. Estas envolvem possuir criaturas que andam em trilhos, ou que ficam flutuando no cenário. Dá para criar plataformas, dar pulos duplos e, claro, até usar uma superpoderosa dash, no ar ou na terra. Isso faz com que simplesmente andar pelas fases seja muito além de simplesmente seguir um corredor.

Você pode, por exemplo, pular entre plataformas voadoras, combinando possessões e dashs. Dá para viajar por trilhos precisando pular entre dois deles na melhor tradição Sonic ou Ratchet. É simplesmente muito legal. E, quando de fato você pode seguir por mais de um caminho, dá para apertar um botão que mostra o caminho certo, permitindo sempre explorar o outro antes de seguir com a história. Simplesmente uma delícia. E daí vem o combate.

O COMBATE

Luna Abyss, Kwalee Labs, Kwalee, Delfos

O combate, apesar de raro, é também muito gostoso. A ponto de poder sustentar um jogo que seja apenas um FPS também. Mas Luna Abyss é muito além disso. A campanha te dá apenas quatro armas e você pode alternar entre elas usando os direcionais digitais. Isso me fez pensar porque diabos colocaram também uma roda de armas, ativada segurando o L1. Mas enfim, é melhor ter mais opções do que menos. A escopeta é um grande destaque, uma arma com um tremendo alcance e impacto, somada a uma animação pintuda e um barulho explosivo. A turma da Kwalee realmente aprendeu a lição com a ID Software de como fazer uma escopeta ser poderosa e divertida de usar.

As armas não são especialmente criativas ou únicas. Apesar de usarem outros nomes, você claramente tem uma metralhadora, um rifle, etc. E elas funcionam como você espera. Ao invés de precisar recarregar, elas funcionam no sistema de aquecimento. Então se uma arma aquecer, use outra enquanto a anterior esfria. Vencer um inimigo também causa uma pausa satisfatória na ação, que deixa especialmente gostoso explodir umas cabeças. Ah, sim, todo inimigo antes de morrer fica tonto, e você pode então usar seu presunto para atacar outros ou recuperar sua própria vida. E daí tem os chefes.

OS CHEFES

O combate com os inimigos tradicionais é bacana, e é relativamente fácil. Porém, quando cheguei ao primeiro chefe de fato, o que rola depois de algumas horas de jogo, foi quando morri pela primeira vez. E pela segunda, terceira e quarta. Para um jogo que parecia ser bastante fácil, essa batalha veio com um tremendo salto de dificuldade. O chefe atirava balas demais, e era muito difícil de não ser atingido por elas. Além disso, outros inimigos aparecem apenas em momentos específicos da batalha, e você pode usá-los para preencher sua vida apenas nessas horas. Depois de tentar muito, eu venci o primeiro chefe, mas achei que ficaria travado no seguinte.

Só então me lembrei que, apesar de compactuar com o estilo bullet hell de ReturnalLuna Abyss não contratou o Chef José Marques. Dá para mudar de dificuldade e inclusive configurar mecânicas como você desejar. Inclusive o dano que o jogador leva. Eu joguei a maior parte do game com dano normal, mas sempre que chegava a um chefe diminuía o dano. Isso foi o suficiente para que pudesse vencer e me divertir muito. Mas também foi bem confortável saber que era possível simplesmente desligar o dano, para pular um chefe que não me agradasse ou enchesse o saco.

VISUAL

O visual de Luna Abyss é ao mesmo tempo impressionante, mas um tanto batido. Os gráficos são ótimos, com uma definição que parece muito alta, uma excelente performance e efeitos de luz e sombras impressionantes. Inclusive, a iluminação é tão boa que me parece um desperdício que o jogo não suporte HDR. Imagino quão bonito ele seria se usasse a tecnologia. Por outro lado, os cenários são basicamente cinzas, e boa parte deles são tão escuros que são simplesmente uma sombra preta, mesmo subindo o brilho ao máximo. É impressionante quando voce olha um gameplay isolado, mas a falta de variação de cores e cenários cansa um pouco quando você faz a campanha inteira.

O som também é irregular. Tem algumas músicas realmente boas e empolgantes, ao lado de outras que são apenas barulhinhos eletrônicos. Por fim, a maior parte do jogo mesmo acontece no silêncio, então não é sempre que você curte uma boa melodia enquanto joga.

Luna Abyss é um jogaço, que me divertiu do início ao fim, que leva acessibilidade a sério e que consegue misturar muitos gêneros e mecânicas sem nenhum deles parecer forçado. Vem jogar, pois a diversão será enorme.