Cthulhu The Cosmic Abyss é a nova aventura narrativa da Big Bad Wolf, um dos estúdios que eu considero os mais criativos do gênero. Caso não ligue o nome às pessoas, essa é a galera que deu ao jeitão clássico da Telltale um quê de RPG com o ótimo The Council e que depois fariam o também ótimo Vampire The Masquerade: Swansong. Quando falamos de walking simulators e de histórias interativas, eles estão entre os mestres.

Assim, apesar da história puxada de Lovecraft, eu estava ansioso para ver como essa turma se sairia em seu primeiro jogo de terror. Infelizmente, não se saíram bem. Comecemos pela temática. No review guide que veio junto com o código de review, eles se gabam de que existem mais de 300 jogos com histórias envolvendo Cthulhu e Lovecraft. Isso é motivo para orgulho? Sei lá, se todo mundo está fazendo a mesma coisa, eu tento fazer outra bem mais inesperada (vide DELFOS). Mas enfim. Falemos do jogo em si.

CTHULHU THE COSMIC ABYSS

Um problema é que o jogo tenta ser mais do que uma história interativa ou um walking simulator. O que temos aqui é um jogo de investigação. Basicamente qualquer coisa do cenário pode ser carregada, manipulada ou lida. E você nunca sabe o que é realmente útil ou o que está lá apenas para preencher o mundo. Além disso, sua mira é um pontinho quase invisível que fica no centro da tela e, para você conseguir manipular qualquer coisa, precisa colocar o pontinho dentro da coisa em questão. Algumas dessas coisas são extremamente pequenas, o que exige uma mira mais precisa do que qualquer first person shooter.

O excesso de interações possíveis é um problema, mas seria um problema menor se eles ficassem o tempo todo destacados do resto, ou se fosse possível apertar um botão que os destacasse. O máximo que o jogo permite é que você escolha até três materiais por vez para serem destacados. Não é o suficiente. Ele até tem alguns modificadores de acessibilidade, que deixam o jogo mais fácil, mas são coisas como diminuir a progressão da corrupção ou permitir mais dicas. Em outras palavras, o game é chato e trabalhoso mesmo no modo mais fácil, mas pode ficar bem pior para quem quiser.

PROGRESSÃO

Para progredir em Cthulhu The Cosmic Abyss, você precisa ler centenas (quiçá milhares) de páginas de texto, conectar tudo em um sistema estilo mind palace, fazer deduções e só então poderá avançar. E olha, eu sei que tem gente que gosta de brincar de detetive. Muito legal se você for um desses. Mas você sabe que eu sou um fã de helicópteros que explodem. Isto simplesmente não é o que eu esperava da Big Bad Wolf.

Se você está interessado, o jogo tem um monte de outros pequenos detalhes e mecânicas que o aproximam de uma história inspirada por Lovecraft, como um medidor de corrupção, que dubla de loucura. Este medidor é determinado pelo caminho que você escolhe na sua aventura. Normalmente, os desafios têm um caminho menos trabalhoso que geram corrupção, e outro mais “limpo”, mas mais complicado. O caminho que escolher vai determinar as suas opções mais para frente, e o final que poderá ver.

O visual é bacaninha, talvez o mais realista feito pela Big Bad Wolf, embora claramente lhes falte o dinheiro para ir a fundo no estilo. Diante disso, me parece que é mais negócio optar por algo mais estilizado, como o próprio The CouncilCthulhu The Cosmic Abyss pode agradar aos detetives virtuais louvadores de Cthulhu, mas não agradou a mim.