Paixão à primeira vista. Esta é a melhor forma de definir minha empolgação quando vi meus primeiros vídeos de Neon Inferno. Temos aqui um jogo de tiro sidescroller em fases, inspirado não apenas por Contra, mas também por Wild Guns. Ou seja, Você precisa soltar seus coloridos pipocos nas direções cardeais, mas também precisa atirar em caboclinhos que aparecem no fundo da tela. Em algumas fases você controla uma moto, daí além dos dois planos de tiro, pode também movimentar seu personagem entre eles. Bacana.
REVIEW NEON INFERNO
Temos muitos jogos inspirados por Contra, alguns até brasileiros. Wild Guns não é tão comumente homenageado, e este esqueminha da “ação em dois planos” sem dúvida ajuda a diferenciar Neon Inferno em um terreno superpovoado. Porém, não foi por isso que ele me conquistou, mas por seu visual.
Neon Inferno é um jogo com visual retrô, mas que homenageia a época em que pixel art esteve em seu auge: a era dos 32-bit. Tem tanto jogo com cara de Nintendinho hoje em dia, e realmente sinto falta de jogos em 2D que realmente são trabalhados, coloridos e chamativos. Neon Inferno tem muito de fliperama em sua estética, no uso de cores e nos gráficos brilhantes, mas o detalhamento de sua pixel art e seus personagens grandes são algo que não era comum no início dos anos 90.
QUER DIZER, OLHA QUE LINDO!

Aliás, toda a apresentação é sensacional. As cutscenes não são faladas, mas são animadas e têm planos. A música é sensacional e ajuda a empolgar. E mesmo a ação é gostosa, especialmente por causa do impacto audiovisual.
As fases têm um monte de chefes. Todas elas terminam em um chefe em duas fases (sem checkpoint entre elas), com exceção do último, que tem três fases. Mas ao longo de cada fase você vai lutar contra uma pá de máquinas, tanques, aviões. A coisa é intensa e roteirizada, e a boa notícia é que os chefes são bacanas. A má notícia? Pois é…
ENTRA O CHEF JOSÉ MARQUES
Lembra do Chef José Marques? Ele é um cozinheiro muito talentoso, que faz os pratos mais deliciosos e bonitos. Porém, ele insiste em colocar um ingrediente especial antes de levar sua comida à mesa: ele faz pipi nela. Esta é uma metáfora que eu costumo usar aqui no DELFOS para jogos que fazem as coisas muito certo e exalam uma quantidade absurda de talento, mas daí jogam tudo fora com algo que não precisava ser assim.
No caso de Neon Inferno, é a dificuldade. O jogo tem, sim, opções de dificuldade, e ele te incentiva a jogar no hard. Mas o problema é que mesmo no easy ele é muito difícil. Aliás, pior. Ele não é assim tão difícil, mas acaba se tornando frustrante por causa da péssima colocação de checkpoints. Basicamente, ao morrer, você volta sempre do início da tela. E algumas dessas telas são enormes, com uma dezena de chefes, além de desafios de plataforma e inimigos normais. Morrer no final exige jogar de novo uma fase que era até legal na primeira jogada, mas que na segunda, terceira ou vigésima tem gosto de xixi. Fica ainda mais frustrante porque o jogo não prevê nenhum jeito de recuperar vida: você precisa chegar ao próximo checkpoint com os hitpoints que tem.
O mais frustrante mesmo são os chefes. Você sabe o quanto eu odeio chefe em várias fases sem checkpoint e aqui todos os principais são assim. A quantidade de vezes que eu repeti a primeira fase enquanto tentava aprender os padrões da segunda não está no gibi. E no último chefe, eu precisava lutar contra dois chefes antes de poder começar a aprender os padrões do último. Não foi legal. Eu terminei Neon Inferno? Terminei. Mas bravo e sem a menor vontade de jogar de novo algum dia.
DIFICULDADE É MULETA PARA JOGO CURTO
Esta frase fala muito, e se aplica perfeitamente aqui. Neon Inferno tem apenas seis fases, que durariam cerca de 10 minutos cada se não fosse a repetição a que elas te submetem. Em outras palavras, é um jogo de 60 minutos. Eu o terminei em duas horas. Ou seja, continua sendo frustrantemente curto. Mas ao invés de eu ter terminado feliz e doido para jogar de novo, terminei com raiva. Este, meu amigo, é o poder do ingrediente secreto do Chef José Marques.
Neon Inferno é como pedir um prato apetitoso e receber uma lasanha coberta por urina. Você no mínimo não vai querer pagar pelo serviço.





































