Indika é um jogo importante para mim. Eu tentei muito, sem sucesso, cobrir quando ele saiu para Xbox Series e PS5 no ano passado. Os reviews me deixaram ainda mais curioso e, desde então, ele estava na minha lista de desejos. Com o lançamento para Switch (1, infelizmente), tive uma nova oportunidade, e dessa vez deu certo. Infelizmente, no momento em que escrevo isso, o jogo é interminável.

Na fase Stroboscopic Effect, quando deveria entrar a cutscene final do capítulo, o jogo fecha sozinho e, quando você o recarrega, não dá mais para avançar, uma vez que o NPC necessário para solucionar o puzzle não está mais lá. Dá para começar de novo a fase, e eu fiz isso, mas ele trava exatamente na mesma parte, e recarregar o checkpoint tem o mesmo efeito. É bem possível que isso esteja consertado até o lançamento do jogo, mas eu preciso falar do que joguei e… bem, este clímax decepcionante foi bem apropriado, uma vez que eu já não estava gostando do jogo. Vamos falar mais dele.

INDIKA NO SWITCH

Indika é um jogo narrativo. Você controla uma freira que está questionando a fé, uma premissa que muito me interessa e que colocou Indika no meu radar há muito tempo. Porém, os gráficos são 3D, no estilo realista. Em outras palavras, o Switch (1, ainda por cima) é sem dúvida o pior console para jogar. Ele simplesmente não tem poder suficiente para contar uma história com esse tipo de gráfico. É curioso que o jogo saiu apenas para os consoles da next-gen, ou seja, não existe versão para Xbox One ou PS4, mas a versão de Switch veio presa no console de 2017. Acredito que uma versão para Switch 2 faria MUITA diferença.

Isso porque os compromissos são bem claros, em coisas como resolução e draw distance. É comum detalhes aparecerem muito próximos da câmera ou não aparecerem nunca. Além disso, a resolução e a iluminação enfraquecem muito a atmosfera. O jogo é quase o tempo todo muito claro ou muito escuro. Em outras palavras, tem hora que você não enxerga porque ele é branco demais, e horas em que não dá para ver porque é tudo preto.

Indika, Odd Meter, 11 Bit Studios, Delfos
Um exemplo de texturas que parecem nunca carregar direito.

Isso tudo é claramente efeito da otimização. Para o jogo “caber” no Switch 1, comprometimentos precisavam ser feitos. Mas Indika nunca foi um jogo da Naughty Dog, então estes problemas pioram uma narrativa que na melhor das hipóteses já deixa a dever por causa do visual. Este é um jogo que precisaria no mínimo de uma profundidade técnica como A Plague Tale, mas está longe disso. É um bom exemplo de um jogo que deveria ter optado por desenhos mais cartunescos, já que visual realista é muito caro de fazer.

A HISTÓRIA

A história é sem dúvida o ponto mais forte do jogo. Não exatamente pelo que acontece, mas pelas discussões apresentadas. A freira logo se junta a um bandido e eles compartilham uma viagem pela Rússia. Curiosamente, a fé do bandido é mais forte e cega do que a dela. Assim, as conversas entre eles envolvem ela questionando Deus e os dogmas da igreja enquanto ele as defende. E os diálogos são muito bem escritos.

Um exemplo é que ela questiona o fato de humanos terem livre arbítrio, mas Deus só ficar satisfeito com uma conduta muito específica. Então por que não fazer as pessoas direto do jeito que ele quer? O bandido responde: “eu não gostaria de ter uma esposa escrava, gostaria que ela me amasse por vontade própria”. Indika: “você diz que quer isso, mas se a consequência por ela não te amar é uma morte horrível, quão livre ela realmente seria?”. Indika tem um monte de discussões assim, e isso me deixa até chateado de não conseguir ver a história até o fim por causa de problemas técnicos. Mas tem outro problema…

O GAMEPLAY É MUITO CHATO

Indika, Odd Meter, 11 Bit Studios, Delfos
Este “monstro de fumaça” deveria ser um cachorro. Provavelmente é o cachorro mais mal desenhado já feito em um videogame.

Um jogo narrativo com uma boa história e um gameplay ruim é um suplício. O melhor exemplo disso é que Indika começa com você precisando encher um balde de água no poço e levando a água para um balde maior a alguns metros dali. É trabalhoso, repetitivo e chato. A narração inclusive fala isso. E daí quando você finalmente enche o balde maior, vem uma freira e joga a água toda fora.

Este é um microcosmo de como é jogar Indika. Não, nenhum outro momento até onde joguei é tão ofensivamente ruim, mas é um jogo de quebra-cabeças com quebra-cabeças muito chatos de resolver. Não difíceis, mas chatos mesmo. Do tipo entediante, manja?

Indika é um jogo que eu fico triste por estar quebrado no período de review, mas a verdade é que mesmo se não estivesse, eu provavelmente não faria uma resenha positiva para ele. Afinal, se um jogo tem uma boa história, mas é ruim de jogar, seria melhor que ele fosse uma experiência unicamente narrativa. Indika é ambicioso tecnicamente, mas carece dos meios para realizar sua ambição. Sobra o roteiro, que é bom, mas é prejudicado pelos seus muitos problemas técnicos e gameplay entediante.