Novembro é um filme político. Infelizmente, não tanto quanto gostaria. Ele se passa durante o Cerco ao Palácio da Justiça, acontecido em 1985, na Colômbia. Foi um fato histórico em que um grupo guerrilheiro chamado M-19 invadiu o Palácio da Justiça de Bogotá para negociar que membros do legislativo julgassem o presidente por quebrar um acordo de paz.
CRÍTICA NOVEMBRO
Enquanto assistia a Novembro, minha cabeça ficava apenas pensando em 8 de janeiro, e na diferença das situações. O que mostra no filme não corresponde exatamente às notícias da época. Mas segundo o longa, os guerrilheiros entraram lá sem a intenção de matar ou machucar ninguém, e então o exército invadiu e fez miséria, sem distinguir entre guerrilheiros, funcionários ou ministros.
A comparação com o que aconteceu no Brasil alguns anos atrás se deve à total diferença no tratamento da invasão. Claro, o exército não deve reagir com mais força do que o necessário, mas a tentativa de golpe que vivemos foi recebida de forma totalmente blazé por aqueles que deveriam fazer a segurança do lugar. Dois extremos, mesma moeda. Ambos errados.
NOVEMBRO EM OUTUBRO
Novembro, o filme, se passa totalmente dentro de um banheiro. É lá que guerrilheiros, funcionários e ministros se abrigaram para se proteger dos ataques. A narrativa segue uma linha que gosto muito, alternando imagens de arquivo do que aconteceu de verdade com sua história ficcional. Isso significa que o roteiro não é escrito livremente, o que acho muito bacana. Por exemplo, em determinado momento, o exército bota fogo no prédio. A história dos sobreviventes, portanto, precisa refletir isso. Legal, né?
O lado negativo é que, imagino que por alternar entre imagens de arquivo e o filme propriamente dito, decidiram filmar Novembro em 4:3. Ou seja, tela quadrada, como nossos avós assistiam. Sei lá porque decidiram manter o formato da época, uma vez que os arquivos são granulados e têm várias características que demonstram a idade da captura. O filme, por outro lado, é cristalino. Então não é como se tivessem tentado igualar os dois.
TÉDIO NO BANHEIRO
Minha principal crítica a Novembro, no entanto, é a quantidade de tédio. O filme dura coisa de 70 minutos, mas tem tanto tédio que poderia, sem brincadeira, durar 30. Estou falando de cenas longas mostrando os sobreviventes chorando, bebendo água ou simplesmente olhando para o teto, sem nada acontecer.
Sim, entendo que uma situação dessa alterna entre momentos de tédio extremo com outros em que você teme pela própria vida. E vejo o valor em mostrar isso na narrativa. Mas acho que eles simplesmente perderam a mão ao equilibrar os dois lados. A impressão que dá é que colocaram a quantidade de tédio necessária para Novembro ter duração aceitável para passar no cinema.
Novembro é um registro político de um fato vergonhoso da história humana, que mais do que merece ser contado. Mas não dá para negar que, como filme, deixa a dever.







































