A história dos japoneses no Brasil é muito rica e, muito por causa da família, eu a conheço melhor do que de outros povos que tiveram fortes imigrações para a nossa terrinha. Eu e Meu Avô Nihonjin faz um excelente trabalho em contextualizar a dificuldade deste povo e colocar tudo no contexto histórico da época. Desde a imigração japonesa, em que os governos prometiam riquezas para quem viesse ao Brasil, até as dificuldades relativas disso e causadas por outros momentos históricos, como a Segunda Guerra Mundial.
EU E MEU AVÔ NIHONJIN
Como todas as melhores histórias, tudo é apresentado do ponto de vista de uma criança. O menino protagonista, descendente de japoneses, tem que apresentar um trabalho sobre a história de sua família. E, para isso, precisa conversar com seu avô, um velhinho ranzinza que não gosta muito de falar. Claro, se ele não falasse, não haveria filme. Então ele fala muito. E demonstra a riqueza e importância de sua história.
Através das conversas, o protagonista descobre a existência de um tio que nunca tinha ouvido falar e percebe todos os preconceitos e problemas que japoneses encontraram no Brasil. O filme também faz um excelente trabalho em contextualizar a Segunda Guerra Mundial. Você sabe, uma guerra em que o Japão era inimigo do Brasil, o que naturalmente fez com que os povos se separassem ainda mais. Os japoneses, que já optavam pela autosegregação, acabaram vendo nisso sua única oportunidade de sobreviver. Além disso, os que aceitavam a realidade de que o Japão tinha perdido a guerra se tornavam alvo dos japoneses negacionistas. Toda essa parte é simplesmente excelente.
UM FILME LINDO

Eu e Meu Avô Nihonjin é tão bonito que parece videogame. Quando ele começou, pensei com meus botões que existem tantas formas de arte diferentes que é uma enorme pena que animações para cinema pareçam seguir sempre o estilo Disney ou o de animês. Ambos são lindos, mas hoje em dia vemos animações diferentes quase exclusivamente nos videogames.
Mas a inspiração para o visual do filme vem das artes plásticas. Os cenários, por exemplo, são pinturas de verdade, que são mostradas durante os créditos. Assim, é possível animar apenas os personagens, o que diminui o orçamento aumentando muito o charme da coisa toda. Os personagens também são todos bonitinhos e simpáticos, tornando Eu e Meu Avô Nihonjin um grande esplendor visual.
É engraçado como o cinema, a arte narrativa mais popular que existe, parece ter se acomodado com visuais sempre parecidos (oi, azul e laranja!) e as mesmas histórias. Eu e Meu Avô Nihonjin não conta exatamente uma história inédita. Outros filmes, como Gaijin – Ama-me Como Sou já abordaram este tema. Mesmo internacionalmente, ele lembra muito obras como o gibi Maus. Segunda Guerra é bem batido, mas simplesmente não falamos o bastante de como ela afetou as pessoas em outros países. E o Brasil é um dos países mais carentes de narrativa própria. Assim, obras como esta são simplesmente muito importantes, mesmo que você não seja tão próximo do povo japonês.







































