Eu costumo dizer que videogames são a melhor mídia narrativa que existe. Não, não quero dizer que é onde estão as melhores histórias, mas simplesmente onde temos o maior potencial narrativo, graças à interação, que se soma a imagens, sons e textos. Pois Sopa Tale of the Stolen Potato me faz considerar outro aspecto. Jogos precisam funcionar bem, e ter um bom polimento. Isso é mais difícil de alcançar neste mídia do que, por exemplo, em um filme.
Um exemplo é o visual. Sopa Tale of the Stolen Potato tem personagens muito simpáticos e bonitinhos, mas todos exalam uma crueza, um baixo orçamento, algo que seria difícil imaginar em uma animação não interativa. Assim, por mais que me doa dizer isso, o principal problema de Sopa é justamente que ele é um jogo.
REVIEW SOPA TALE OF THE STOLEN POTATO
Narrativamente, Sopa Tale of the Stolen Potato traz ótimas ideias e influências. Sua ideia é ser uma história cômica semelhante a filmes da Pixar, e ele sem dúvida é bem sucedido nisso. Aliás, a sinopse é simplesmente genial.
A vovó do protagonista quer fazer uma sopa e pede para ele buscar a batata na despensa. Quando chega lá, tem um sapo roubando as batatas. Ele segue o sapo e vai parar num mundo mágico, cheio de criaturas e coisas estranhas. Mas o que ele quer mesmo é recuperar a batata.
POINT AND CLICK
O jogo é um point and click com total foco narrativo e em fazer você rir com situações e piadas nonsense. Ao contrário dos clássicos da Lucasarts, aqui as soluções para os quebra-cabeças nunca é tão absurda a ponto de você gritar que nunca pensaria nelas. Em outras palavras, é bem mais fácil.
E solucionar quebra-cabeças é basicamente o que você faz. Um personagem te pede algo para te dar algo em troca, e você precisa pensar em como realizar o desejo dele. A graça é a história e os caminhos absurdos pelos quais ela te leva, especialmente se você pensar que tudo isso acontece por causa de uma batata.
A história não é especialmente interativa. Você tem algumas opções de diálogos, mas sempre acaba sendo afunilado para o que avança a história. Então fica a pergunta. Precisava ser um jogo?
PRECISAVA SER UM JOGO?

Certamente não teria problemas com ele se fosse um jogo que funciona bem. Mas não é o caso. Na cena acima, os personagens eram sempre carregados deitados e em posição de T. É um exemplo da crueza técnica, que talvez seja mais difícil solucionar em um jogo do que em um filme. Especialmente sem uma grande equipe de testers.
O principal problema é que os gráficos são tão crus em animação e resolução que, apesar de eu gostar do estilo dos desenhos, nunca consegui me envolver com a narrativa como deveria. E a culpa é especificamente dos gráficos em si e da crueza técnica, não do estilo artístico ou da narrativa.
Por outro lado, como história, ele funciona bem. Sopa Tale of the Stolen Potato é engraçado, simpático e certamente vai arrancar sorrisos. Não tenho dúvidas de que leva minha recomendação. Mas esta seria mais efusiva se tivesse optador por contar sua história em uma mídia mais fácil de testar. Como cinema ou TV.







































