Você sabia que eu consigo ler pensamentos? Por exemplo, você vive pensando “eu queria tanto jogar Beat Saber, mas não quero gastar dinheiro num VR”, certo? Pois, meu amigo, chegou sua hora. Este é Fresh Tracks, um roguelite de ritmo exclusivo do modo panqueca, que tem o suficiente de Beat Saber para matar a vontade de quem não tem acesso a ele, mas também traz boas ideias, um foco na história e em músicas boas.

REVIEW FRESH TRACKS

Apesar dos trailers de Fresh Tracks prometerem que sua trilha sonora é totalmente heavy metal, isso é falho. Há, sim, faixas de metalzão, mas também tem muita coisa atmosférica e eletrônica. A boa notícia é que todas as músicas que ouvi são ótimas, e há uma boa variação entre instrumentais e cantadas. Dá até para fazer as letras das músicas aparecerem como legendas.

gameplay envolve seu personagem esquiando por cenários que se alternam entre inspirados na mitologia nórdica e abstratos, e daí você precisa fazer a ação necessária para passar por cada desafio sem perder vida. Dá para pular, se inclinar e, claro, usar sua espada em direções específicas para cortar árvores e derrubar inimigos. Ele tem mais cara e feeling de jogo de ação, mais próximo de um Bit.Trip Runner, mas o uso da espada e a perspectiva em primeira pessoa o aproximam de Beat Saber.

Para falar a verdade, quando vi os vídeos de gameplay, seria capaz de apostar que este é um título de VR. Ou, no mínimo, teria suporte à tecnologia. Mas não, é um jogo full-panqueca. Os controles, portanto, não dependem dos seus movimentos. Você usa as quatro direções cardeais para mudar de faixa, pular ou se abaixar. O L2 e o R2 para se inclinar. E a alavanca direita para atacar com a espada na direção apropriada. Apesar de os controles funcionarem bem, parece uma oportunidade perdida não ter possibilidade de jogar no PS VR2.

ROGUELITE

Fresh Tracks, Buffalo Buffalo, Roguelite, Delfos

Apesar de ser um bom jogo, com ótimas músicas e gameplay delícia, ele peca em uma implantação roguelike bastante punitiva, que exige repetição mesmo quando você não morre. Basicamente, seu objetivo é sempre vencer a “música-chefe”. Vencer o primeiro chefe te retorna para o começo do jogo, mas agora você pode jogar até o segundo. Vença o segundo e Fresh Tracks te coloca de volta no início da campanha, mas agora é possível ir até o terceiro. Em outras palavras, já seria chato se você eliminasse totalmente as mortes, o que não acontecerá, pois mesmo nas dificuldades mais baixas, Fresh Tracks é difícil paca.

Eu venci o primeiro chefe com alguma facilidade. Achei que minha próxima partida me colocaria na segunda fase, caminhando para o segundo chefe, mas não, precisava repetir tudo. E demorei muito, muito tempo, para conseguir vencer o primeiro chefe de novo e poder de fato ver a fase nova. Quando venci o segundo, já estava sinceramente de saco cheio de ficar repetindo as primeiras fases.

Supostamente, o jogo tem atalhos, que permite pular os chefes (e apenas os chefes, não as fases), mas apesar de eu ter jogado dezenas de partidas, não consegui descobrir como fazer isso. O jogo não ensina e não existem informações a respeito no Google até o fechamento desta matéria. Assim, precisar vencer todos os chefes de novo a cada nova partida, além de repetir as fases propriamente ditas para chegar lá, é pentelho, frustrante e desnecessário. Simplesmente, não há nenhum motivo além de aumentar a duração do jogo em detrimento da diversão para ele não te deixar escolher qualquer música previamente destravada a qualquer momento. Você sabe, como o Beat Saber.

MAMÃE, QUERO SER ROGUELIKE

Fresh Tracks foi muito preguiçoso em sua interpretação roguelike. Basicamente, ele apenas te retorna ao início várias vezes, morrendo ou não. O que ele faz de roguelite é que normalmente você pode escolher a próxima música, com um preview que mostra a dificuldade e o prêmio por ir para aquele caminho. Mas é pouco. Não demora para você estar jogando repetidamente as mesmas canções, especialmente se focar nas mais fáceis, na tentativa de progredir. Isso é necessário porque terminar uma música não recupera sua vida. Então, mesmo que você passe de uma difícil, estará com poucos corações e dificilmente passará da seguinte.

A questão é que o jogo é legal. Por exemplo, vencer um dos chefes o destrava como companheiro, e cada companheiro conta sua própria interpretação da história. Tire esta forma draconiana de “salvar” e eu provavelmente o jogaria até o final com todos os companheiros. Até mesmo colocar um save depois de cada chefe, sem necessidade de repetir as fases anteriores, já ajudaria a tornar Fresh Tracks não apenas suportável, mas realmente recomendável. Infelizmente, este não é o jogo que a Buffalo Buffalo quis fazer. Eles contrataram o Chef José Marques para deixar aqui seu ingrediente especial e estragaram seu jogo promissor de propósito. É uma pena. A nota é relativamente boa porque há um bom jogo aqui se você tiver muito tempo para jogar fora, mas se não for o caso, é melhor ignorar.