Coleções de jogos antigos costumam ser focadas na nostalgia de pessoas que jogaram os games na época. E é bem comum que essa nostalgia me pegue. Porém, em alguns casos, eu aproveito estes relançamentos para jogar pela primeira vez games que sempre quis jogar. É o caso de Gradius Origins.
REVIEW GRADIUS ORIGINS
Gradius Origins é como aquelas coletâneas de bandas que trazem uma seleção das músicas mais conhecidas e uma inédita, na intenção de vender o disco para quem já teria tudo. Isso porque ele traz vários jogos das séries Gradius e Salamander, mas traz também um jogo novo.
A coleção inclui Gradius, Gradius II, Gradius III, Salamander/Life Force e Salamander II. E daí temos um jogo inédito, Salamander III, criado pela M2 exclusivamente para esta coletânea, sob a proposta de imaginar como seria uma continuação se ela tivesse sido feita em 1998. Assim, o novo game traz um audiovisual que poderia estar nos fliperamas de outrora.
GRADIUS

Gradius e Salamander são jogos de navinha, bem no estilão antigo. A principal diferença entre eles é que Salamander aumenta muito a qualidade de vida. Gradius funciona no estilo checkpoint (morreu, voltou) e sem continues na maior parte das suas versões. Assim, me parece impossível acabar qualquer um desses Gradius incluídos aqui sem fazer uso prolífico da função de rebobinar.
Todos os jogos da coleção são muito difíceis, mas o primeiro Gradius, em especial, parece totalmente desregulado. Ele parece ser tunado para acabar com suas vidas o mais rápido possível e, como não tinha continues, passar a vez para outra pessoa, que morreria igualmente rápido. Tem um monte de cenas em que parece impossível passar sem morrer, e eu só consegui terminar mesmo rebobinando a rodo. Por causa disso, foi também o único jogo da coletânea que não me divertiu.
GRADIUS É MANUAL
Os outros Gradius são bem mais honestos em sua tunagem de dificuldade. Eles ainda papam suas vidas como o Bocão come gelatinas Royal, mas dá para jogar sem ficar rebobinando a cada segundo. Isso torna os jogos melhores, embora o uso de checkpoints e vidas limitadas simplesmente não combina com fliperama. Os três Gradius são bem antigos também, todos lançados nos anos 80, então o visual é bem simples, mais próximo de um Nintendinho mesmo.
Gradius também é mais manual do que Salamander. Você tem uma barra de upgrades, que vai selecionando cada um na ordem, conforme coleta breguetes. Quando estiver com o que você deseja selecionado, basta apertar quadrado para ativar. Isso pode aumentar sua velocidade, melhorar seu tiro ou te dar drones que aumentam consideravelmente a área de destruição dos seus ataques. Estar com tudo no máximo te torna uma verdadeira máquina de destruição, a ponto de deixar difícil saber quais explosões são causadas pelos seus tiros e quais te matam. E isso, claro, não muda o fato de que você está sempre a um pequeno erro da morte.
SALAMANDER

Gradius é muito legal, mas todos os Salamander são muito melhores. Há continues infinitos (enquanto você tiver fichas), morrer volta do mesmo lugar e o jogo todo parece muito mais streamlined. Cada item dá um upgrade específico, então você não precisa mais selecionar manualmente o que deseja, é só pegar. Além disso, com exceção do primeiro, que saiu entre Gradius e Gradius II, os outros são mais recentes. Salamander II saiu em 1996 (e o III em 2025, mas feito como se tivesse saído em 1998). Isso significa que os jogos são muito mais bonitos, coloridos e modernos. Jogadores mais novos estão acostumados a ver pouca diferença entre uma geração e outra de consoles, mas lá na época de outrora, um ou dois anos faziam uma diferença brutal, como você pode ver nas imagens desta matéria.
Uma outra coisa legal de todos os Salamanders é que o jogo se alterna entre movimentação lateral e para cima. Isso coloca os dois tipos de jogos de navinha mais populares da época sob o mesmo teto, e a variação é deliciosa.
LIFE FORCE E OUTRAS VERSÕES
O primeiro Salamander saiu com o nome de Life Force no ocidente, e este está incluído em duas versões. Há o Life Force original, que é o Salamander do ocidente, e daí há outro Life Force, que é o jogo refeito novamente para o Japão. Eles são muito parecidos. Na verdade, todos os jogos da coletânea são muito parecidos, mas esta inclusão vem mais como uma curiosidade do que como um jogo novo, apesar de ser um título separado no menu.
Quase todos os jogos vêm com várias versões diferentes. Naquela época, os updates não vinham via download, mas com novos lançamentos. Assim, você pode escolher se quer jogar o fliperama original ou outro que dá menos pontos, ou outro que tem bugs consertados. É uma curiosidade histórica, mais do que qualquer coisa. A maioria das pessoas se dará por satisfeito jogando apenas uma versão.
A exceção é Gradius III, que traz de brinde a versão do jogo que foi mostrada em eventos antes do lançamento. Esta tem conteúdo cortado e diferente do jogo final, e é muito legal tê-la incluída na coletânea oficialmente.
MAIS SOBRE A COLEÇÃO GRADIUS ORIGINS
Gradius Origins foca muito na autenticidade. Assim, todos os jogos trazem slowdown constantes. Encha a tela de tiros e inimigos e você vai jogar em câmera lenta. Seria bacana que a emulação tivesse consertado estes e outros problemas da época, nem que fosse opcional. Mas entendo a decisão.
No final das contas, Gradius Origins traz vários fliperamas desta série tão famosa, e é bem bacana fazer uma viagem pela história jogando todos na ordem. Particularmente, me vejo jogando mais os Salamanders do que os Gradius no futuro, mas tirando o primeiro Gradius, todos os que estão aqui me divertiram bastante.







































