Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio

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Uma coisa que é deveras curiosa é a relação expectativa X opinião final sobre algo. Pego, como exemplo, um dos grandes blockbusters do ano, Superman. Eu esperava um filmaço e o achei bem genérico. Já o Cyrino esperava uma bomba e acabou honrando-o com o Selo Delfiano Supremo. Será que, se nossas expectativas fossem invertidas, as opiniões também seriam? Ou será que se manteriam iguais? Fato: Superman não foi a primeira vez que minha expectativa foi contraditória à opinião final. E hoje isso aconteceu de novo.

O universo dos carros tunados nunca me interessou. Na verdade, meu único contato com isso foi na série Underground da franquia Need for Speed. E não foi muito positiva, não, já que eu achava que a graça desses jogos era justamente pilotar carrões, o que não acontecia nos Undergrounds. Desnecessário dizer que não assisti às duas primeiras partes deste filme também. Para fechar minha opinião, nunca é um bom sinal quando uma continuação é feita com atores diferentes dos que atuaram no longa original. Ou melhor, quase nunca, pois, para minha surpresa, Desafio em Tóquio é maior legal.

Tudo começa quando Sean (Lucas Black) se mete em confusões por causa de um racha e, para evitar que ele seja preso, a mamãe o manda para Tóquio. Putz, eu queria um castigo desses. Chegando lá, o primeiro japonês com quem ele fala é sobrinho de um cara da Yakuza (falando em estereótipos ambulantes). E é óbvio, sendo babaca como os estadunidenses costumam ser, Sean já chega xavecando a mina do cara e desafiando ele para uma corrida. Pronto, a rivalidade com o “vilão” do filme está formada. E o interesse romântico está apresentado. Falando assim, realmente não parece grande coisa, e do ponto de vista de história, realmente não é. Mas é um filme deveras divertido, com cenas de ação fenomenais e muita mulher bonita, principalmente se você, como eu, adora as “maravilhas do oriente”.

Início da divagação: a namorada do “vilão” é latina e, em determinado momento, um dos amigos do protagonista fala para ele algo como “por que você não xaveca as orientais, como todos os brancos por aqui fazem?”. Sinceramente, essa é uma pergunta que eu também gostaria de ver respondida. Poxa, o cara está em Tóquio, com uma quantidade imensa de bombons sortidos e diferentes a serem escolhidos e, ao invés de aproveitar, o cara escolhe logo o de chocolate ao leite que ele provavelmente já estava cansado de experimentar? Maldito pusilânime. Fim da divagação.

Ah, sim, as corridas em Tóquio não são corridas comuns, mas drifts. Como todo mundo que já jogou Need for Speed sabe, as drifts são provas que consistem em percursos cheios de curvas aonde você tem que derrapar o tempo todo. Ao contrário do jogo, contudo, a vitória no filme não é concedida a quem conseguir derrapar mais, mas a quem chegar primeiro na linha de chegada. Curiosamente, o protagonista, que deveria saber muito mais sobre corridas do que eu, não sabia o que era drift. Mas ele também não sabia o que era gaijin e não demonstra interesses pelas “maravilhas do oriente” que o rodeiam, então creio que é seguro dizer que inteligência não é uma das características do personagem.

Então vá ao cinema, de preferência em uma sala cujo som seja bem alto, e divirta-se com carros voando, curvas perigosas, explosões e tudo mais que esse filme pode proporcionar. Só não espere que a história seja algo além do que o que sempre vemos nos games de corrida. Agora dá licença que eu vou jogar Need for Speed.