Rogue One: Uma História Star Wars

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O período entre o episódio III e o IV é, com toda certeza, a época mais interessante para abordar no cinema depois dos primeiros seis episódios. O Despertar da Força poderia não existir, como não existiu por muito tempo, porque o sexto episódio é um excelente encerramento e não saber o que aconteceu depois é até positivo, porque mantém um pouco do misticismo de Star Wars. Porém, sempre quisemos saber por que o império e Darth Vader eram tão temidos.

Há outras boas perguntas a serem respondidas. Como era a vida durante a ditadura intergaláctica? Alguns jedi sobreviveram à ordem 66? E tem a pergunta que Rogue One: A Star Wars Story responde: como os rebeldes conseguiram sequestrar os planos da Estrela da Morte?

É uma boa história, os fãs devem concordar. Se é a melhor história e a que mais dá possibilidade de criar algo marcante com o primeiro spin-off da Disney para a franquia, o debate é longo, mas para o delfonauta saber logo a minha opinião e entender melhor o tom desta resenha, para mim, o roubo dos planos não era a melhor opção. Um filme que contasse o ponto de vista dos Sith, o que exatamente eles acreditam, com Darth Vader como protagonista e no pano de fundo a esperança e esforços dos rebeldes, apesar do sofrimento causado pelo império, seria muito mais interessante.

Bem, o material de Rogue One pode não ser o melhor possível, mas a execução, no geral, é muito boa.

REBELDE SEM CAUSA

Luke lutou pelo pai, por seus amigos, pela liberdade, pela paz, por seus mentores. Anakin foi seduzido pelo lado negro por medo, obsessão, rancor e ódio. Um dos principais desafios de Rogue One, então, era apresentar uma equipe de novos rebeldes com motivações convincentes a serem desenvolvidas em apenas um filme. É lógico também que, no mínimo, a maioria deles não sobreviveria à missão, uma vez que esta é a informação que temos desde o episódio IV. Rogue One começa com contagem regressiva e sem um arco com grandes possibilidades dramáticas.

O interessante de Rogue One é que o filme sabe de tudo isso. Um de seus principais temas é a esperança, a Força como uma crença importante para as pessoas. Os conflitos entre os rebeldes estão relacionados à falta de fé e desarmonia deles. Alguns desejam lutar, outros têm medo de enfrentar o império após a descoberta da arma de destruição de planetas que é a Estrela da Morte.

É neste cenário que somos apresentados a Jyn Erso, ex-criminosa e filha do cientista Galen Erso, o sujeito que completou os trabalhos da Estrela da Morte. Após fugir da causa por toda sua vida, Jyn é resgatada pelos rebeldes e recebe a missão de falar com o extremista rebelde desassociado Saw Gerrera, que pode possuir informações sobre o paradeiro de seu pai. A protagonista é acompanhada por Cassian Andor, que tem a missão secreta (só para os personagens do filme, não para nós) de assassinar o pai da moçoila.

Jyn tem uma backstory nada original, mas confesso que a achei uma protagonista mais legal do que a Rey, porque a personagem tem diversas emoções diferentes para trabalhar e a dinâmica dela com Cassian é realmente sincera. Cassian, além disso, não é mais um Han Solo e mostra um lado dos rebeldes diferente: o conflito de um soldado que deve matar por liberdade. Os personagens coadjuvantes apresentados não são um poço de profundidade, mas funcionam porque eles trazem consigo pequenas histórias do universo Star Wars. Tem o piloto desertor do império (e o nome dele não é Fynn!), o androide reprogramado, um praticante cego da Força e seu amigo e guarda-costas.

LADO NEGRO SEM DARTH VADER

Do lado do império, nós temos o novo vilão Orson Krennic e o retorno de Grand Moff Tarkin, do episódio IV, refeito digitalmente de maneira impressionante. Krennic é o pior inimigo dos rebeldes e possui mais tempo de tela, porque sua relação com o pai de Jyn é um dos principais temas do filme. Infelizmente, ele é um vilão sem sal nem açúcar, especialmente porque temos Darth Vader no filme. Porém, o pai de Luke Skywalker não aparece como deveria (há apenas três cenas reais com ele). Apesar de entender o motivo de o terem deixado em segundo plano (o personagem é importante demais para se preocupar com um mero grupo de rebeldes), o filme deveria ter dado um jeito e colocado Darth Vader em destaque, mesmo que a história tivesse que ser alterada. Ele é a prioridade.

Rogue One abre espaço para novos protagonistas de ambos os lados, portanto. Os personagens conhecidos e amados dos fãs fazem pequenas pontas (a Marvel fez escola com as aparições de Stan Lee em filmes de heróis de HQ). Quando olhamos para a história da franquia e percebemos que Uma Nova Esperança completou 40 anos, é até estimulante ver que a Disney tentou criar personagens novos em Rogue One que não dependessem tanto do que fora estabelecido pelos outros seis filmes. Porém, é bastante perceptível que faltam elementos marcantes a eles e os que de fato possuem potencial (Jyn, Cassian) terão apenas este filme no currículo.

O lado dos rebeldes realmente não é o mais interessante neste período de Star Wars. No antigo universo expandido, o império intergaláctico é descrito como algo terrível e Darth Vader protagoniza diversas histórias de massacre. Sempre fica claro porque os rebeldes temem tanto o mestre dos Sith.

DESTRUIR PLANETAS É INSIGNIFICANTE PERTO DO PODER DOS ROTEIRISTAS

Há um deslize de Rogue One que desrespeita regras de Uma Nova Esperança e O Despertar da Força. A maneira como a Estrela da Morte funciona é diferente dos outros filmes e não dá para evitar de pensar que o motivo da mudança é a cena da praia, conceitualmente bonita, mas que não faz o menor sentido ao considerarmos o poder destrutivo da Estrela da Morte. Outra cena que também causa dor como um soco no pâncreas é a última de Orson Krennic, pelos clichês desnecessários. Nesta hora, resta torcer pelo império.

AH, AQUELA CENA DO FINAL

A cena que todos ficaram boquiabertos e, só quem viu sabe do que estou dizendo, comove, aflige e conta histórias em cerca de três minutos. Com ela, é possível se emocionar mais com os esforços dos rebeldes e as vidas perdidas do que com todos os outros momentos dramáticos do filme. Porém, faltou mais construção no roteiro para chegar a este momento. A cena conta com o que sabemos do universo de Star Wars para fazer sentido, não com o que fora mostrado em todo filme. Assim, ela tem menos impacto do que poderia ter, mesmo ainda sendo muito boa. No fim, o maior problema de Rogue One é justamente esse: as melhores cenas são com personagens e elementos já conhecidos dos fãs.

DA PRÓXIMA VEZ PODE SER AINDA MELHOR

Apesar dos problemas, Rogue One tem boa direção, bom roteiro, ótimas atuações e é muito divertido. Ainda vejo como uma oportunidade perdida de mostrar mais do universo e explorar o quão impressionante Darth Vader é como vilão e personagem. Nestes filmes de spin-off, há oportunidade de arriscar e testar novas histórias, até para sentir segurança e sair da zona do conforto nos próximos filmes da nova trilogia. Porém, analisado sem essas considerações, Rogue One conta uma boa história que se encaixa perfeitamente na trilogia original. E tem aquela cena final, delfonauta. Ah, aquela cena!

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