Eu esperava muito de Yakuza 0 Director’s Cut. Até por causa disso, resolvi combinar meu review de Kiwami e destes novos lançamentos no texto anterior e deixar Yakuza 0 Director’s Cut para um review só dele. O jogo é um clássico. Considerado por muita gente o melhor (ou um dos melhores) Yakuza e o melhor lugar para começar a jogar a série.
Dito isso, eu gostei do jogo. Mas talvez por ter sido contaminado por ter começado a jogar a série com um jogo mais recente, devo dizer que foi o Yakuza que eu menos gostei. No texto abaixo, vou dizer o porquê, e também elaborar tudo que gostei nele, o que é bastante coisa. Mas fique à vontade para fazer um comentário dizendo que minha opinião está errada por ser diferente da sua. Não esqueça de dizer também que “todos os outros sites falaram bem de Yakuza 0“, ok? Afinal, sempre vale ser completista quando você xinga alguém que dá opinião na internet.
REVIEW YAKUZA 0 DIRECTOR’S CUT
Deixa eu começar elaborando os problemas que tenho com jogar este jogo em 2026, e o primeiro deles talvez esteja relacionado justamente ao fato de que praticamente tudo que joguei antes tenha sido lançado depois deste. Ao contrário dos Kiwami, Yakuza 0 Director’s Cut é um remaster, não um remake. Então ele mantém algumas das peculiaridades que, acredito, a série tinha em todos os jogos antes deste.
Já é famosa minha picuinha com jogos que se utilizam de cutscenes B, C e D, e eu reclamei disso em Yakuza em todos os reviews anteriores. O que estava acostumado é que a história principal é quase inteira contada em cutscenes A e B, com as sidequests com cutscenes C, sem diálogos falados ou animações. Pois Yakuza 0 tem quase toda sua história principal contada com cutscenes B. Ou seja, são aquelas faladas, mas sem as animações, enquadramento ou a qualidade visual absurda das A. Quando o jogo muda de B para A, então, o salto de qualidade visual é tão alto que chega a ser incômodo. Pela minha primeira vez com a série, eu não tive dificuldade nenhuma em saber a qual tipo estava assistindo, mesmo antes de os personagens começarem a falar.
ARTES CONCEITUAIS
Mais grave ainda é que boa parte, mesmo da história principal, é contada com as cutscenes C. Além disso, pela minha primeira vez na série, vi as cutscenes D, cenas contadas com imagens quase estáticas, boa parte delas usando o que parecem ser artes conceituais. Já falei antes, mas sei bem da dificuldade e do preço para se fazer cutscenes do tipo A, especialmente em um jogo com tanta história quanto um Yakuza. Mas entender isso e gostar disso são duas coisas diferentes. É bem brochante ver a história principal de um jogo que coloca tanta importância nela ter parte dela contada com artes conceituais.
Quero reiterar que imagino que estas cutscenes D já existiam nos Yakuza que saíram antes do 0 (ou seja, do 5 para baixo), mas esta foi a primeira vez que as vi pessoalmente, já que este é o Yakuza não-remake mais antigo que já joguei. E considerando que este remaster foi lançado no fim de 2025, eles poderiam ter feito um esfoço em substituir essas cenas pelas qualidades superiores, como fizeram nos dois Kiwami que resenhei aqui antes.
CADÊ MEU OBJETIVO?
Meu outro problema é com a enorme quantidade de objetivos de história que não aparecem no mapa. Eu sou simplesmente muito velho para esta baboseira. Yakuza 0 tem muito objetivo do tipo “compre bagulho” ou “encontre breguete”. Todos estes exigem que você saia procurando a esmo. O jogo também tem alguns momentos em que você é obrigado a parar com a história e simplesmente esperar com o jogo ligado. Isso é sofrido, especialmente se você foi fazendo todos os sidequests conforme apareciam.
Neste último caso, não tem muita solução além de esperar. Deixe o jogo ligado e vá fazer outra coisa mais produtiva, tipo me xingar no Twitter. Mas no primeiro caso, eu perdi muito tempo procurando os objetivos. Quando vi que o jogo não pararia de fazer isso na história principal, passei a jogar com um guia ao lado. O guia me passava o “endereço” de cada objetivo e o jogo ficou muito mais agradável depois disso. Mas você sabe o que eu penso da necessidade de procurar respostas de um jogo fora dele, né?
TRADUÇÃO

Eu não acho que a tradução em português foi refeita ou sequer revisada para este remaster. Apenas isso explicaria a quantidade de erros crassos, como o estilo “arruacerio” (sic) citado na imagem acima. Também tem um monte – um monte MESMO – de erros de digitação e erros de tradução que parecem vir de uma tradução literal do inglês, não do japonês.
Um exemplo deste último caso são as dicas. Em inglês, dica pode ser chamada de “tip“. A palavra também significa gorjeta, que em português é uma coisa totalmente diferente. Porém, o jogo chama as dicas de “gorjeta”, e eu demorei muito para entender que na verdade ele se referia a dicas. Eu joguei Yakuza 0 Director’s Cut com legendas em português, como normalmente faço na série. Porém, se tiver a possibilidade, recomendo usar legendas em inglês, que acredito que deixem mais fácil de entender tudo.
A PARTE BOA
E agora vem a parte gostosa de uma resenha como esta. É sempre muito mais gostoso falar bem do que falar mal. A boa notícia é que, apesar de ser o jogo da série com o qual eu mais tive problemas, ele é também muito bom. A jogabilidade e o combate são uma delícia. Cada um dos dois personagens jogáveis tem três estilos de briga totalmente diferentes e com funções diferentes. Claro, todo mundo vai ter suas preferidas, mas todas são bastante caprichadas.

Quando o jogo te coloca nos dungeons então, fases lineares focadas na ação, a coisa fica incrivelmente divertida. Mesmo sendo fases de ação, a coisa é bastante roteirizada, e o foco na porradaria e nas animações cheias de impacto é capaz de tirar vários “hell, yeah“. Também é muito legal ver uma história contada antes do Kazuma e do Majima se conhecerem. Dito isso, eu realmente achei que eles se encontrariam em algum momento da campanha, o que nunca acontece. Eles só se encontram em uma cena pós-créditos e, aparentemente, se conheceram antes dela, fora das câmeras.
HISTÓRIA
A história principal de Yakuza 0 é muito boa também. Durante boa parte do jogo, são duas histórias independentes. Temos a do Kazuma e a do Majima, inclusive com cutscenes de “anteriormente” quando você alterna entre eles. Eventualmente, elas se cruzam, ainda que os personagens em si nunca se encontrem.
A história do Kazuma envolve ele ser acusado de um assassinato que não cometeu para que a Yakuza tenha acesso a uma propriedade vazia, mas extremamente valiosa. A do Majima começa com ele trabalhando em um clube da Yakuza tendo que pagar pela dívida obtida quando perdeu o olho (o que é contado em uma cutscene). Uma coisa bacana é que vemos aqui personagens que morreram ou que mudaram consideravelmente no futuro da série, como o irmão de consideração do Kazuma, Nishiki, ou o próprio patriarca Dojima.
A história principal de um Yakuza é aquilo que todos conhecemos e amamos. São cutscenes extremamente longas e verborrágicas (só o final dura mais de 60 minutos) em que aparentemente os roteiristas não conhecem a máxima do roteiro de “entre tarde, saia cedo”. Absolutamente tudo de importante é mostrado e explicado. Mas a quantidade de detalhes é tão grande, e a história é tão emaranhada que eu sinceramente teria dificuldade de contar tudo que aconteceu. No final das contas, a gente descobre como os dois protagonistas ganharam seus apelidos (Dragão de Dojima e Cachorro Louco de Shimano) e eles terminam com seus trajes clássicos.
VISUAL

Apesar de ser um jogo originalmente lançado na geração do PS3, Yakuza 0 Director’s Cut está bastante bonito. A resolução é alta e os personagens são muito bem-feitos. Pelo menos, claro, até os gráficos de jogo se alternarem para as cutscenes A, em que todo mundo tem poros, sardas e outras imperfeições que simplesmente não eram comuns em gameplay na época do lançamento original. Daí o choque na mudança de qualidade é grande, não dá para negar.
As animações também são muito boas, com vários golpes que parecem extremamente doloridos, especialmente os especiais, que usam barra de cólera. Até mesmo os combates com chefes são legais, o que é um elogio que eu não costumo fazer aqui. A campanha termina com três chefes seguidos, e eu normalmente odeio isso. Porém, você pode jogar Yakuza 0 no fácil e vencer sem muita dificuldade, apenas curtindo o contexto e o espetáculo. E todas essas lutas têm muito disso.
YAKUZA 0 VERSÃO DO DIRETOR
Resumo da ópera japonesa: gostei muito de Yakuza 0. Admito que por causa dos motivos expostos acima, foi o Yakuza mais fraco que joguei até agora. Ainda assim, eu o terminei com um sorriso no rosto, tendo me divertido bastante, mesmo passando mais de 30 horas com ele. Pela história, talvez Yakuza 0 seja, sim, o melhor para se começar. Ele certamente coloca um contexto para a dedicação entre Kazuma e Nishiki, por exemplo. Mas também há uma vantagem em jogá-lo como uma prequência, já sabendo o caminho que o relacionamento entre os dois teria no futuro.
Então minha dica é: jogar antes ou depois é sua escolha. Mas não deixe de jogar Yakuza 0 Director’s Cut.
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